A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal um pedido formal para modificar aspectos do regime de custódia do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente detido em uma unidade prisional da corporação, conhecida informalmente como “Papudinha”, em Brasília.
O requerimento foi direcionado ao ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos que envolvem o ex-chefe do Executivo no STF. A solicitação trata de ajustes operacionais considerados necessários pela PMDF para garantir segurança, organização interna e cumprimento de recomendações médicas.
Entre os pontos apresentados está a proposta de alteração no dia destinado às visitas. Atualmente previstas para as quintas-feiras, as visitas passariam a ocorrer aos sábados, conforme sugestão da corporação.
Segundo a PMDF, os dias úteis concentram maior circulação de servidores, advogados e visitantes, além de coincidirem com a visitação regular dos demais custodiados, o que amplia os riscos operacionais.
A mudança para o fim de semana, de acordo com o documento, permitiria maior previsibilidade e controle do ambiente prisional, aproveitando a redução do fluxo administrativo nos sábados.
Outro ponto central do pedido envolve a autorização para a prática de atividades físicas ao ar livre por parte do ex-presidente. A PMDF solicita permissão para que Bolsonaro possa realizar caminhadas em áreas restritas da unidade.
Entre os locais sugeridos estão o campo de futebol ou uma pista interna, sempre sob escolta permanente e sem qualquer tipo de contato com outros detentos.
A corporação destaca que a solicitação tem como base recomendações médicas, levando em consideração o estado de saúde do ex-presidente e a importância da atividade física controlada.
Além das caminhadas, o pedido também inclui a ampliação da assistência religiosa. A proposta prevê acompanhamento supervisionado pela capelania da PMDF, respeitando protocolos de segurança.
No documento encaminhado ao STF, a Polícia Militar classifica Bolsonaro como “custodiado sensível”, em razão do cargo que ocupou e da repercussão nacional e internacional de sua prisão.
A PMDF ressalta que o tratamento diferenciado solicitado não configura privilégio, mas sim uma medida preventiva para preservar a integridade física do custodiado, dos servidores e da rotina da unidade.
A corporação argumenta que a presença de um ex-presidente no sistema prisional exige cuidados específicos, especialmente diante do potencial de mobilização externa e interna.
A solicitação também busca evitar situações de exposição desnecessária que possam gerar riscos à segurança ou à ordem do local.
O pedido ainda aguarda análise do ministro Alexandre de Moraes, que deverá avaliar a compatibilidade das medidas com a decisão judicial já proferida.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses, após condenação no Supremo Tribunal Federal, em processo que apurou crimes relacionados a atentados contra o Estado Democrático de Direito.
Desde o início do cumprimento da pena, a custódia do ex-presidente tem sido acompanhada de perto por autoridades de segurança e pelo Judiciário.
A PMDF afirma que mantém rigoroso controle sobre todas as atividades realizadas pelo custodiado, seguindo determinações judiciais e protocolos internos.
Qualquer alteração no regime atual depende exclusivamente de autorização do STF, não podendo ser implementada de forma unilateral pela corporação.
O caso segue sob atenção permanente das autoridades, considerando seu impacto político, jurídico e institucional.
A expectativa é que a decisão do Supremo esclareça os limites e as condições para eventuais ajustes na rotina do ex-presidente dentro da unidade prisional.
Enquanto isso, Bolsonaro permanece sob custódia nas condições atualmente estabelecidas, aguardando o posicionamento final da Corte sobre o pedido apresentado pela Polícia Militar do Distrito Federal.

