O Conselho Federal de Medicina (CFM) estuda medidas para impedir que mais de 13 mil estudantes de Medicina obtenham registro profissional, mesmo após a conclusão do curso e com diploma em mãos.
A proposta surge após os resultados do Enamed, exame nacional que avalia a formação médica no país, apontarem desempenho considerado insuficiente em quase um terço dos formandos avaliados.
Segundo o levantamento, dos 351 cursos de Medicina analisados, 107 ficaram na faixa classificada como insatisfatória, acendendo um alerta sobre a qualidade da formação oferecida.
Para o CFM, o cenário representa um risco direto à população. “São mais de 13 mil graduados que podem atender a população sem competências mínimas. Isso é assustador”, afirmou o presidente da entidade, José Hiran Gallo.
Diante do quadro, o conselho defende a criação do Profimed, um exame nacional de proficiência para médicos, nos moldes do exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Enamed, reconheceu inconsistências na divulgação dos resultados às instituições de ensino.
Houve divergência entre a nota técnica oficial, que fixava o corte em 60 pontos, e o sistema e-MEC, que considerou o limite de 58 pontos.
Essa diferença acabou rebaixando o conceito de diversas faculdades, que esperavam alcançar nota 3, mas ficaram com conceito 2.
Instituições nessa faixa podem sofrer sanções, como suspensão de novas vagas, bloqueio do Fies e outras medidas administrativas por parte do Ministério da Educação.
O Inep informou, no entanto, que os estudantes não foram prejudicados individualmente pelos problemas na divulgação dos dados.
No Rio Grande do Norte, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) obteve nota máxima, conceito 5, seguida por UERN, Ufersa e UnP, com conceito 4.
Já a Facene, de Mossoró, recebeu nota 2 e passou a integrar a lista de alerta do MEC, reforçando o debate sobre a expansão acelerada e desqualificada de cursos de Medicina no país.

