Cirurgiã remove implantes rompidos e faz alerta:” Não há como saber se estão rompidos sem ressonância”

A cirurgiã plástica Nicole Castellese trouxe à tona um caso clínico que reacende o debate sobre a durabilidade e o monitoramento de implantes mamários de silicone. A especialista relatou a retirada de próteses implantadas em 1985 em uma paciente atualmente com 65 anos, após a constatação de ruptura dos dispositivos.

De acordo com a médica, os implantes permaneceram no organismo por mais de três décadas. Com o passar do tempo, a integridade do material foi comprometida, resultando no rompimento da estrutura externa que reveste o silicone.

Segundo Nicole Castellese, embora tenha ocorrido a ruptura, o gel não se espalhou livremente pelo corpo. Ele permaneceu contido em uma cápsula fibrosa formada naturalmente pelo organismo ao redor do implante, fenômeno conhecido na prática médica como contratura capsular.

A profissional explicou que, ao longo dos anos, essa cápsula sofreu alterações estruturais. O tecido ao redor endureceu progressivamente e apresentou áreas de calcificação, o que pode provocar desconforto, alterações no formato das mamas e, em alguns casos, dor.

Nas imagens compartilhadas pela cirurgiã, é possível observar a consistência espessa do gel de silicone após a remoção. A médica demonstrou como a substância se infiltrava por pequenos orifícios na cobertura do implante já comprometido.

O caso chamou atenção nas redes sociais, sobretudo pelo tempo prolongado em que os dispositivos permaneceram no organismo. Implantes colocados na década de 1980 não contavam com os avanços tecnológicos presentes nos modelos atuais.

Nicole Castellese fez um alerta direto ao público ao afirmar que rupturas de implantes de silicone podem evoluir de forma silenciosa. Em muitos casos, não há sintomas evidentes que indiquem que o dispositivo foi danificado.

“Não há como saber se estão rompidos sem ressonância”, afirmou a especialista ao comentar o caso. A declaração reforça a importância de exames de imagem específicos para avaliação adequada da integridade dos implantes.

A ruptura silenciosa é um fenômeno reconhecido na literatura médica. Diferentemente dos implantes preenchidos com solução salina, cujo rompimento costuma provocar alteração imediata no volume, o silicone pode permanecer contido na cápsula, mascarando o problema.

A formação da cápsula fibrosa ao redor do implante é uma resposta natural do organismo a corpos estranhos. No entanto, quando há endurecimento excessivo ou calcificação, a condição pode exigir intervenção cirúrgica.

De acordo com diretrizes internacionais amplamente divulgadas por sociedades médicas, mulheres com implantes mamários devem realizar acompanhamento periódico, mesmo na ausência de sintomas.

Nicole Castellese recomendou que pacientes com próteses de silicone realizem exames regulares e considerem a ressonância magnética como método de rastreamento, especialmente quando os implantes ultrapassam 10 anos de colocação.

A médica destacou que o tempo de permanência do implante é um fator relevante. Embora não exista um prazo de validade absoluto, a probabilidade de desgaste do material aumenta com o envelhecimento do dispositivo.

Especialistas ressaltam que a decisão de substituir ou remover próteses deve ser individualizada, levando em conta fatores clínicos, histórico da paciente e resultados de exames de imagem.

No caso apresentado, a retirada dos implantes foi realizada de forma planejada. A cirurgia incluiu a remoção da cápsula endurecida, procedimento conhecido como capsulectomia.

A exposição do caso teve caráter educativo, segundo a cirurgiã. Ao compartilhar imagens e informações técnicas, Nicole Castellese buscou conscientizar pacientes sobre a necessidade de monitoramento contínuo.

A discussão também reacende questionamentos sobre a percepção de que implantes mamários são dispositivos permanentes. Embora possam durar muitos anos, não são considerados vitalícios.

A evolução dos materiais e técnicas cirúrgicas trouxe maior segurança aos procedimentos atuais. Ainda assim, a possibilidade de ruptura permanece uma complicação reconhecida na prática da cirurgia plástica.

O relato da especialista reforça que o acompanhamento médico não deve ser negligenciado. Mesmo na ausência de dor ou alterações visíveis, exames periódicos são fundamentais para identificar problemas precocemente.

Ao final, a principal mensagem destacada por Nicole Castellese é preventiva: pacientes com implantes mamários devem manter diálogo regular com seus médicos e realizar avaliações por imagem, pois, como afirmou, “Não há como saber se estão rompidos sem ressonância”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Justiça! Mãe de menina de 12 anos vítima de estupr* cometido pelo homem de 35, também é presa após desembargador voltar atrás no caso

Ex-dirigentes do INSS fecharam delação e é entregam Lulinha e políticos