A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados foi oficialmente instalada para o novo período legislativo e definiu sua presidência para 2026. A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) foi eleita para comandar o colegiado, obtendo 11 votos entre os parlamentares integrantes.
Com a escolha, Erika Hilton torna-se a primeira mulher trans a assumir a presidência da comissão responsável por discutir e deliberar matérias relacionadas às pautas femininas na Casa. A eleição marca um momento simbólico na trajetória recente do Parlamento brasileiro.
Em seu primeiro mandato como deputada federal, Erika Hilton já havia alcançado projeção nacional ao se tornar, em 2022, a primeira mulher negra trans eleita para a Câmara dos Deputados. Sua atuação tem sido direcionada a temas ligados a direitos humanos, igualdade e proteção social.
Entre as iniciativas apresentadas ao longo da atual legislatura está a Proposta de Emenda à Constituição que propõe o fim da escala de trabalho 6×1, modelo que prevê seis dias consecutivos de atividade para um de descanso. A proposta abriu debate sobre jornadas de trabalho e qualidade de vida.
Ao assumir a presidência da comissão, a parlamentar afirmou que pretende imprimir maior celeridade à tramitação de projetos voltados à defesa e proteção das mulheres. Em entrevista ao portal (Metrópoles), destacou que a pauta exige respostas rápidas diante do aumento de casos de violência.
Segundo Erika Hilton, temas relacionados ao ambiente digital estarão entre as prioridades de sua gestão. Ela mencionou a necessidade de enfrentar discursos conhecidos como “Red Pill”, que têm circulado em redes sociais e fóruns online.
Para a deputada, esse tipo de conteúdo pode contribuir para a disseminação de ideias que reforçam desigualdades de gênero e comportamentos discriminatórios. O debate, segundo ela, deve envolver especialistas e representantes da sociedade civil.
Outro ponto citado foi o crescimento da violência digital contra mulheres. A parlamentar ressaltou que ataques virtuais, exposição não autorizada de imagens e campanhas de desinformação têm impactado a segurança e a saúde mental de vítimas.
No contexto tecnológico, Erika Hilton defendeu que a comissão também acompanhe discussões sobre regulação de plataformas digitais. A avaliação é de que empresas de tecnologia devem assumir responsabilidades proporcionais ao alcance de seus serviços.
A deputada mencionou ainda a expansão do uso de inteligência artificial e os desafios decorrentes dessa inovação. Entre as preocupações estão práticas como a criação de deepnudes, imagens manipuladas digitalmente que simulam nudez sem consentimento.
De acordo com a presidente eleita, esses episódios configuram novas formas de violência de gênero e exigem atualização da legislação. O tema já vem sendo discutido em diferentes países, diante do avanço acelerado das ferramentas digitais.
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher é responsável por analisar projetos relacionados a políticas públicas, combate à violência doméstica, igualdade salarial e participação feminina na política. O colegiado também promove audiências públicas e debates temáticos.
Nos últimos anos, o Brasil registrou aumento nas notificações de violência contra mulheres, especialmente em ambientes virtuais. Dados oficiais apontam crescimento de denúncias envolvendo perseguição online e divulgação de conteúdo íntimo sem autorização.
Nesse cenário, a nova presidência afirma que buscará diálogo com outras comissões permanentes da Câmara para tratar de pautas intersetoriais. A intenção é integrar esforços em temas que envolvem tecnologia, educação e segurança pública.
Erika Hilton declarou que sua eleição representa um avanço institucional ao ampliar a diversidade na condução dos trabalhos legislativos. Para ela, a comissão deve refletir a pluralidade da sociedade brasileira.
A parlamentar afirmou que pretende adotar uma gestão democrática, aberta ao contraditório e à participação de diferentes correntes políticas. O objetivo, segundo suas palavras, é garantir que a comissão seja um espaço de escuta e construção coletiva.
Ela também declarou que nenhuma mulher deve ser deixada para trás, independentemente de origem, identidade ou condição social. A afirmação sintetiza o direcionamento político que pretende adotar ao longo do mandato na presidência.
A instalação da comissão e a eleição de sua nova dirigente ocorrem em um momento de intensificação do debate sobre direitos das mulheres no país. Propostas legislativas sobre igualdade, proteção e inclusão seguem em análise no Congresso Nacional.
Com a definição da presidência para 2026, a expectativa é que os próximos meses sejam marcados por discussões ampliadas sobre violência digital, regulação tecnológica e políticas públicas de equidade de gênero, temas que devem ocupar posição central na agenda do colegiado.

