Após repercussão negativa, governo volta atrás sob aumentar imposto de importações para alguns produtos, incluindo os eletrônicos

Em uma demonstração da força da pressão popular e do mercado digital, o governo federal anunciou nesta sexta-feira (27) a desistência do aumento das alíquotas de importação sobre uma ampla gama de produtos eletrônicos. A decisão reverte um dos pilares do pacote fiscal aprovado no fim de janeiro de 2026, que previa a elevação das tarifas para mais de mil itens.

Com o recuo, dispositivos essenciais como smartphones, notebooks, placas-mãe, roteadores, mouses, memórias e CPUs voltam a ter as alíquotas anteriores, evitando um repasse imediato de custos ao consumidor final.

A medida original, implementada há cerca de um mês, foi rapidamente identificada por analistas como uma tentativa agressiva de reforçar o caixa da União diante das persistentes dificuldades fiscais.

No planejamento traçado no fim de 2025, a equipe econômica estimava que o aumento do imposto de importação sobre esses componentes e aparelhos poderia gerar uma arrecadação adicional de aproximadamente R$ 14 bilhões. No entanto, a repercussão negativa nas redes sociais e o temor de uma retração no consumo de bens de tecnologia forçaram o Ministério da Fazenda a recalcular a estratégia.

O “e daí?” dessa reversão reside no impacto direto sobre a cadeia produtiva e o acesso à tecnologia.

Os eletrônicos são insumos fundamentais não apenas para o lazer, mas para a educação e o trabalho remoto. Uma elevação nos impostos sobre CPUs e memórias, por exemplo, encareceria toda a montagem de computadores no Brasil, afetando desde grandes centros de dados até o estudante que precisa de um notebook. O governo agora precisará buscar fontes alternativas de receita para cobrir o vácuo deixado pelos R$ 14 bilhões que não entrarão mais nos cofres públicos através desta tarifa.

Setores da indústria nacional e importadores celebraram o recuo, argumentando que a carga tributária sobre o setor de tecnologia no Brasil já é uma das mais altas do mundo.

A manutenção das tarifas elevadas poderia estimular o mercado cinza (contrabando) e desincentivar a inovação tecnológica no país. Para o mercado financeiro, a desistência sinaliza uma sensibilidade do governo ao humor da opinião pública, mas também levanta dúvidas sobre como as metas de ajuste fiscal serão cumpridas sem a arrecadação prevista inicialmente.

Apesar da vitória para o setor de eletrônicos, o restante do pacote de impostos aprovado em janeiro permanece em vigor para outros segmentos.

A equipe econômica informou que continuará monitorando os índices de arrecadação para decidir se novos ajustes serão necessários em outros produtos de menor impacto na cesta de consumo tecnológico. Por ora, o preço dos smartphones e componentes de informática deve se estabilizar, afastando o fantasma da inflação setorial que ameaçava o primeiro trimestre de 2026.

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