Dinamarca compra 100 mísseis dos EUA para defender a Groenlândia dos EUA

A Dinamarca confirmou a compra de até 100 mísseis dos Estados Unidos como parte de um esforço mais amplo para reforçar sua capacidade de defesa, especialmente na região do Ártico, onde a Groenlândia — território semiautônomo sob soberania dinamarquesa — tem sido foco de tensões geopolíticas crescentes.

O governo dinamarquês obteve nesta temporada a aprovação do Departamento de Estado dos EUA para uma venda militar estrangeira avaliada em cerca de 45 milhões de dólares, que inclui mísseis AGM-114R Hellfire e equipamentos associados como lançadores e veículos de transporte e manuseio.

Os Hellfire são mísseis táticos de curto alcance guiados por laser que originalmente foram concebidos para uso em helicópteros, mas podem ser integrados a plataformas terrestres, marítimas ou até não tripuladas.

Segundo o anúncio oficial, a aquisição inclui não apenas os mísseis, mas também treinamento, documentação técnica e suporte logístico necessário para tornar o sistema operacional na força armada dinamarquesa.

Embora a compra de armamentos entre países aliados da OTAN seja uma prática comum, neste caso ela ocorre num momento de tensão nas relações entre Copenhague e Washington, em grande parte devido a declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Groenlândia.

Recentemente, Trump reiterou que os Estados Unidos veem a Groenlândia como um importante ponto estratégico para defesa e poder global, e chegou a dizer que Washington deveria negociar a compra da ilha, algo que foi rejeitado com veemência pelos líderes dinamarqueses e groenlandeses.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou em fóruns internacionais que a soberania da Groenlândia não pode ser “precificada” e que a autodeterminação do povo local deve ser respeitada.

A posição do governo dinamarquês foi destacada como firme, tanto em relação à manutenção dos direitos territoriais quanto à necessidade de fortalecer a defesa, incluindo equipamentos modernos e interoperáveis com outras forças aliadas.

Especialistas em defesa explicam que a compra dos mísseis Hellfire também se insere numa estratégia mais ampla de responder a ameaças percebidas, incluindo a necessidade de deter possíveis agressões no Ártico e de contribuir com operações internacionais da OTAN.

Além dessa aquisição específica, a Dinamarca tem embarcado em um programa significativo de investimentos em defesa que envolve sistemas de mísseis de curto e médio alcance, radar avançado e outras capacidades aéreas e navais.

O contexto regional foi turbinado por debates intensos sobre a relevância estratégica da Groenlândia, cuja localização geográfica torna a ilha um ponto-chave para monitoramento de tráfego marítimo e comunicações militares entre Europa e América do Norte.

Desde a assinatura de um acordo de cooperação militar entre a Dinamarca e os Estados Unidos no pós-Segunda Guerra Mundial, os EUA mantêm presença militar no território via bases como a de Pituffik, que desempenham papel central no sistema de alerta de mísseis balísticos.

Nos últimos meses, a Groenlândia também tem sido palco de exercícios militares conjuntos com outros países da OTAN, destinados a sinalizar capacidade de resposta e dissuasão diante de quaisquer riscos à segurança regional.

O ministério da Defesa da Dinamarca argumenta que a modernização e diversificação de seu arsenal criam maior capacidade para proteger tanto o território continental quanto seus territórios ultramarinos, incluindo a ilha ártica.

Por outro lado, críticos da estratégia destacam que depender de equipamentos norte-americanos tende a reforçar laços militares existentes, mas também pode limitar a autonomia em decisões de segurança.

A questão da Groenlândia ganhou ainda maior relevância após declarações públicas controversas de líderes nos Estados Unidos, que não descartaram medidas econômicas e diplomáticas para pressionar aliados europeus a reconsiderarem posições estratégicas. (Correio Braziliense)

O primeiro-ministro groenlandês chegou a afirmar que uma invasão militar completa — embora improvável — “não pode ser descartada” completamente diante de pressões intensas, o que elevou o debate sobre preparação defensiva.

Líderes europeus e da OTAN, em diferentes fóruns, destacaram a importância de respeitar o direito internacional e a soberania de Estados e territórios, sublinhando que a segurança coletiva deve ser preservada sem violar princípios fundamentais.

A compra dos mísseis Hellfire, nesse quadro, é vista como parte de uma resposta diplomática e militar às incertezas geopolíticas, buscando equipar a Dinamarca com meios capazes de atuar em conjunto com aliados em cenários complexos.

Analistas afirmam que essas aquisições poderão alterar, em pequena escala, o equilíbrio de capacidades na região e servir de mensagem clara de que a Dinamarca está reforçando sua dissuasão sem abrir mão de cooperação atlântica.

A operação final de integração desses sistemas e o cronograma de treinamento devem ser conduzidos ao longo dos próximos meses, conforme autoridades militares dinamarquesas definirem os detalhes operacionais da aquisição.

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