Um menino de 11 anos permanece sob cuidados médicos após sofrer complicações de saúde em decorrência de ter ingerido lagartixas fritas, preparadas por familiares enquanto estava sob sua guarda. O episódio aconteceu no município de Formosa, no interior de Goiás, e tem gerado repercussão e questionamentos sobre os riscos à saúde e a responsabilidade de adultos em situações envolvendo crianças.
O caso começou no início de novembro, quando o garoto passou o fim de semana na casa do pai. Segundo a mãe da criança, Raquel de Souza, ele estava com o pai, a madrasta e a mãe dela durante o período em que o pai saiu para trabalhar.
Enquanto brincava na casa, o menino demonstrou curiosidade por um réptil que encontrou no local. De acordo com relatos, a madrasta e a sogra disseram a ele que antigamente as pessoas comiam lagartixas à falta de alimentos e que isso não acarretava problemas.
Movido por essa explicação, o garoto teria aceitado o “desafio” de caçar os animais. Ao todo, ele capturou quatro lagartixas que, segundo a versão apresentada pela família, foram limpas, temperadas e fritas antes de serem servidas a ele.
Logo após a ingestão dos animais, o menino começou a apresentar sinais de mal-estar. Nas horas seguintes, passou a sentir dor abdominal, fraqueza, vômitos e diarreia, segundo a mãe, que foi comunicada posteriormente sobre o ocorrido.
A mãe relatou que o filho foi inicialmente levado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde recebeu atendimento básico e foi liberado, embora os sintomas não tenham cessado.
Na sequência, o quadro de saúde da criança piorou, e ele teve de ser encaminhado a um hospital público em Formosa, onde foi diagnosticado com uma infecção intestinal grave, atribuída à ingestão dos animais.
As infecções intestinais podem ser causadas por diversos microrganismos presentes em animais selvagens ou em alimentos contaminados, o que reforça a necessidade de se evitar o consumo de espécies que não fazem parte da alimentação humana.
A criança ficou internada por três dias no hospital, recebendo tratamento para controlar os sintomas e a infecção. Depois de receber alta, porém, os sinais de mal-estar persistiram, de acordo com a mãe.
Conforme relatos de Raquel, o menino continuou a apresentar diarreia contínua, dores de cabeça, fraqueza e dificuldade para se alimentar, o que indica que a recuperação não foi completa mesmo após o tratamento inicial.
Na semana seguinte à alta hospitalar, a criança precisou retornar à UPA por causa do agravamento dos sintomas. A equipe médica procedeu a novos exames e reafirmou a necessidade de acompanhamento clínico mais detalhado.
A mãe tem descrito o episódio como um “pesadelo” e declarou que quer que os responsáveis respondam pelos efeitos à saúde do filho, conforme relatos em redes sociais e entrevistas.
Investigações sobre o caso foram iniciadas por policiais civis da 1ª Delegacia de Polícia de Formosa, que apuram se houve indução ou negligência. O registro de um boletim de ocorrência foi confirmado pela família.
Em depoimentos à polícia, a madrasta e a sogra do menino afirmaram que não tinham a intenção de causar dano e que prepararam o prato de forma caseira, sem intenção de causar qualquer mal ao menor.
O delegado envolvido no caso tem investigado a situação para entender se houve dolo (intenção) ou omissão por parte dos adultos presentes quando a ingestão do alimento ocorreu.
O caso também levanta questionamentos sobre os cuidados com a alimentação de crianças e a importância de supervisionar situações em que elas podem ser expostas a práticas inadequadas ou potencialmente perigosas.
Especialistas em saúde pública ressaltam que a ingestão de animais silvestres pode trazer riscos sanitários significativos, incluindo transmissão de bactérias, parasitas ou toxinas que o organismo humano não está preparado para processar.
Autoridades médicas apontam que répteis, como lagartixas, podem carregar microrganismos patogênicos na pele e nos intestinos, o que representa risco quando ingeridos sem preparo adequado ou em contextos não culinários.
A família do garoto tem mantido contato constante com profissionais de saúde, buscando monitorar a evolução do quadro clínico e garantir que ele receba tratamento contínuo para sequências de sintomas, como desidratação e distúrbios gastrointestinais.
O episódio também gerou alertas entre moradores e usuários de redes sociais, com muitas pessoas destacando a necessidade de cautela ao introduzir alimentos ou práticas alimentares incomuns sem orientação profissional.
Até o momento, não há informações oficiais sobre eventuais medidas legais tomadas contra os responsáveis pela comida servida ao menino, e a investigação segue em curso junto às autoridades competentes.
Famílias e especialistas consultados nas reportagens têm reforçado que a principal prioridade agora é a recuperação plena do garoto, com foco em sua saúde física e bem-estar geral após o episódio de saúde que ele enfrenta desde a ingestão das lagartixas fritas.
