Governador de Alagoas compra imóvel da sogra por R$ 7 milhões com dinheiro da saúde

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O universo das investigações administrativas, das transações imobiliárias públicas e das discussões sobre o uso do dinheiro dos impostos ganhou um capítulo movimentado nos bastidores políticos do Nordeste, revelando transações de grande impacto financeiro e institucional. O Governo do Estado de Alagoas tomou a decisão de destinar a quantia exata de 7 milhões de reais para realizar a desapropriação de um imóvel comercial de destaque localizado na capital. A grande polêmica que começou a circular nos corredores do poder é que o prédio em questão pertencia formalmente à empresa Hima Hotelaria Imóveis e Administração Ltda., uma companhia privada que possui em seu quadro de sócios e proprietários integrantes diretos da família da primeira-dama do estado, Júlia Britto Rocha do Amaral Dantas.

Os papéis e os documentos oficiais que registram a tramitação desse negócio bilionário mostram que toda a operação foi conduzida de ponta a ponta pelas equipes técnicas e jurídicas da Secretaria de Estado da Saúde, a conhecida Sesau. Outro detalhe importante que consta nos relatórios orçamentários é que o pagamento milionário do imóvel não saiu de verbas gerais do caixa do governo, tendo sido integralmente custeado e repassado com recursos carimbados provenientes do Fundo Estadual de Saúde. Essa escolha de financiamento acendeu o alerta em órgãos de controle, que questionam o uso de verbas da saúde para a compra de prédios com ligações familiares.

A empresa privada que acabou beneficiada com o recebimento dessa indenização do governo, a Hima Hotelaria Imóveis e Administração Ltda., é uma corporação tradicional da região, inscrita sob o número de CNPJ 12.482.014/0001-78 e que foi formalmente fundada no final da década de setenta, mais especificamente no dia 29 de agosto de 1979. Um dado muito curioso que consta nos registros comerciais e que chama a atenção na investigação é que a sede administrativa da própria companhia funcionava e estava localizada justamente dentro do imóvel que foi adquirido pelo Estado. O endereço fixado nos papéis do processo administrativo fica na Rua Professor Carlos Sampaio, número 30, no bairro do Centro, em Maceió.

De acordo com os registros cadastrais oficiais mantidos pela Receita Federal, a atividade econômica principal e o foco de mercado da companhia é a compra e venda de imóveis próprios, operando sob o código CNAE 6810-2/01. O relatório técnico de engenharia detalha que o imóvel desapropriado pelo governo de Alagoas possui a matrícula de número 16.745 junto aos livros oficiais do 2º Cartório de Registro de Imóveis de Maceió, contando com uma área de terreno e construção totalizada em 336 metros quadrados no coração da área central da cidade.

Na versão oficial apresentada pelo gabinete do governo para justificar o investimento, o prédio de três andares será utilizado no futuro para abrigar de forma definitiva as instalações de diversas áreas administrativas e operacionais ligadas à própria Secretaria de Estado da Saúde. De acordo com o cronograma dos fatos, o processo administrativo que deu origem à compra teve o seu início oficial no mês de dezembro do ano de 2024. Nessa época, a Assessoria Técnica de Engenharia e Arquitetura da Sesau enviou um ofício formal solicitando à Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio, a Seplag, a realização de uma avaliação técnica e comercial do imóvel para fins de desapropriação.

Na justificativa por escrito que foi anexada ao processo pela secretaria de saúde, a pasta informou aos avaliadores que pretendia transferir com urgência para aquele local específico do centro da capital várias estruturas administrativas e setores de RH da pasta que hoje funcionam em prédios alugados e caros. Logo após o recebimento dessa solicitação de abertura, os engenheiros do estado produziram uma série de documentos técnicos para embasar o valor, o que incluiu um levantamento arquitetônico completo das salas, um memorial descritivo da estrutura, um relatório fotográfico detalhado das condições do prédio e o laudo final de avaliação mercadológica.

