Relatórios recentes de organismos internacionais indicam que, somente em 2026, cerca de 4 milhões de meninas estarão em risco iminente de sofrer mutilação genital feminina em diferentes partes do mundo.
As projeções são ainda mais preocupantes quando analisado o horizonte até 2030, período em que aproximadamente 27 milhões de meninas poderão ser submetidas ao mesmo procedimento, caso não haja avanço significativo nas políticas de prevenção.
A mutilação genital feminina é classificada por entidades de saúde e direitos humanos como uma grave violação da integridade física e psicológica de meninas e mulheres.
O procedimento consiste na remoção parcial ou total dos órgãos genitais externos femininos, ou em outras lesões, sem qualquer justificativa médica.
Organizações internacionais reiteram que não há benefício clínico associado à prática, sendo frequentes as complicações como dor crônica, infecções, dificuldades no parto e traumas emocionais duradouros.
Apesar da condenação global, a prática permanece presente em determinadas regiões, sustentada por tradições culturais, pressões sociais e interpretações religiosas locais.
Entre os países onde há registros significativos da prática estão o Iraque, o Egito, a Gâmbia, a Etiópia e a Indonésia.
Nessas nações, a incidência varia conforme região, grupo étnico e contexto socioeconômico, mas continua sendo motivo de preocupação para entidades internacionais.
O debate ganha dimensão diplomática pelo fato de que esses mesmos países integram o Conselho de Direitos Humanos da ONU.
O órgão é responsável por promover e proteger direitos fundamentais em âmbito global, além de analisar denúncias e recomendar medidas a Estados-membros.
A presença de países associados à prática da mutilação genital feminina no conselho gera questionamentos sobre coerência institucional e compromisso com padrões internacionais.
Especialistas em governança global observam que a eleição para o conselho segue critérios regionais e políticos, o que nem sempre reflete integralmente o histórico interno de direitos humanos.
Por outro lado, representantes diplomáticos desses países argumentam que a participação no conselho pode estimular reformas internas e ampliar o diálogo internacional.
Autoridades frequentemente sustentam que mudanças culturais exigem tempo e estratégias que respeitem contextos locais, evitando confrontos diretos que possam gerar resistência social.
Entidades da sociedade civil, entretanto, defendem que compromissos assumidos em instâncias multilaterais devem resultar em políticas concretas de erradicação da prática.
Nos últimos anos, alguns desses países anunciaram medidas legais restritivas, campanhas educativas e parcerias com organizações internacionais para reduzir os índices.
Ainda assim, a aplicação efetiva das leis e a transformação de normas sociais permanecem como desafios estruturais.
Agências especializadas continuam investindo em programas de conscientização comunitária, capacitação de profissionais de saúde e proteção a meninas em situação de risco.
A erradicação da mutilação genital feminina integra metas globais de desenvolvimento sustentável e exige coordenação entre governos, instituições multilaterais e lideranças locais.
Enquanto as projeções indicam milhões de meninas vulneráveis nos próximos anos, o debate sobre responsabilidade internacional e coerência política segue no centro das discussões diplomáticas contemporâneas.

