Computador médio, que custava R$ 5 mil, passa a sair por R$ 8.762 após novos impostos de Lula sobre importados

O governo federal anunciou mudanças na tributação sobre produtos importados ligados à tecnologia e maquinário que voltaram a colocar a pauta fiscal no centro do debate econômico nacional às vésperas do ano eleitoral. A medida, que já está gerando repercussões no setor produtivo, foi formalizada por meio de resolução do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) e deve vigorar integralmente a partir de março de 2026.

Entre os segmentos afetados estão computadores, smartphones, servidores e outros aparelhos eletrônicos, além de máquinas industriais. O alcance da alteração inclui mais de 1,2 mil itens categorizados no comércio exterior como bens de informática e bens de capital.

Segundo cálculos que circulam no mercado tecnológico, um computador de configuração média, que anteriormente podia ser montado por cerca de R$ 5 mil, passou a ser estimado na faixa de R$ 8.762 depois das mudanças nas alíquotas de imposto e tributações incidentes sobre componentes essenciais.

A diferença de preço projetada é resultado direto da recomposição de alíquotas de imposto de importação — que, em muitos casos, subiram significativamente em relação aos níveis anteriores — e do efeito cascata desses tributos ao longo da cadeia de custos até o consumidor final.

O governo federal, por meio do Ministério da Fazenda, defende que a atualização das alíquotas tem caráter regulatório e busca proteger a produção nacional, incentivando a instalação e ampliação de unidades fabris no país. O ministro responsável pela pasta afirmou que mais de 90% dos produtos afetados podem ser fabricados internamente, o que, na avaliação oficial, amortece o impacto direto sobre os preços ao consumidor.

Funcionários do governo afirmam que a medida não representa um “novo imposto”, mas sim um ajuste tarifário necessário para conter desequilíbrios na balança comercial e fortalecer elos produtivos nacionais. A expectativa oficial é de que a recomposição de alíquotas gere, ao longo de 2026, cerca de R$ 14 bilhões adicionais aos cofres públicos.

Críticos da iniciativa, porém, argumentam que a elevação das tarifas sobre importados, especialmente em bens de informática, pode resultar em aumento de preços ao consumidor e em maior custo de produção para setores que dependem de insumos importados.

Repercussões nas redes sociais e em fóruns especializados confirmam que a perspectiva de encarecimento de computadores e equipamentos tem gerado inquietação entre estudantes, profissionais de tecnologia e pequenas empresas que dependem de acesso a hardware a preços competitivos.

A oposição política também reagiu à medida, qualificando-a como um “tiro no pé” em um momento em que muitos brasileiros já enfrentam restrições no poder de compra devido ao cenário econômico. Segundo esses críticos, a majoração tributária sobre tecnologia pode prejudicar especialmente a chamada Geração Z, fortemente engajada no consumo digital.

Alguns parlamentares e setores empresariais alertaram que a maior taxação pode impactar programas educacionais, inovação tecnológica e competitividade das empresas brasileiras em mercados globais. Esses grupos defendem que alternativas de política industrial e incentivos à produção interna podem ser mais eficazes do que aumentos de imposto.

Por sua vez, representantes do governo argumentam que a atualização das alíquotas é uma ferramenta legítima de política econômica, utilizada para equilibrar certas distorções verificadas na dependência excessiva de importações em segmentos estratégicos.

A metodologia adotada para ajustar as alíquotas considerou faixas pré-estabelecidas, em que produtos antes tributados em níveis abaixo de 7% foram elevados a patamares mínimos semelhantes, e itens que já estavam em faixas intermediárias passaram a integrar classes superiores de imposto.

Entre os setores afetados, além de computadores, estão telefones celulares importados, roteadores, componentes eletrônicos, máquinas industriais e equipamentos especializados, segundo informações divulgadas pelos órgãos públicos.

Autoridades do Ministério da Fazenda sustentam que, ao incentivar a produção nacional, haverá, no médio e longo prazos, maior agregação de valor local e menor dependência de importados, o que poderia, em tese, estabilizar ou até reduzir preços no futuro.

Entretanto, economistas independentes observam que, no curto prazo, a recomposição tributária deve aumentar o custo de insumos importados que ainda não têm substitutos competitivos fabricados no Brasil, pressionando margens e possivelmente repassando parte dos custos ao varejo.

Empresas que operam na importação de tecnologia enfatizam que a magnitude dos aumentos varia conforme o tipo de produto, o câmbio, as despesas logísticas, o estoque disponível e as estratégias comerciais adotadas por cada varejista.

Setores de serviços de tecnologia e educação tecnológica alertam que maior custo de hardware pode criar barreiras adicionais ao acesso à tecnologia, especialmente em segmentos já sensíveis à questão de preços elevados no Brasil.

Analistas de mercado apontam que medidas tributárias desse tipo, quando anunciadas em períodos próximos a eleições, tendem a intensificar o debate político sobre questões fiscais e econômicas diante da opinião pública. (L

O governo, por outro lado, tem reiterado que os ajustes visam criar condições mais equilibradas para a indústria nacional competir e inovar, e que eventuais impactos inflacionários estão sendo monitorados pelas autoridades econômicas.

Representantes do setor produtivo ressaltam que o impacto de preços ao consumidor só será plenamente observado quando varejistas e fabricantes divulgarem seus novos preços oficiais após a aplicação integral das medidas.

O debate em torno da medida tributária deve continuar nos próximos meses, à medida que diferentes setores avaliem seus efeitos econômicos, políticos e sociais, e que o governo busque equilibrar objetivos de arrecadação, proteção industrial e bem-estar do consumidor.

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