Levantamento recente sobre o comportamento de contas na rede social X apontou indícios de atividade automatizada em publicações relacionadas ao presidente Lula durante o período do Carnaval, após a repercussão negativa envolvendo o desfile de uma escola de samba ligada ao tema.
A análise examinou o fluxo de mensagens, compartilhamentos e padrões de engajamento digital registrados em poucos dias, identificando sinais considerados fora do padrão esperado para mobilização espontânea de usuários comuns.
Segundo o estudo, houve crescimento abrupto no volume de postagens com conteúdo favorável ao governo federal e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente depois das críticas direcionadas ao desfile da Acadêmicos de Niterói.
A Acadêmicos de Niterói foi alvo de controvérsia por suposto recebimento de recursos para “homenagear” o presidente da República, o que gerou debate político e repercussão intensa nas redes.
O monitoramento foi conduzido pela empresa de inteligência digital Brandwatch, especializada em rastrear tendências, padrões de engajamento e comportamento coordenado em ambientes online.
De acordo com os analistas, o conjunto de indicadores observados não corresponde ao comportamento orgânico típico de grandes audiências, sugerindo possível coordenação ou uso de automação parcial na amplificação das mensagens.
Entre os fatores destacados estão a predominância de retuítes sobre conteúdos originais e a baixa diversidade de autoria, descrita no relatório como “número pequeno de pessoas multiplicado artificialmente”.
Também foram identificadas rajadas de atividade concentrada em janelas curtas de tempo, com picos súbitos de publicações repetindo argumentos semelhantes e linhas narrativas alinhadas.
Outro elemento apontado foi o foco temático estreito, definido como “monotematização”, com mensagens centradas quase exclusivamente em Lula e no Carnaval, sem variação relevante de assunto.
O relatório indica que esse tipo de comportamento é compatível com campanhas de reforço de narrativa, cujo objetivo é ampliar visibilidade e influenciar a percepção de volume de apoio.
A investigação menciona que a mobilização artificial pode ter partido de setores ligados ao governo, com a finalidade de conter desgaste de imagem e reduzir impactos políticos do episódio.
O desfile realizado no sábado (15) de Carnaval funcionou como gatilho para o aumento do tráfego digital, especialmente em publicações classificadas como “em defesa” de Lula.
Os registros analisados mostram que o crescimento das mensagens ocorreu de forma concentrada e acelerada, destoando de curvas normais de engajamento distribuído ao longo do tempo.
Os dados foram divulgados também pelo perfil É o Mundo, que descreveu o movimento como detentor de padrões “inorgânicos” de propagação.
No detalhamento técnico, um dos perfis mais ativos identificados foi Warley_Lopes, responsável por 5.969 publicações no intervalo analisado, com momentos próximos de 400 postagens por hora.
Outras contas exibiram comportamento semelhante, com volumes superiores a 3.000 mensagens no mesmo período, reforçando a hipótese de atividade não convencional.
No recorte dos mil perfis mais atuantes, o total agregado ultrapassou 200 mil postagens em quatro dias, número considerado elevado para um debate temático específico.
Especialistas em redes sociais explicam que padrões como repetição massiva, baixa originalidade e sincronia de horário costumam ser utilizados como indicadores de automação ou coordenação centralizada.
Procurados em situações semelhantes, governos e plataformas geralmente afirmam que combatem manipulação digital, mas a confirmação depende de auditorias independentes e acesso a dados internos.
O caso reacende a discussão sobre transparência, uso de robôs e influência artificial no debate público online, especialmente em momentos de alta sensibilidade política e grande audiência social.

