A Polícia Federal realizou uma operação na última quinta-feira (5/2) que culminou na prisão temporária de um médico pediatra investigado por suspeitas de abuso sexual infantil. A ação ocorreu no estado do Rio de Janeiro e mobilizou agentes especializados no combate a crimes contra crianças e adolescentes.
O investigado foi identificado como Welton Tavares de Faria, de 27 anos. Segundo as autoridades, ele atuava simultaneamente em unidades da rede pública e também em clínicas particulares, o que ampliava seu acesso a pacientes em diferentes contextos sociais.
As investigações apontam que o médico atendia nas cidades de Angra dos Reis e Rio Claro, ambas localizadas na região Sul Fluminense. A atuação em múltiplos locais teria sido um dos fatores que chamaram a atenção dos investigadores durante a apuração inicial.
De acordo com a Polícia Federal, a operação foi denominada Operação Classificação de Risco, em referência aos procedimentos médicos utilizados para triagem de pacientes. O nome faz alusão ao contexto profissional do suspeito e ao ambiente em que os crimes teriam ocorrido.
A prisão temporária foi autorizada pela Justiça após a apresentação de indícios considerados suficientes para aprofundar as investigações. Esse tipo de medida permite que a polícia reúna mais provas enquanto o suspeito permanece detido por prazo determinado.
As autoridades informaram que a apuração começou após denúncias encaminhadas por familiares de pacientes. Os relatos apontavam comportamentos inadequados durante consultas médicas, o que levou à abertura de um inquérito específico para o caso.
Durante a operação, foram cumpridos mandados judiciais que incluíram buscas em endereços ligados ao investigado. Equipamentos eletrônicos e documentos foram apreendidos e serão submetidos à análise pericial para verificar a existência de material ilícito.
A Polícia Federal destacou que a investigação segue sob sigilo para preservar as vítimas e garantir a integridade das provas coletadas. Informações adicionais só deverão ser divulgadas após a conclusão das etapas mais sensíveis do processo.
Especialistas ouvidos informalmente pela reportagem ressaltam a gravidade de crimes dessa natureza, sobretudo quando cometidos por profissionais de saúde. A relação de confiança entre médico, paciente e família é um elemento central no atendimento pediátrico.
O caso provocou preocupação entre moradores das cidades onde o médico atuava. Pais e responsáveis buscaram esclarecimentos junto às unidades de saúde para entender se seus filhos haviam sido atendidos pelo profissional investigado.
As prefeituras locais informaram que estão colaborando com as autoridades federais e disponibilizando dados administrativos necessários para a investigação. Também foram reforçados protocolos internos de proteção a pacientes.
Na rede privada, clínicas onde o pediatra prestava serviço anunciaram o afastamento imediato do profissional após a divulgação da operação. Algumas instituições iniciaram auditorias internas para verificar eventuais falhas de supervisão.
Juristas explicam que, se confirmadas as acusações, o médico poderá responder por crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Código Penal. As penas podem ser agravadas pelo fato de envolver abuso de função profissional.
Entidades de defesa da infância destacaram a importância da denúncia para a proteção de possíveis vítimas. Segundo essas organizações, casos semelhantes muitas vezes permanecem ocultos por medo ou falta de informação das famílias.
A Polícia Federal orienta que qualquer pessoa que possua informações relevantes procure os canais oficiais de denúncia. O sigilo é garantido, e os dados podem contribuir para a identificação de outras possíveis vítimas.
O Conselho Regional de Medicina foi notificado sobre a prisão e poderá instaurar procedimento administrativo paralelo. Dependendo do resultado, o profissional pode sofrer sanções que vão desde advertência até cassação do registro.
Autoridades ressaltam que a investigação ainda está em fase inicial e que o suspeito tem direito à ampla defesa. O processo seguirá os trâmites legais até que haja uma decisão judicial definitiva sobre o caso.
Enquanto isso, equipes especializadas prestam apoio psicológico às famílias que procuraram as autoridades. O objetivo é minimizar impactos emocionais decorrentes das denúncias e incentivar o acompanhamento adequado das crianças.
O episódio reacendeu o debate sobre mecanismos de controle e fiscalização em ambientes de atendimento infantil. Especialistas defendem protocolos mais rigorosos para prevenir situações de abuso em consultórios e hospitais.
A Polícia Federal informou que novas diligências poderão ser realizadas nos próximos dias. O andamento da Operação Classificação de Risco dependerá da análise do material apreendido e de eventuais novos depoimentos colhidos.

