Nikolas convoca manifestação pelo impeachment de Toffoli, Moraes e Lula na Paulista

O deputado federal Nikolas Ferreira anunciou nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, a convocação de uma manifestação pública marcada para o dia 1º de março de 2026, na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), com início previsto para as 14h.

O protesto, denominado “Acorda, Brasil”, foi divulgado pelo parlamentar em suas redes sociais e pretende reunir apoiadores em um ato que, segundo ele, pede a abertura de processos de impeachment contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ambos do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com a publicação de Nikolas Ferreira nas plataformas digitais, o ato faz parte de um chamado mais amplo para mobilizações em “todo o Brasil”, ainda que locais e horários em outras cidades não tenham sido detalhados pelo parlamentar até o momento.

A convocação ocorre em um contexto de forte debate político sobre a mudança de relatoria do chamado caso Master no STF, cuja tutela foi retirada de Toffoli e remetida ao ministro André Mendonça, gerando críticas e reações em diversos setores.

O caso envolve alegações de possíveis vínculos entre magistrados e o Banco Master, investigado por supostas fraudes bancárias significativas, fato que tem alimentado a insatisfação de representantes de oposição e grupos críticos ao governo federal e ao Judiciário.

Em suas declarações oficiais, Ferreira argumentou que os atores públicos alvos do protesto têm “traído a nação”, afirmando que medidas de impeachment são necessárias para “pacificar o país” e combater aquilo que ele classificou como impunidade e corrupção.

Apesar do teor inflamado das convocatórias, aliados e interlocutores políticos divergem quanto à interpretação e eficácia de um pedido de impeachment contra membros de um Poder independente, como o Supremo Constitucional. A tramitação de tais pedidos no Congresso Nacional depende de critérios regimentais específicos e de apreciação por instâncias superiores do Legislativo.

O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que a redistribuição da relatoria no caso Master para Mendonça pode oferecer uma oportunidade para conduzir o processo com rigor jurídico e respeito à Constituição, indicando divergências dentro da base aliada em relação às estratégias adotadas.

Por outro lado, parlamentares como Carlos Jordy (PL-RJ) defenderam a continuidade de mobilizações políticas e institucionais, incluindo a eventual instalação de comissões parlamentares de inquérito (CPMIs), como forma de aprofundar o escrutínio sobre os fatos associados ao Banco Master.

Além da capital paulista, há registros de que atos semelhantes foram planejados em outras capitais brasileiras no mesmo dia, incluindo Belo Horizonte e Porto Alegre, ainda que detalhes sobre organização, segurança e adesão popular não tenham sido amplamente divulgados por seus idealizadores.

O STF, por meio de nota conjunta em outro momento, defendeu a atuação de Toffoli no caso e reforçou a necessidade de independência judicial, afirmando que os procedimentos adotados se alinhavam às normas legais e às atribuições constitucionais da Corte.

A decisão de Toffoli de deixar a relatoria do inquérito foi comunicada após reunião de todos os ministros, presidida pelo ministro Edson Fachin, em um movimento institucional que busca preservar a imagem de imparcialidade da Suprema Corte diante de pressões externas.

O deputado Nikolas Ferreira também tem feito pronunciamentos em apoio à ideia de impeachment em outras ocasiões, inclusive criticando o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, por suposta relutância em pautar pedidos de afastamento de ministros do STF.

A movimentação política, que transita entre manifestações de rua e articulações institucionais, traz à tona questionamentos sobre o equilíbrio entre o direito à livre expressão e os mecanismos legais para responsabilização de autoridades públicas, em um momento de elevada polarização no cenário nacional.

Especialistas em Direito Constitucional ouvidos por veículos de imprensa indicam que a abertura de processo de impeachment contra ministros do STF é um procedimento raro e complexo, que envolve rito próprio no Senado e respaldo de ampla base parlamentar — condições que nem sempre estão presentes em situações de conflito político.

A manifestação prevista para a Paulista, por sua localização estratégica e simbólica, costuma atrair grande atenção da mídia e de grupos políticos de diferentes espectros, o que pode influenciar não apenas o fluxo de apoiadores, mas também a cobertura jornalística e a percepção pública sobre o evento.

Organizadores independentes ainda debatem aspectos logísticos, como infraestrutura, segurança, autorizações junto às autoridades municipais e a possível participação de grupos sociais diversos, sem que uma coordenação centralizada tenha sido oficialmente constituída até o momento.

Analistas de conjuntura política observam que manifestações desse tipo podem ser tanto um termômetro da insatisfação popular quanto um fator de pressão sobre instituições públicas, embora seus efeitos práticos sobre decisões legislativas ou judiciais sejam historicamente variáveis e dependam de fatores além do próprio protesto.

Enquanto a data de 1º de março se aproxima, diferentes setores da sociedade acompanham a disseminação de convites ao protesto em plataformas digitais, assim como debates sobre liberdade de expressão, limites do ativismo político e o papel de cada Poder da República diante de acusações e investigações de grande repercussão.

A expectativa dos organizadores é que a manifestação na Avenida Paulista marque um dos maiores atos políticos do início de 2026 no país, reforçando a presença de posições críticas ao governo federal e ao Judiciário, com possíveis reflexos na agenda pública e no debate institucional nas semanas seguintes.

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