No cenário competitivo do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), onde frações de pontos decidem destinos, a trajetória de Tércia surge como um manifesto de autodeterminação. Natural da zona rural de Minas Gerais e egressa da escola pública, a jovem mineira protagonizou uma escolha que muitos considerariam arriscada: recusar o prestígio imediato de cursos como Direito ou Odontologia para perseguir o sonho absoluto da Medicina.
Em 2026, seu nome é recordado como o da estudante que transformou a insegurança do ensino remoto em uma aprovação histórica em 1º lugar na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), campus Divinópolis.
A jornada de Tércia começou com um desempenho que já era considerado de elite: uma média de 751 pontos em seu primeiro Enem. Com essa nota, as portas das carreiras mais concorridas do país estavam abertas, mas não a que ela realmente desejava. Em vez de se acomodar com a “segunda opção”, Tércia escolheu o caminho da insistência. Ela retornou aos livros, desta vez enfrentando o desafio adicional de estudar em casa, na zona rural, lidando com a incerteza inicial sobre a qualidade do aprendizado online em comparação ao ensino presencial.
A rotina que se seguiu foi uma maratona de disciplina férrea. Tércia impôs a si mesma uma carga horária superior a 10 horas diárias de estudo, mergulhando em conteúdos de alta complexidade e utilizando o suporte digital de seus professores para sanar cada dúvida.
Essa imersão solitária, longe dos grandes centros urbanos, exigiu um controle emocional que a jovem transformou em seu maior diferencial. Para ela, o ambiente doméstico não foi um limitador, mas o laboratório onde forjou a resiliência necessária para enfrentar o vestibular de 2022.
O “e daí?” pedagógico desta conquista reside na Eficiência da Autogestão Educacional. Em 2026, o caso de Tércia é analisado por especialistas em educação para demonstrar que o acesso à informação de qualidade, aliado ao suporte pedagógico remoto, pode nivelar o campo de jogo entre alunos da zona rural e urbana.
Ao alcançar a média geral de 798,63 pontos, Tércia não apenas passou em Medicina; ela dominou a lista de classificação, provando que o “onde” se estuda é secundário ao “como” se estuda.
A reação da família foi um misto de celebração e confirmação. Para a mãe, Maria Márcia Paula de Oliveira, a aprovação em primeiro lugar não foi uma surpresa, mas a colheita natural de um plantio exaustivo que ela testemunhou de perto. Esse respaldo familiar foi a rede de segurança que permitiu a Tércia manter o foco quando o cansaço das dez horas diárias de estudo ameaçava aparecer. Em Minas Gerais, a história de Tércia tornou-se um símbolo de que a zona rural é, na verdade, um solo fértil para grandes mentes.
Dentro da nossa galeria de histórias de resiliência e propósito, Tércia compartilha a mesma fibra de Sabrina Santos, a futura médica do Maranhão, e de José Victor, o prodígio de Sergipe.
Todos esses relatos provam que a escola pública brasileira é capaz de produzir resultados de excelência mundial quando encontra estudantes dispostos a romper barreiras. Se o gari Isac Francisco pavimentou o futuro do filho com suor, Tércia pavimentou o seu com foco e força de vontade, recusando-se a aceitar qualquer destino que não fosse o topo.
Especialistas em processos seletivos apontam que a decisão de Tércia de “tentar de novo” mesmo com uma nota alta é um exemplo de Estratégia de Longo Prazo. No Sisu, a ansiedade costuma empurrar os alunos para cursos que não desejam apenas pelo medo de não passar em nada no ano seguinte. Tércia, contudo, confiou em seu método e na sua capacidade de evolução. Ela provou que a Medicina não é um curso inalcançável para quem vive longe dos grandes cursinhos, mas um objetivo que exige uma renúncia temporária ao conforto em prol de um propósito maior.
A tecnologia das plataformas de ensino à distância foi a ponte que conectou a zona rural mineira ao conhecimento necessário para a aprovação. Em 2026, com a conectividade cada vez mais presente no campo, histórias como a de Tércia tornam-se faróis para milhares de jovens que ainda se sentem inseguros com o modelo remoto. Ela demonstrou que, com foco — para definir a meta — e força de vontade — para não se desviar dela —, as barreiras geográficas tornam-se irrelevantes diante de um cérebro treinado para a vitória.
A análise técnica de sua pontuação revela um equilíbrio excepcional entre as áreas de exatas e biológicas, além de uma redação de alto nível, fundamentais para a média de 798,63. Esse desempenho equilibrado é fruto da rotina intensa que Tércia manteve, sem negligenciar nenhuma disciplina. Ela é a arquiteta de uma aprovação que não deixou margem para dúvidas, ocupando a vaga de primeiro lugar com a autoridade de quem sabe que cada hora de estudo foi um investimento seguro em sua futura carreira médica.
A reflexão final que a trajetória de Tércia nos propõe é sobre a coragem de dizer “não” ao bom para esperar pelo excelente. Ela poderia ser hoje uma advogada ou dentista competente, mas escolheu ser a médica que sempre sonhou. Sua vida é o fechamento perfeito para a ideia de que o sucesso é uma construção diária e solitária. Tércia nos ensina que a insegurança inicial é apenas o peso da responsabilidade, e que a força de vontade é o único motor capaz de transformar esse peso em asas.
Por fim, Tércia inicia sua formação na UFSJ em Divinópolis, carregando consigo os valores da zona rural mineira e a resiliência da escola pública. Ela provou que a determinação de uma jovem pode superar qualquer estatística de desigualdade.
Enquanto ela se prepara para cuidar de vidas no futuro, a mensagem para 2026 é clara: o curso que você deseja está ao seu alcance, desde que você tenha o foco de definir sua meta e a força de vontade de acordar todos os dias para correr atrás dela, sem desvios.
A trajetória de Tércia é o lembrete definitivo de que o mérito real é forjado na persistência. Ela transformou 751 pontos em 798 e uma vaga em Direito em um primeiro lugar em Medicina.
Que seu exemplo continue a circular, incentivando estudantes de todas as zonas rurais do Brasil a acreditarem em seu potencial, mostrando que a educação é a única estrada que, embora íngreme, leva invariavelmente ao destino que o coração escolheu, um dia de estudo por vez.

