Um episódio de grande comoção marcou o Litoral Norte do Rio Grande do Sul no último sábado. Odirlei Vianei Uavniczak, de 39 anos, servidor da Universidade Federal de Santa Maria, perdeu a vida ao salvar o filho de sete anos de um afogamento em Tramandaí. O caso, ocorrido entre as guaritas 154 e 155, expôs a força do instinto paterno e a tragédia que pode se desenrolar em segundos diante da imprevisibilidade do mar.
Segundo informações do Corpo de Bombeiros, a criança caiu em um buraco formado pela corrente marítima. Odirlei, ao perceber o risco, manteve o filho erguido acima da superfície para que pudesse respirar, permanecendo submerso por minutos. Essa atitude heroica garantiu a sobrevivência do menino, mas custou-lhe a própria vida.
Banhistas que estavam próximos conseguiram retirar o homem da água e acionaram socorro imediato. Odirlei foi levado ao hospital após atendimento inicial na praia, onde chegou a ter a parada cardiorrespiratória revertida. Apesar dos esforços médicos, permaneceu entubado por algumas horas e não resistiu.
O primeiro-tenente Elísio Oliveira Lucrécio relatou que a equipe fez todos os procedimentos necessários, mas a gravidade da situação não permitiu a recuperação plena. A criança, por sua vez, passa bem e não sofreu maiores complicações.
A esposa de Odirlei, em publicação nas redes sociais, confirmou o ocorrido com palavras de dor e homenagem. “Com o coração em pedaços, comunico a todos que a imensidão do mar levou a vida do Odi”, escreveu.
Em seguida, ela acrescentou: “Foi o nosso herói e para sempre será o nosso anjo da guarda. Te amaremos por toda a vida”. A mensagem emocionou familiares, amigos e colegas de trabalho, que se uniram em solidariedade.
Odirlei era conhecido por sua dedicação profissional e pelo carinho com a família. A notícia de sua morte repercutiu intensamente na comunidade acadêmica da UFSM, onde colegas destacaram sua generosidade e espírito colaborativo.
O episódio também reacendeu discussões sobre segurança nas praias do Rio Grande do Sul. Especialistas lembram que buracos e correntes de retorno são comuns e podem surpreender banhistas, mesmo em áreas aparentemente seguras.
Autoridades reforçam que a atenção deve ser redobrada em locais sem supervisão direta de guarda-vidas. A tragédia mostra como segundos podem ser decisivos em situações de risco.
A história de Odirlei ganhou destaque nacional pela dimensão humana do gesto. O ato de sacrificar a própria vida para salvar o filho foi reconhecido como exemplo de amor incondicional.
Movimentos sociais e entidades ligadas à proteção da infância destacaram que o caso simboliza a força da relação entre pais e filhos, mas também alerta para a necessidade de políticas públicas de prevenção.
O Corpo de Bombeiros reforçou que campanhas de conscientização sobre os perigos do mar são fundamentais, especialmente em regiões de grande fluxo turístico.
A tragédia também trouxe à tona relatos de outros acidentes semelhantes, mostrando que o problema é recorrente e exige atenção permanente.
Odirlei deixa esposa, filho e uma trajetória marcada por dedicação e coragem. Sua morte, embora dolorosa, é lembrada como um ato de heroísmo.
A comunidade de Santa Maria organizou homenagens em sua memória, destacando o legado de amor e proteção que ele deixou.
O episódio reforça a importância da solidariedade em momentos de crise. Banhistas que ajudaram no resgate também foram reconhecidos pela atuação rápida.
Especialistas em segurança aquática lembram que, em casos de afogamento, a prioridade deve ser sempre buscar ajuda profissional, mas ressaltam que o instinto de proteção muitas vezes leva familiares a agir imediatamente.
A morte de Odirlei é um lembrete da imprevisibilidade da natureza e da necessidade de respeito aos limites do mar.
O caso continuará sendo lembrado não apenas pela tragédia, mas pela demonstração de coragem e amor que marcou os últimos momentos de sua vida.
Em Tramandaí, o mar que levou Odirlei também testemunhou um gesto de entrega absoluta, transformando sua história em símbolo de heroísmo e amor paterno que permanecerá na memória coletiva.

