Em um episódio clínico documentado por especialistas, um menino brasileiro que nasceu com uma condição extremamente rara foi submetido a um procedimento cirúrgico em São Paulo para retirada de um dos órgãos genitais duplicados.
A anomalia observada na criança é denominada difalia, termo médico utilizado para descrever a presença de duas estruturas penianas em um mesmo indivíduo.
Segundo a publicação científica que relatou o caso, disponível na revista Journal of Pediatric Urology, a duplicação envolvia dois pênis completos — isto é, ambas as estruturas apresentavam formato definido, embora com diferenças dimensionais.
Casos como esse são extremamente incomuns. Estudos clínicos indicam que a difalia ocorre em cerca de uma em cada cinco a seis milhões de nascimentos, tornando-se uma das malformações genitais mais raras registradas na literatura médica.
O menino submetido à cirurgia tinha dois anos de idade quando os médicos realizaram a intervenção planejada pela equipe de urologia pediátrica.
Inicialmente, os profissionais avaliaram a possibilidade de preservar a estrutura de maior porte, localizada do lado esquerdo do corpo, considerando fatores estéticos e de desenvolvimento.
Entretanto, a decisão final acabou sendo pautada por critérios funcionais, após exames que revelaram diferenças importantes na anatomia das vias urinárias associadas a cada órgão.
A mãe da criança relatou aos médicos que o menino urinava apenas por meio do pênis menor, uma observação que motivou a equipe a revisar o plano cirúrgico original.
Exames subsequentes confirmaram que a uretra do pênis maior apresentava estreitamento significativo, o que dificultaria a passagem de urina e poderia gerar complicações ao longo do tempo.
Diante desses achados, os cirurgiões optaram por remover o órgão maior, priorizando a funcionalidade urinária em vez de simplesmente preservar o membro de maior tamanho.
O procedimento foi realizado de forma planejada e sem intercorrências importantes, segundo a equipe médica, que envolveu profissionais especializados em cirurgia pediátrica e anestesia infantil.
Após a remoção do pênis maior, a criança passou a contar apenas com a estrutura menor, que foi verificada como funcional e apta para exercer as funções urinárias.
O relato publicado no Journal of Pediatric Urology destaca que cada caso de difalia deve ser analisado individualmente, considerando aspectos anatômicos, funcionais e de desenvolvimento futuro.
Especialistas ouvidos na época enfatizaram que a decisão clínica não se limita à estética, mas busca prevenir problemas urinários, infecções ou outras complicações decorrentes de uma uretra não funcional.
Além da questão cirúrgica, o acompanhamento da criança seguirá um protocolo multidisciplinar, envolvendo pediatras e urologistas para monitorar o crescimento, função urinária e aspectos relacionados ao desenvolvimento geral.
A difalia pode apresentar variações em sua expressão anatômica. Em algumas situações, apenas a glande pode estar duplicada, enquanto em outras, podem existir dois órgãos completamente formados, como no caso relatado.
Apesar da raridade, episódios semelhantes já foram descritos na literatura médica internacional, com diferentes abordagens terapêuticas dependendo da idade e das condições do paciente.
A equipe responsável pelo tratamento comentou que a escolha pelo momento do procedimento — aos dois anos — considerou fatores de segurança e avaliação clínica amplia da criança.
Os médicos ressaltaram ainda que a difalia não é associada a fatores genéticos conhecidos ou condições hereditárias, e sua ocorrência é considerada quase sempre aleatória durante o desenvolvimento embrionário.
O caso, por sua singularidade, atraiu interesse da comunidade médica e científica, que acompanha relatos desse tipo para aprimorar protocolos de diagnóstico e intervenção.
A família foi assistida por uma equipe de apoio que incluiu orientação médica e acompanhamento para as etapas do pós-operatório, reforçando a importância de cuidados contínuos.
De forma geral, relatos como esse sublinham a complexidade das anomalias congênitas e a necessidade de decisões clínicas fundamentadas em evidências e na perspectiva de cada paciente.
O desenrolar do caso reforça a importância de abordagens multidisciplinares e da comunicação entre profissionais de saúde e familiares na definição de tratamentos em condições atípicas.