Dando sequência aos trâmites burocráticos exigidos pelas leis de licitações, o processo foi encaminhado para as bancas de advogados da Procuradoria-Geral do Estado, a PGE, que ficou responsável por analisar com lupa a legalidade e a conformidade de toda a medida de compra. Após revisar os laudos de engenharia, a procuradoria concluiu em seu parecer pela total viabilidade jurídica e constitucional da declaração de utilidade pública do imóvel da família da primeira-dama. O decreto estadual assinado pelo governador e declarando o bem de utilidade pública foi finalmente publicado no Diário Oficial no mês de abril de 2025, autorizando a desapropriação imediata para a utilização das equipes da Sesau.

A rápida circulação e a divulgação dessas informações sobre a rota do dinheiro da saúde em Alagoas provocaram uma enxurrada imediata de debates inflamados, desabafos e comentários carregados de cobranças entre os usuários nas principais redes sociais do estado neste início de junho de 2026. O assunto tomou conta das linhas do tempo do Instagram e do Twitter na região, colocando em lados totalmente opostos os internautas que defendem a legalidade do ato administrativo e aqueles que enxergam no caso um exemplo claro de favorecimento familiar e falta de ética na gestão do dinheiro que deveria ser usado nos hospitais.

Muitos eleitores de partidos de oposição e ativistas de movimentos de transparência pública usaram os espaços de comentários na internet para manifestar uma profunda revolta com o repasse de 7 milhões de reais para a empresa ligada à primeira-dama Júlia Britto. Esse grupo de internautas argumenta nas timelines que a saúde pública de Alagoas enfrenta filas imensas para exames, falta de remédios básicos nos postos e leitos de UTI sucateados no interior, e que gastar fortunas do Fundo Estadual de Saúde para comprar um prédio de apenas 336 metros quadrados no centro é um tapa na cara da população que depende do SUS.

Por outro lado, secretários de estado, deputados da base governista e defensores da gestão estadual saíram em defesa da transparência da operação, publicando notas para explicar que o processo seguiu rigorosamente todos os ritos previstos em lei. Esse grupo argumenta de forma enfática que a Sesau necessitava de um espaço centralizado para economizar com aluguéis de terceiros e que o valor pago de 7 milhões de reais foi definido com base em critérios técnicos de mercado pela Seplag, sem qualquer tipo de interferência política ou favorecimento pessoal devido ao sobrenome dos proprietários da empresa Hima.

Os advogados especialistas em direito administrativo e os promotores de justiça do Ministério Público de Alagoas explicam que, embora a desapropriação por utilidade pública seja uma ferramenta legal e legítima do Estado, a compra de bens pertencentes a parentes de autoridades exige um nível de transparência e justificativa muito superior ao normal para evitar a configuração de desvio de finalidade ou ato de improbidade administrativa. Os juristas apontam que as investigações do MP devem focar na análise do laudo de avaliação para saber se o preço pago pelo metro quadrado no centro de Maceió não sofreu nenhum tipo de superfaturamento ou inflação artificial para beneficiar os cofres da empresa privada.

Por fim, toda essa crônica jornalística a respeito da bilionária e polêmica desapropriação do prédio da Hima Hotelaria deixa claro que o uso dos recursos públicos e a relação entre a política e os negócios familiares continuam sendo um dos terrenos mais vigiados, complexos e divisivos da nossa sociedade atual no ano de 2026. A disputa de narrativas entre a justificativa técnica de expansão da secretaria de saúde e a exigência de moralidade administrativa cobrada pela oposição promete continuar ditando o ritmo dos discursos nas tribunas da Assembleia Legislativa nos próximos meses. Enquanto os auditores do Tribunal de Contas do Estado revisam os papéis do processo administrativo e as timelines continuam acumulando visualizações, a certeza que fica é que a transparência total e o império das leis devem sempre prevalecer para proteger o patrimônio e a confiança dos cidadãos nas instituições do país.

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