O depoimento do bilionário Leslie Wexner, ex-CEO da Victoria’s Secret e magnata do setor varejista, transformou-se num dos pontos de maior repercussão pública do último ciclo de investigações relacionadas ao caso do financista Jeffrey Epstein ao expor o relacionamento profissional entre o executivo e seu advogado de defesa. Durante a oitiva realizada perante o Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, no Congresso norte-americano, um trecho do depoimento ganhou ampla circulação após ser divulgado em vídeo e transcrição oficial.
Ao longo de quase cinco horas de depoimento, Wexner — de 88 anos — respondeu a uma série de perguntas sobre sua relação com Epstein, um financista condenado por crimes sexuais que manteve laços com figuras de destaque global ao longo de décadas. Em determinado momento da sessão, com as câmeras transmitindo integralmente os trabalhos, seu advogado, Michael Levy, foi captado por um microfone aberto proferindo uma frase que rapidamente viralizou nas redes sociais: “Eu vou te matar se você responder outra pergunta com mais de cinco palavras”, em tom claramente advertido ao cliente, em meio à tensão do procedimento oficial.
A fala de Levy foi capturada em um momento em que Wexner se estendia em respostas às perguntas dos legisladores, levando o defensor a interromper o bilionário com a advertência sussurrada que acabou se tornando o principal destaque midiático da audiência. O repentino momento de tensão ocupou espaço nas redes sociais e nos principais portais internacionais, sendo interpretado por muitos como um ato desesperado para conter respostas prolixas em um depoimento carregado de sensibilidade política e jurídica.
Wexner, fundador e ex-presidente da empresa proprietária da Victoria’s Secret, negou veementemente qualquer envolvimento ou conhecimento de atividades criminosas relacionadas a Jeffrey Epstein, afirmando que sua associação com o financista foi predominantemente de natureza financeira e que teria terminado há cerca de duas décadas. Sua defesa tenta distanciar o bilionário de qualquer conexão com as práticas ilícitas pelas quais Epstein foi responsabilizado em tribunais.
Durante o depoimento, o comitê legislativo procurou esclarecimentos detalhados sobre a natureza dos vínculos entre Wexner e Epstein, cujos registros públicos indicam que o financista passou anos gerenciando ativos financeiros do magnata e atuando como seu conselheiro pessoal em transações e estratégias comerciais. Essa relação complexa tem sido foco de intensas perguntas, justamente por contextualizar a presença continuada de Epstein no círculo de poder e influência de Wexner ao longo de anos.
A fala de Levy foi rapidamente tomada por repórteres e comentaristas como um exemplo do nível de estresse envolvido no interrogatório de figuras de alto perfil perante autoridades legislativas, que frequentemente se apóiam tanto em discursos cuidadosamente preparados quanto em momentos de espontaneidade que podem gerar repercussões públicas inesperadas. A advertência, embora feita em tom de brincadeira ou ironia, gerou debates sobre os limites de atuação de advogados em situações de alta pressão.
No vídeo divulgado pelo próprio comitê, a fala do advogado aparece em meio às respostas prolongadas de Wexner, numa tentativa de orientar o cliente sobre a forma de resposta mais adequada às perguntas feitas por deputados de ambos os partidos. A gravação foi publicada oficialmente pela Casa Legislativa e é acessível ao público, o que ampliou ainda mais o alcance da declaração e incentivou análises públicas sobre o significado do episódio.
Especialistas em direito e em procedimentos legislativos explicam que, embora seja improvável que a frase tenha sido proferida com intenção literal de ameaça, o fato de ter sido capturada e difundida expõe nuances da dinâmica entre cliente e advogado em ambientes formais de depoimento. A pressão por respostas precisas e controladas costuma se intensificar à medida que autoridades buscam informações claras em investigações de interesse público.
O depoimento de Wexner foi parte de um esforço mais amplo do Comitê de Supervisão para esclarecer as circunstâncias envolvendo indivíduos e instituições ligadas a Epstein, cujas redes de relacionamento e influência se estendem por diferentes setores da sociedade americana e internacional. Integrantes do Legislativo têm buscado transparência e documentação que expliquem como certas figuras públicas mantiveram contato com o financista mesmo após sua condenação.
