A família de Moisés Martínez, então com 28 anos, foi impactada pela revelação de um histórico de violência no Uruguai. O jovem tomou conhecimento de que seu pai havia submetido a esposa e as duas filhas a severas agressões físicas e abusos sexuais ao longo de muitos anos.
Diante da descoberta, Moisés dirigiu-se ao encontro do progenitor no dia seguinte e efetuou 14 disparos contra ele. Após o ato, permaneceu durante dois dias ao lado do cadáver antes de se apresentar voluntariamente às autoridades policiais.
Os relatos dos abusos foram detalhados por Sara, irmã do acusado, em entrevista à imprensa internacional. Ela revelou que as agressões sexuais ocorriam no período noturno, aproveitando os momentos em que a mãe estava fora de casa trabalhando.
Estima-se que os episódios tenham se repetido cerca de 60 vezes. Sara relatou um padrão de comportamento do agressor, que chorava após os atos e lhe oferecia alfajores, seu doce predileto.
Esse método gerou um trauma profundo na jovem, que passou a associar o alimento à violência e a carregar um sentimento de culpa injustificado.
Logo após ser detido pela polícia, Moisés enviou um recado à irmã afirmando que ela finalmente poderia consumir o doce sem sentimentos de culpa ou medo.
O desfecho inicial nos tribunais resultou na condenação do jovem a uma pena de 12 anos de reclusão, uma vez que a magistrada responsável pelo caso rejeitou os pedidos de perdão judicial apresentados pela defesa. Atualmente, os familiares do jovem buscam reverter a decisão por meio de recursos legais na Justiça uruguaia.
A repercussão do homicídio atingiu as esferas mais altas do poder no país, motivando o presidente do Uruguai a realizar uma audiência privada com as irmãs de Moisés.
O episódio desencadeou uma ampla discussão em âmbito nacional a respeito da eficácia e das responsabilidades do Estado no enfrentamento e na prevenção da violência doméstica, além das falhas nos mecanismos de proteção às vítimas.