Incêndio destrói a estátua de Nossa Senhora de Fátima em construção, em Natal. Ela teria 35 metros de altura

O céu da Zona Norte de Natal foi tomado por uma densa cortina de fumaça escura na tarde desta terça-feira (24), marcando o fim trágico de um projeto que pretendia erguer um dos novos símbolos religiosos do Rio Grande do Norte. Um incêndio de grandes proporções consumiu a estrutura da estátua de Nossa Senhora de Fátima, que estava em fase avançada de construção no bairro Pajuçara. O incidente transformou o canteiro de obras em um cenário de destruição em poucos minutos.

O fogo teve início durante o turno de trabalho, mobilizando imediatamente as equipes de emergência da capital potiguar. Segundo informações confirmadas pela equipe médica do Samu, um dos operários que trabalhava no interior da estrutura no momento do incidente ficou ferido. O trabalhador sofreu queimaduras leves nas mãos ao tentar escapar das chamas ou conter o início do fogo, sendo prontamente atendido pelos socorristas no local.

A causa do desastre foi identificada pouco tempo depois pela fiscalização da Secretaria de Infraestrutura de Natal (Seinfra). De acordo com Sueldo Medeiros, fiscal de obras do órgão, o incêndio foi desencadeado por um curto-circuito em uma máquina de solda que estava sendo operada por dois funcionários. A falha técnica gerou fagulhas em um ambiente altamente vulnerável, iniciando uma reação em cadeia que se tornou impossível de controlar manualmente.

A propagação das chamas foi extremamente veloz devido à natureza dos materiais utilizados na modelagem da imagem religiosa. O fiscal explicou que o interior da estátua continha grandes quantidades de isopor e resina, componentes químicos que possuem altíssimo grau de inflamabilidade. Assim que a primeira centelha atingiu o material, o fogo se espalhou por toda a estrutura vertical, funcionando como uma chaminé que alimentou a combustão.

O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 14h30, enviando diversas equipes de combate a incêndio e salvamento para a Zona Norte. A operação foi complexa devido à altura da estrutura e ao calor intenso gerado pelos produtos químicos em chamas. No total, cerca de 20 militares trabalharam de forma ininterrupta para cercar o fogo, evitando que as labaredas atingissem residências vizinhas ou fiações elétricas da região de Pajuçara.

Enquanto os bombeiros atuavam no resfriamento do que restou da estrutura, o isolamento da área foi garantido para evitar acidentes com curiosos que se aglomeravam no entorno. A preocupação principal, além das chamas, era o risco de desabamento da carcaça metálica que sustentava o revestimento, agora totalmente derretido e carbonizado pelo calor extremo que atingiu o núcleo da obra pública.

A construção da estátua era uma iniciativa direta da Prefeitura de Natal, que via no monumento uma oportunidade de fomentar o turismo religioso e a economia local. O projeto era ambicioso e previa que a imagem de Nossa Senhora de Fátima atingisse 35 metros de altura. Somada à base de 8 metros de sustentação, a estrutura final chegaria a 43 metros, tornando-se uma das maiores do gênero na região Nordeste.

A perda da estrutura representa um impacto significativo tanto para o cronograma da administração municipal quanto para as expectativas da comunidade católica da capital. O monumento já estava tomando forma e podia ser visto de diversos pontos do bairro, gerando um sentimento de identificação entre os moradores locais. Agora, o local abriga apenas os escombros retorcidos do que deveria ser um ponto de peregrinação.

A Seinfra deve realizar uma perícia técnica detalhada nos próximos dias para avaliar a extensão dos danos na estrutura metálica remanescente. O laudo será fundamental para determinar se a fundação e os pilares de sustentação foram comprometidos pelo calor ou se ainda podem ser aproveitados em um eventual processo de reconstrução do monumento religioso.

Até o momento, a prefeitura não divulgou o prejuízo financeiro causado pelo incêndio, nem se havia cobertura de seguro para acidentes dessa natureza durante o período de execução. O custo da obra e o tempo já investido na modelagem da resina e do isopor representam um revés orçamentário que precisará ser equacionado pela gestão municipal diante do encerramento forçado da etapa atual.

O operário ferido, embora com lesões leves, simboliza o perigo enfrentado pelos trabalhadores em obras de grande porte que envolvem materiais químicos sensíveis. O caso levanta discussões sobre os protocolos de segurança e prevenção de incêndios em canteiros de obras de monumentos, onde o uso de solda perto de materiais inflamáveis exige vigilância constante e equipamentos de contenção imediata de chamas.

O destino do projeto da estátua de Nossa Senhora de Fátima permanece incerto nas horas seguintes ao desastre. Enquanto a comunidade aguarda um posicionamento oficial sobre a retomada dos trabalhos, o bairro Pajuçara lida com o luto simbólico de ver uma obra de arte e fé ser reduzida a cinzas por uma falha técnica, deixando um vazio no horizonte da Zona Norte de Natal.

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