A investigação parlamentar ocorre paralelamente a outros desdobramentos relacionados ao legado de Epstein, incluindo a divulgação de documentos legais que têm alimentado novas linhas de questionamento sobre antigos colaboradores, financiadores e associados do criminoso. Esses arquivos contribuem para uma compreensão mais ampla da magnitude e dos alcances das operações que envolveram o financista ao longo de décadas.
Outras figuras de destaque também foram recentemente associadas a investigações complementares, com detenções e depoimentos sendo realizados em diferentes países. No Reino Unido, por exemplo, autoridades policiais prenderam o ex-embaixador britânico nos EUA, Peter Mandelson, em uma investigação relacionada ao caso Epstein, em meio a alegações de conduta imprópria no exercício de seu cargo em virtude de conexões com o financista.
No mesmo contexto internacional, o ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor foi detido sob suspeita de má conduta pública, também em conexão com alegações ligadas a Epstein, o que reforça a magnitude e o impacto das investigações que atravessam fronteiras e desafiam figuras que ocuparam posições de poder e influência significativa.
O episódio envolvendo o comentário de Levy adicionou uma camada humana e informativa ao relato institucional do depoimento, mostrando que até as mais cuidadosas estratégias de comunicação jurídica podem ser afetadas por momentos de espontaneidade em ambientes de alto escrutínio público. Isso é especialmente relevante em casos que envolvem figuras empresariais de grande projeção, cuja reputação corporativa e pessoal está intensamente sob observação da opinião pública global.
Representantes dos comitês legislativos responsáveis pela condução da investigação afirmaram que a atenção dada à presença de microfones abertos e à necessidade de transparência total é uma resposta à demanda pública por maior responsabilidade institucional e prestação de contas de indivíduos que transitam entre esferas privadas e públicas de influência.
Para analistas políticos, a viralização desse trecho do depoimento ressalta um aspecto crítico das investigações modernas: a digitalização e a imediata circulação de conteúdos de encontros formais podem transformar momentos internos em manchetes globais em questão de minutos, elevando o impacto de cada palavra proferida durante audiências de alto perfil.
Diversos comentadores em mídia internacional observaram que a postura de Wexner diante das perguntas e sua insistência em negar conhecimento de atividades criminais relacionadas a Epstein pode ser vista como um esforço calculado para preservar não apenas sua reputação pessoal, mas também a da companhia que presidiu durante décadas.
Enquanto isso, profissionais jurídicos consultados por portais especializados destacam que advogados que atuam em casos de grande visibilidade muitas vezes precisam equilibrar a defesa técnica com o manejo de situações inesperadas, como a captura inadvertida de falas informais por dispositivos de gravação em ambientes institucionais.
O debate público em torno dessa declaração específica reflete não apenas o interesse intenso no caso Epstein, mas também uma reflexão mais ampla sobre a conduta de representantes legais e executivos quando expostos a perguntas detalhadas de autoridades parlamentares e judiciais.
Autoridades do comitê destacaram que, independentemente de uma ou outra fala capturada em momentos informais, o foco principal das investigações continua firmemente ancorado na busca de esclarecimentos sobre alegações de envolvimento e facilitação de práticas criminosas associadas ao caso Epstein.
Para grupos de defesa dos direitos das vítimas e organizadores civis, a divulgação completa de depoimentos como o de Wexner representa um avanço na transparência institucional e um passo importante para responsabilizar figuras de alto perfil cujas ações possam ter influenciado, direta ou indiretamente, redes criminosas que operaram por décadas.
Nas próximas semanas, espera-se que novas sessões, documentos e entrevistas complementares sejam analisados pelos legisladores, aprofundando ainda mais a compreensão pública sobre os vínculos profissionais e pessoais entre figuras influentes e Jeffrey Epstein, com o objetivo de trazer maior clareza a um caso que tem reverberado em múltiplas frentes políticas e sociais.
O episódio que incluiu a fala de Levy ilustra, de forma emblemática, o nível de atenção que casos de interesse público recebem atualmente, e como cada detalhe — mesmo apenas captado por um microfone aberto — pode se tornar catalisador de discussão e análise crítica em âmbito global.
Terminada a sessão, legisladores e especialistas ressaltaram que a prioridade permanece a de aprofundar as investigações com base em evidências documentais e depoimentos oficiais, buscando respostas que possam contribuir para a responsabilização e compreensão mais ampla de um dos maiores escândalos de abuso e exploração das últimas décadas.
