Um homem que já competiu como lutador amador de MMA nos Estados Unidos admitiu, em tribunal, ter sido responsável por ações que resultaram na morte de sua filha de apenas cinco anos, além de manter seu filho mais novo em condições degradantes dentro de sua própria casa. O caso ganhou notoriedade após o réu Robert S. Buskey Jr., de 35 anos, confessar os crimes em uma audiência no condado de Schenectady, no estado de Nova York, nesta última sexta-feira.
Segundo a acusação, Buskey admitiu ter deixado a filha, identificada como Charlotte, trancada em um quarto sem acesso a alimentos ou água por um período prolongado, levando à sua morte por desnutrição e desidratação. A confirmação do corpo da criança em estado gravemente debilitado chocou os investigadores e a comunidade local quando a polícia foi chamada à residência em abril de 2024.
As forças de segurança também encontraram o filho de três anos do casal em um espaço improvisado semelhante a uma gaiola dentro do imóvel, conforme descreveram promotores. A criança apresentava sinais de negligência e desnutrição, e ambos os irmãos testaram positivo para cocaína durante exames toxicológicos, de acordo com os registros do caso.
Em sua confissão formal, Buskey admitiu que sua conduta imprudente e desprovida de qualquer consideração pelo bem-estar dos filhos criou um risco extremo para a vida de Charlotte, resultando em sua morte. A promotoria qualificou o ato como homicídio em segundo grau e também como venda criminosa de substância controlada a uma criança, agravando a acusação.
O réu se declarou culpado em juízo perante o juiz Matthew J. Sypniewski, renunciando ao seu direito de apelar da sentença em troca de um acordo firmado com o promotor público. Esse tipo de acordo costuma ocorrer quando há evidências contundentes que tornam difícil uma absolvição em julgamento pleno.
De acordo com os termos aceitos pelas partes, Buskey enfrentará uma pena combinada que pode chegar a 27 anos de prisão, correspondendo a 25 anos pela condenação por homicídio e dois anos adicionais pela acusação relacionada à droga. A sentença definitiva está marcada para ser proferida no dia 27 de março de 2026.
Além disso, o tribunal deve emitir uma ordem de proteção que impede Buskey de manter contato com seu filho sobrevivente, que agora terá sua guarda sob supervisão das autoridades competentes, segundo os promotores. Essa medida visa resguardar o menor de qualquer novo risco associado ao pai.
O relato dos investigadores aponta que a condição encontrada no interior da residência onde as crianças viviam era desoladora. Os policiais descreveram o local como um ambiente infestado por lixo, com sinais de falta de higiene e total ausência de cuidados básicos, apesar da presença de alimentos fora dos espaços onde as crianças foram confinadas.
Na cena encontrada pelos socorristas, Charlotte estava trancada em um quarto apenas equipado com um pequeno berço portátil, que a obrigava a permanecer em posição fetal, sem espaço adequado para o mínimo de mobilidade ou conforto. Fora do quarto, caixas de comida permaneciam intactas, mas inacessíveis à menina.
O irmão mais novo, Jackson, foi encontrado em uma estrutura improvisada de metal e madeira que lembrava uma gaiola, também sem condições adequadas de higiene ou segurança. Ele estava isolado, desidratado e emocionalmente traumatizado pela experiência.
Testes toxicológicos posteriores não apenas confirmaram a presença de cocaína no organismo de ambos os irmãos, como também reforçaram a conclusão de que a negligência e o abuso de substâncias pelo pai contribuíram diretamente para o grave estado de saúde em que as crianças se encontravam à época.
Relatos oficiais da promotoria indicam que Buskey instalou um cadeado do lado externo da porta do quarto de Charlotte após perceber que a criança era capaz de abrir a porta com facilidade. Ele reforçou a fechadura com fita adesiva, tornando ainda mais impossível sua saída ou acesso ao mundo exterior.
O processo despertou grande repercussão não apenas pela gravidade dos fatos, mas pela descrição das condições em que as crianças foram mantidas, desafiando o entendimento comum sobre negligência parental e abuso infantil. Especialistas em direito criminal consideram o caso como um dos mais brutais em termos de desconsideração pela vida humana.
Autoridades que acompanharam a investigação reforçaram que a casa onde as crianças viveram isoladas estava “longe de qualquer padrão mínimo de habitação saudável”, com lixo acumulado e ambientes deteriorados, o que agravou ainda mais os riscos à saúde física e psicológica das vítimas.
A confirmação de que as crianças não tinham acesso a educação, atividades sociais ou qualquer tipo de assistência externa por meses intensificou a crítica de grupos de defesa dos direitos da infância, que argumentam que mecanismos de proteção falharam antes que as tragédias culminassem na morte de Charlotte.
Organizações que trabalham com prevenção à violência infantil ressaltam que a falta de fiscalização sobre casos suspeitos de negligência aumenta o risco de episódios extremos como este, chamando a atenção para a importância de intervenções precoces por parte das autoridades.
A denúncia de homicídio e abuso contra crianças desencadeou ainda movimentos na comunidade local para reforçar programas de apoio às famílias em situação de vulnerabilidade, buscando prevenir que outros casos semelhantes ocorram no futuro.
A defesa do acusado não se manifestou em detalhes durante a audiência, mas advogados de casos correlatos costumam argumentar sobre questões de saúde mental ou dependência química em tentativas de atenuar a pena, embora não tenha sido esse o foco principal no acordo judicial firmado.
O episódio acendeu um debate mais amplo sobre a responsabilidade parental e os mecanismos existentes para identificar e proteger menores em risco de abuso ou negligência, tanto nos Estados Unidos quanto internacionalmente, onde órgãos de proteção à infância seguem atentos a sinais de alerta.
À medida que o sistema judicial se aproxima da fase de aplicação da sentença, a sociedade tem acompanhado o caso com atenção, buscando respostas para como um indivíduo pôde deixar de cuidar de seus próprios filhos a ponto de causar a morte de uma criança inocente em circunstâncias tão perturbadoras.
A tragédia que envolve o lutador de MMA transformou-se em um alerta para comunidades e autoridades, reforçando a necessidade de vigilância social e de políticas públicas mais eficazes no cuidado e no acompanhamento de jovens em situação de risco familiar extremo.

