A estudante Alana Anísio Rosa, de 20 anos, que foi esfaqueada em sua própria casa no bairro Galo Branco, em São Gonçalo (RJ), apresentou sinais de melhora clínica ao começar a respirar sem a necessidade de aparelhos de ventilação mecânica, informou a família neste domingo, 22 de fevereiro.
O ataque à jovem ocorreu na noite de 6 de fevereiro e ganhou destaque em veículos de comunicação e redes sociais em todo o país. Segundo relatos de parentes, Alana foi atacada pelo suspeito Luiz Felipe Sampaio Cabral Silva, de 22 anos, após ter rejeitado avanços amorosos dele.
A vítima estava internada desde o dia do crime em um hospital particular de São Gonçalo, onde, nos primeiros dias, permaneceu em coma induzido para tratamento das graves lesões causadas pelos múltiplos golpes de faca. Durante esse período, as equipes médicas monitoraram de perto a evolução do quadro clínico, que foi considerado crítico inicialmente.
De acordo com informações divulgadas pela própria mãe da jovem, Jaderluce Anísio de Oliveira, Alana deixou a sedação e já respira por conta própria. A evolução foi comunicada pela família em mensagem publicada em uma rede social, em que Jaderluce descreveu a melhora como “uma nova batalha vencida”.
O caso teve repercussão nacional desde o início, em parte porque a jovem foi atacada dentro de sua residência, em circunstâncias que, segundo parentes, envolveram uma perseguição anterior por parte do suspeito. Luiz Felipe, conforme relatos, vinha enviando mensagens, flores e outros presentes à jovem, mesmo depois que ela deixou claro que não tinha interesse em iniciar um relacionamento.
Segundo familiares, o agressor não tinha qualquer vínculo afetivo com Alana antes do episódio e a conheceu apenas de vista, em uma academia frequentada por ambos. Informações sobre o histórico de aproximação insistente indicam que ele teria passado meses tentando se aproximar dela antes do ataque.
No momento da agressão, a mãe de Alana relatou ter ouvido gritos vindos de dentro da casa e encontrado a filha ferida. Ao intervir, ela conseguiu expulsar o suspeito do imóvel e acionou imediatamente a Polícia Militar, que chegou ao local em seguida.
O suspeito foi detido em flagrante por policiais do 1º BPM ainda nas proximidades da residência e posteriormente conduzido à 73ª Delegacia de Polícia, onde foi autuado por tentativa de feminicídio.
Autoridades policiais e do Ministério Público também acompanharam o caso, com a denúncia formal do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro contra o suspeito por tentativa de feminicídio, por considerar que o crime foi motivado pela condição de gênero da vítima e pelo desrespeito à sua autonomia de decisão.
A denúncia ajuizada pelo MPRJ afirma que o investigado agiu “com sentimento de superioridade” e que a ação contra a vítima foi motivada pelo fato de ela não corresponder às suas investidas. Também foi apontado no documento que o agressor teria se ocultado antes de surpreender a jovem dentro de casa.
De acordo com laudos e depoimentos, Alana sofreu múltiplos ferimentos, incluindo cortes no rosto, pescoço e outras partes do corpo. Os médicos que a atenderam analisaram a necessidade de traqueostomia e outras intervenções cirúrgicas para estabilizar seu estado nos dias seguintes ao ataque.
Mesmo com a melhora nos sinais vitais, a família observou que a jovem ainda enfrenta desafios no processo de recuperação, incluindo limitações temporárias na fala e a necessidade de novos acompanhamentos médicos para avaliar possíveis sequelas.
O episódio reacendeu debates sobre violência de gênero e segurança em ambientes comuns, como academias e residências, especialmente quando sinais de perseguição ou comportamento obsessivo não são prontamente reconhecidos ou tratados.
Grupos de apoio e especialistas em violência doméstica e de gênero ressaltam que situações em que investidas românticas não correspondidas evoluem para atos de violência extrema destacam a importância de mecanismos de proteção e denúncia mais eficazes.
A família de Alana continua atualizando seguidores e apoiadores sobre o estado de saúde da jovem por meio das redes sociais, onde também busca apoio para a continuidade do tratamento e por justiça no caso.
O tratamento de Alana, além de envolver cuidados intensivos no hospital, inclui suporte psicológico e fisioterapêutico para ajudar na recuperação física e emocional após o trauma do ataque.
Defensores dos direitos das mulheres apontam que casos como o de Alana ilustram a necessidade de reforço às políticas públicas de prevenção à violência, incluindo a educação sobre consentimento e respeito às decisões pessoais.
A prisão do suspeito foi convertida em preventiva pela Justiça, a fim de garantir que o processo continue com ele detido, enquanto são coletadas mais provas e testemunhos para instruir a ação penal.
Autoridades judiciais ainda não tornaram pública a defesa de Luiz Felipe Sampaio Cabral Silva, e o processo tramita com sigilo em parte para preservar dados sensíveis do inquérito e da vítima.
Enquanto isso, a comunidade de São Gonçalo e internautas de todo o país acompanharam a sequência de eventos desde o ataque até o anúncio da melhora respiratória de Alana, reagindo com mensagens de solidariedade e pedidos por justiça.
O caso segue sob investigação e poderá resultar em júri popular, conforme pedido feito pelo Ministério Público no âmbito da denúncia apresentada contra o suspeito.
Aos familiares e aos profissionais de saúde envolvidos, a prioridade permanece ser a recuperação plena de Alana, com foco na reabilitação física e emocional após o ataque violento.

