O jogador argentino Gianluca Prestianni foi suspenso pela UEFA após ato racista contra Vini JR

No futebol europeu, onde o grito das arquibancadas muitas vezes ecoa mais alto que as regras, a decisão da UEFA de suspender preventivamente o argentino Gianluca Prestianni marca um momento de endurecimento administrativo.

A suspensão por uma partida, que retira o atacante do Benfica do jogo decisivo contra o Real Madrid no Santiago Bernabéu nesta quarta-feira (25/02), é uma medida baseada no Artigo 14 do Regulamento Disciplinar. Não é uma condenação final, mas um reconhecimento de que as provas apresentadas possuem “fumaça de crime”.

O “E daí?” do Gesto

O incidente no Estádio da Luz, ocorrido em 18 de fevereiro, trouxe um elemento que Vinícius Júnior definiu como a assinatura da covardia: o uso da camisa para cobrir a boca.

  • A tática do silêncio visual: Ao esconder os lábios, o agressor tenta anular a leitura labial e a prova por vídeo.
  • O testemunho direto: Jogadores como Mbappé e Tchouaméni afirmaram ter ouvido os insultos, o que transforma o caso de uma “palavra contra a outra” em um testemunho coletivo de peso.
  • A paralisia histórica: O jogo ficou interrompido por cerca de 10 minutos, um tempo recorde que mostra que o protocolo antirracismo finalmente está sendo levado às últimas consequências pelos árbitros.

A Defesa do Benfica

O clube português reagiu com um argumento que mistura história e negação. Ao citar Eusébio, o maior ídolo negro do clube, o Benfica tenta blindar a instituição contra o rótulo de “racista”. No entanto, o técnico do Real Madrid, Álvaro Arbeloa, foi cirúrgico: o passado de um clube não serve de salvo-conduto para o comportamento de um atleta no presente.

A defesa de Prestianni, alegando que houve um “mal-entendido”, esbarra na agressividade do momento capturada pelas câmeras. O ceticismo aqui é vital: por que esconder a boca se o que estava sendo dito era apenas uma discussão de jogo comum?

O Que Está em Jogo

Se a investigação confirmar o crime, a suspensão mínima para Prestianni será de dez jogos. Isso seria uma mensagem clara da UEFA de que o tempo das multas simbólicas acabou.

Para Vinícius Júnior, que recebeu um cartão amarelo por comemorar o gol, o episódio é mais uma cicatriz em sua jornada de enfrentamento solitário (e agora cada vez mais apoiado) contra a discriminação na Europa.

A pergunta final que fica para a UEFA e para o futebol mundial é: estamos prontos para punir não apenas o torcedor, mas o colega de profissão que usa o racismo como arma tática dentro das quatro linhas?

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