O retorno de rostos conhecidos ao cenário do Big Brother Brasil costuma carregar uma mistura de nostalgia e estratégia, mas para Alberto Pimentel, o “Cowboy” do BBB7, a reentrada na casa em 2026 possui um peso emocional e psicológico muito superior ao valor do cheque final. Em uma entrevista reveladora concedida ao jornal O Globo, sua esposa detalhou que a motivação por trás da aceitação do convite para o BBB26 não é financeira, mas sim uma tentativa de reparação histórica de sua própria narrativa pública.
A prioridade absoluta do participante, segundo o relato de sua companheira, é a desconstrução da imagem negativa que o acompanhou por quase duas décadas. Cowboy deixou a sétima edição do reality marcado como um dos grandes vilões da história do programa, enfrentando uma rejeição massiva na época devido aos seus embates com o vencedor Diego Alemão e às suas estratégias de jogo que, no contexto de 2007, foram duramente punidas pelos telespectadores.
A esposa de Alberto explicou que o prêmio milionário, embora bem-vindo, nunca esteve no topo da lista de desejos da família para esta nova jornada. O objetivo central é o que ela define como uma “limpeza de imagem”, buscando superar as críticas severas e o estigma de vilania que afetaram a vida pessoal e profissional do competidor após o fim de sua primeira participação.
No BBB26, Cowboy entra com o desafio de mostrar um lado mais maduro e humano, tentando provar que o tempo e as experiências de vida o transformaram. Para ele, o programa funciona como um tribunal de apelação popular, onde o veredito esperado não é apenas a vitória, mas a aceitação social e a superação do ódio digital que, embora menos intenso em 2007, ainda reverberava em sua trajetória.
A decisão de retornar ao confinamento é vista por especialistas em entretenimento como um movimento de alto risco. Ao mesmo tempo em que o BBB oferece a maior vitrine do país para uma “redenção”, ele também expõe novamente o indivíduo ao julgamento implacável das redes sociais, que hoje possuem uma velocidade de cancelamento muito superior à da televisão da década de 2000.
O “e daí?” desta participação reside na evolução do próprio público do Big Brother. Se em 2007 o telespectador buscava maniqueísmo — dividindo a casa claramente entre “mocinhos” e “vilões” —, em 2026 a audiência demonstra apreciar trajetórias de vulnerabilidade e reconhecimento de erros, o que pode favorecer a estratégia de Cowboy se sua mudança for percebida como autêntica.
Durante a entrevista, a esposa de Pimentel destacou que o apoio da família foi fundamental para que ele tivesse coragem de enfrentar novamente o isolamento. O medo da rejeição ainda existe, mas a vontade de encerrar o ciclo de “ex-BBB rejeitado” foi o motor principal para que ele assinasse o contrato com a emissora e se submetesse novamente às câmeras 24 horas por dia.
A mudança de percepção do público é um processo lento e subjetivo. Cowboy terá que equilibrar sua personalidade forte, que o tornou um personagem marcante, com a necessidade de evitar os comportamentos que levaram à sua eliminação traumática no passado. O desafio é não parecer um personagem ensaiado, algo que o público atual costuma detectar e punir com rapidez.
Recuperar o apoio de quem já foi contra ele é uma meta ambiciosa. Nas redes sociais, as opiniões já se dividem entre os que acreditam em segundas chances e os que guardam a memória afetiva do BBB7 como um marco de rivalidade. A narrativa de “vilão arrependido” é um dos clichês mais poderosos dos reality shows, mas exige uma entrega emocional que Cowboy precisará sustentar durante semanas de pressão.
O impacto de sua participação no BBB26 também serve como um estudo sobre a memória televisiva no Brasil. Alberto quer provar que ninguém está condenado a ser um rótulo de vinte anos atrás, utilizando a mesma ferramenta que o “destruiu” para tentar se reconstruir diante de uma nova geração de brasileiros que sequer assistiu à sua edição original.
Resta saber se, no calor das votações e das formações de paredão, o público abraçará essa nova versão ou se os antigos fantasmas do jogo de 2007 retornarão para assombrar o Cowboy. A jornada pela redenção é, muitas vezes, mais difícil do que a jornada pela vitória, pois envolve o convencimento de milhões de pessoas de que a essência de um homem pode, de fato, evoluir.
O desfecho desta história será escrito voto a voto, mas o fato de um ex-participante entrar com o propósito confesso de mudar sua imagem já altera a dinâmica de jogo do BBB26. Cowboy não joga apenas pelo dinheiro; ele joga pela sua paz de espírito e pelo direito de circular pelas ruas sem ser associado a um erro cometido em rede nacional há quase vinte anos.

