Mãe solteira vai retirar o DIU e acaba com duas pernas amputadas

Um episódio ocorrido no México reacendeu o debate sobre segurança assistencial, qualidade do atendimento hospitalar e responsabilidade do sistema público de saúde em procedimentos ginecológicos considerados de rotina.

O caso envolve uma mãe solteira que buscou atendimento médico para retirar um dispositivo intrauterino e acabou enfrentando consequências graves e irreversíveis.

A ocorrência ganhou repercussão após investigações oficiais apontarem falhas no acompanhamento clínico e na condução do procedimento, transformando uma intervenção simples em um quadro de emergência médica.

Especialistas avaliam que situações semelhantes expõem fragilidades estruturais no atendimento a mulheres.Em setembro de 2018, Vanessa Dib procurou atendimento no Instituto Mexicano do Seguro Social, conhecido pela sigla IMSS.

A paciente relatava desconforto após perceber que o DIU estava deslocado, motivo pelo qual solicitou a retirada do método contraceptivo.De acordo com registros do caso, a remoção foi realizada na rede pública.

O procedimento, posteriormente descrito como um “procedimento errôneo”, teria ocorrido sem os cuidados técnicos adequados e sem o monitoramento necessário no período pós-operatório.Horas depois, Vanessa passou a apresentar sintomas compatíveis com infecção, incluindo febre alta, dor intensa e mal-estar generalizado. A condição evoluiu rapidamente, exigindo novos atendimentos médicos e sucessivas avaliações clínicas.

O quadro se agravou em pouco tempo e resultou em uma infecção sistêmica. Médicos identificaram sinais de sepse, complicação potencialmente fatal que ocorre quando o organismo reage de forma descontrolada a uma infecção.A sepse levou a um choque séptico, estágio ainda mais crítico caracterizado por falência de órgãos e queda acentuada da pressão arterial.

Nessas circunstâncias, cada minuto de atraso no tratamento pode comprometer a sobrevivência do paciente.Com a circulação sanguínea prejudicada, partes do corpo começaram a sofrer necrose por falta de oxigenação. Para conter a progressão do dano e preservar a vida da paciente, a equipe médica indicou medidas cirúrgicas extremas.Vanessa Dib precisou passar pela amputação das duas pernas.

A decisão, segundo relatos médicos, foi considerada a única alternativa possível diante do comprometimento severo dos tecidos.Além das amputações, ela também foi submetida à retirada do útero e de um ovário. As cirurgias múltiplas representaram não apenas impactos físicos permanentes, mas também profundas consequências emocionais e reprodutivas.

O caso mobilizou familiares, organizações civis e defensores dos direitos humanos. Questionamentos surgiram sobre a qualidade da assistência prestada e sobre a demora na identificação das complicacões infecciosas.Diante das denúncias, a Comissão Nacional de Direitos Humanos do México iniciou apuração formal.

O órgão avaliou prontuários, ouviu profissionais de saúde e analisou protocolos adotados pelas unidades envolvidas.A investigação concluiu que houve atendimento subpadrão em duas unidades do IMSS. Entre os problemas apontados estariam falhas de diagnóstico, acompanhamento inadequado e ausência de respostas rápidas ao agravamento clínico.Segundo a comissão, o conjunto de omissões contribuiu diretamente para a evolução do quadro.

O relatório classificou a assistência como insuficiente para garantir a segurança e a integridade da paciente.Especialistas em saúde pública destacam que a retirada de um DIU é, em regra, um procedimento simples e ambulatorial, com baixo risco de complicações quando realizado dentro de protocolos adequados.Por esse motivo, o episódio gerou ainda mais preocupação entre entidades médicas.

Para elas, o desfecho indica possíveis falhas sistêmicas, como sobrecarga de unidades, carência de recursos e deficiência na capacitação profissional.O debate também alcançou a esfera jurídica. Casos de erro médico ou negligência podem resultar em responsabilização administrativa e indenizações, além de mudanças obrigatórias nos padrões de atendimento.

Paralelamente, outras ocorrências envolvendo amputações de mulheres no Brasil surgiram em pesquisas relacionadas, como episódios de violência urbana e agressões por ex-parceiros. No entanto, esses registros têm natureza distinta e não se conectam ao procedimento ginecológico.Assim, o relato específico de “retirar o DIU e amputar as pernas” corresponde exclusivamente ao caso de Vanessa Dib no México, tornando-se referência emblemática quando se discute segurança hospitalar em intervenções contraceptivas.

Hoje, o episódio segue citado por organizações de direitos humanos como alerta sobre a importância de protocolos rigorosos, acompanhamento pós-procedimento e fiscalização contínua dos serviços de saúde, reforçando a necessidade de garantir atendimento digno e seguro a todas as mulheres.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Peninha causa polêmica ao afirmar que evangélicos não deveriam votar

Ana Thaís Matos critica ensaio de Virginia com referência a Vini Jr.