De acordo com os dados apresentados, 84,8% dos entrevistados pertencentes à Geração Z afirmaram não se identificar ou não gostar do Carnaval. O índice é consideravelmente superior à média observada entre as demais faixas etárias, que registrou 50,7%.
O resultado chama atenção por envolver uma geração frequentemente associada à intensa presença digital e à transformação de hábitos culturais. A pesquisa sugere que, no caso do Carnaval, esse grupo demonstra menor vínculo com tradições consolidadas no imaginário brasileiro.
O levantamento indica que a baixa identificação cultural com a celebração é uma das principais razões apontadas pelos jovens. Parte dos entrevistados afirmou não se reconhecer nos símbolos e dinâmicas que caracterizam a festividade.
Outro fator relevante destacado pela pesquisa é a preferência por utilizar o período de feriado para descanso. Em vez de participar de blocos de rua ou eventos festivos, muitos jovens optam por momentos de tranquilidade ou atividades alternativas.
Apenas 11% dos integrantes da Geração Z ainda associam o Carnaval diretamente à folia tradicional. Esse percentual reduzido reforça a percepção de mudança no modo como a data é interpretada por essa parcela da população.
Entre as motivações citadas, 48% afirmaram preferir aproveitar o feriado para relaxar. O dado evidencia que, para quase metade dos jovens ouvidos, o período é encarado como oportunidade de pausa na rotina, e não como convite à celebração.
A rejeição à música característica da festa também foi mencionada como motivo de afastamento. Para alguns entrevistados, os estilos predominantes durante o Carnaval não despertam interesse ou identificação.
O desconforto com grandes multidões aparece como outro elemento que contribui para a menor adesão. Eventos com alta concentração de pessoas, comuns em blocos e desfiles, são apontados como fator de incômodo.
O contraste geracional torna-se evidente quando comparados os índices de interesse. Enquanto outras faixas etárias apresentam divisão mais equilibrada quanto à apreciação da festa, a Geração Z demonstra posição majoritariamente desfavorável.
Especialistas em comportamento apontam que transformações sociais e tecnológicas podem influenciar essa mudança de postura. A ampliação de opções de lazer e entretenimento fora do circuito tradicional tende a diversificar as escolhas durante feriados prolongados.
A pesquisa da AtlasIntel reforça uma tendência de individualização nas formas de consumo cultural. Em vez de aderir a eventos coletivos de grande escala, parte dos jovens prefere experiências mais personalizadas.
O Carnaval, historicamente associado à expressão cultural, à música e à ocupação dos espaços públicos, permanece como um dos principais símbolos da identidade nacional. No entanto, os dados indicam que essa representação não mobiliza com a mesma intensidade todas as gerações.
O distanciamento apontado pelo levantamento não significa necessariamente rejeição completa à cultura brasileira. Para muitos jovens, a preferência por outras formas de lazer reflete mudança de prioridades e estilo de vida.
O cenário também pode estar relacionado à busca por equilíbrio entre rotina acadêmica, trabalho e descanso. O feriado surge, nesse contexto, como oportunidade estratégica para recuperação física e mental.
Ainda que o Carnaval mantenha forte impacto econômico e turístico em diversas regiões do país, a pesquisa evidencia que a adesão simbólica à festa varia conforme o recorte etário analisado.
O percentual de 84,8% registrado entre os jovens representa um dado expressivo no debate sobre transformações culturais contemporâneas. A diferença em relação à média geral de 50,7% reforça a singularidade do comportamento da Geração Z.
Ao mesmo tempo, a presença de 11% que ainda associam a data à folia demonstra que a tradição segue viva, embora em menor escala dentro desse grupo específico.
Os resultados apontam para um possível redesenho da relação entre juventude e festividades populares no Brasil. A maneira como cada geração ressignifica eventos tradicionais revela dinâmicas sociais em constante evolução.
Com base nos dados apresentados pela AtlasIntel, o Carnaval permanece relevante no cenário nacional, mas enfrenta desafios para manter o mesmo nível de identificação entre os mais jovens. O levantamento contribui para ampliar o debate sobre mudanças culturais e comportamentais no país.

