Santa Catarina registrou, em um intervalo inferior a 24 horas, dois casos de extrema violência envolvendo motoristas de aplicativo. As ocorrências, distintas entre si, têm em comum o desfecho trágico e o perfil das vítimas: mulheres que utilizavam a atividade como principal fonte de renda.
Os episódios ocorreram na última segunda-feira (24), em cidades diferentes do estado. As circunstâncias de cada crime estão sendo apuradas pelas autoridades, que trabalham para identificar os responsáveis e esclarecer as motivações.
Em Canelinha, localizada no Vale do Rio Tijucas, moradores encontraram o corpo de uma idosa de 74 anos em uma área de ribanceira. A vítima foi identificada como Alice, que atuava como motorista de aplicativo.
De acordo com informações preliminares, Alice havia saído para realizar uma corrida solicitada por um cliente. A partir desse momento, não houve mais contato com familiares ou conhecidos.
O corpo foi localizado em condições que indicam possível ocultação, o que reforça a suspeita de crime. A forma como a vítima foi abandonada gerou forte comoção entre os moradores da região.
As autoridades locais iniciaram imediatamente os procedimentos investigativos, incluindo perícia no local e coleta de evidências que possam auxiliar na identificação dos autores.
Enquanto isso, em Videira, no Meio-Oeste catarinense, outro caso com características semelhantes também mobilizava forças de segurança no mesmo dia.
A vítima foi identificada como Silvana, de 39 anos, que igualmente trabalhava como motorista de aplicativo e realizava corridas no momento em que foi abordada.
Durante a ação criminosa, Silvana conseguiu entrar em contato com o marido por telefone. A ligação, marcada por desespero, revelou a gravidade da situação.
Segundo relatos, era possível ouvir, ao fundo, a voz de um homem exigindo o pagamento de cinco mil reais para a liberação da vítima.
Diante da pressão, o marido efetuou uma transferência no valor de dois mil e cento e nove reais, quantia que conseguiu reunir naquele momento.
Após a transferência, o contato foi interrompido. Silvana não voltou a atender ligações, o que aumentou a preocupação da família e levou ao acionamento das autoridades.
As buscas foram iniciadas imediatamente, com apoio de equipes especializadas e mobilização de recursos para localizar a vítima.
O corpo de Silvana foi encontrado na quarta-feira (25), confirmando o desfecho trágico do caso e intensificando a investigação policial.
As circunstâncias do crime, incluindo a exigência de resgate, indicam a possível atuação de criminosos organizados ou ao menos de uma ação planejada.
Os dois casos, embora ocorridos em regiões diferentes, levantam questionamentos sobre a segurança de motoristas de aplicativo, especialmente em situações de atendimento a chamados desconhecidos.
Especialistas apontam que a vulnerabilidade desses profissionais está relacionada à natureza do trabalho, que envolve contato direto com passageiros sem identificação prévia rigorosa.
As plataformas digitais, por sua vez, têm sido pressionadas a adotar medidas adicionais de segurança, como verificação mais rígida de usuários e mecanismos de emergência mais eficientes.
As autoridades de segurança pública reforçam a importância de denúncias e do compartilhamento de informações que possam contribuir com as investigações em andamento.
Os casos seguem sob apuração, enquanto familiares e comunidades locais lidam com o impacto das perdas e aguardam respostas sobre os responsáveis pelos crimes.

