A mineradora chinesa CMOC Group Limited anunciou a aquisição de um conjunto de minas de ouro no Brasil pertencentes à canadense Equinox Gold Corp. em um acordo avaliado em US$ 1,015 bilhão.
O anúncio foi formalizado em dezembro de 2025, com a conclusão do contrato condicionada à aprovação de autoridades regulatórias no Brasil e na China, incluindo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
De acordo com os termos do negócio, a CMOC pagará US$ 900 milhões em dinheiro na assinatura do acordo, além de até US$ 115 milhões adicionais vinculados a metas de produção de ouro nos primeiros doze meses após o fechamento da transação.
As operações adquiridas compreendem quatro ativos em produção no Brasil: a mina Aurizona, localizada no Maranhão; a mina RDM, em Minas Gerais; e o Complexo Bahia, que inclui as minas de Santa Luz e Fazenda Brasileiro, no estado da Bahia.
Segundo os dados divulgados pelas próprias empresas envolvidas, os recursos totais dessas minas somam cerca de 5 milhões de onças de ouro, com reservas identificadas de aproximadamente 3,9 milhões de onças.
Especialistas em mineração ressaltam que esse nível de recursos representa uma parcela significativa no contexto da produção aurífera brasileira, impulsionando os volumes explorados pelo comprador após a conclusão da transação.
A CMOC, que já possui operações em diferentes partes do mundo, tem uma estratégia declarada de expansão no setor de metais preciosos, aproveitando o momento de valorização internacional do ouro e a volatilidade nos mercados de commodities.
Analistas financeiros lembram que a venda de ativos pela Equinox Gold também atende a uma agenda corporativa de foco em seus projetos na América do Norte, onde a empresa pretende direcionar recursos liberados pela operação brasileira.
Em nota oficial, o presidente executivo da Equinox Gold afirmou que a transação permitirá à mineradora fortalecer sua posição financeira e reduzir endividamento, ao mesmo tempo em que reorienta seu portfólio de ativos.
Do lado chinês, a CMOC não apenas amplia seu portfólio de operações fora da China, mas também diversifica sua atuação em metais além dos produtos tradicionais como cobre e molibdênio.
Fontes ligadas à estratégia de investimentos de empresas chinesas destacam que a entrada em ativos auríferos brasileiros se insere em um contexto mais amplo de aquisição de recursos naturais globais.
No Brasil, o setor de mineração tem registrado fluxo contínuo de investimentos estrangeiros, de diferentes nacionalidades, em razão da riqueza de reservas minerais e da crescente demanda por metais estratégicos.
Entretanto, a presença da China em negócios de grande porte tem suscitado debates entre setores da sociedade civil e atores políticos sobre questões de soberania econômica e controle de recursos naturais.
Organizações empresariais brasileiras apontam que investimentos em mineração podem gerar empregos, desenvolvimento regional e arrecadação tributária, desde que cumpram a legislação ambiental e as normas de conteúdo local.
Por outro lado, críticos alertam para riscos potenciais associados à transferência de controle de ativos estratégicos para empresas com forte ligação ao Estado estrangeiro, ainda que operem sob regime corporativo privado.
O setor aurífero brasileiro ocupa papel relevante na pauta de exportações minerais, sendo um componente importante da balança comercial do país, especialmente em momentos de preço elevado no mercado internacional.
Dados de mercado mostram que o ouro tem apresentado valorização global nos últimos períodos, atraindo interesse de investidores e integrantes da cadeia produtiva de minerais preciosos.
A conclusão da aquisição pela CMOC está prevista para o primeiro trimestre de 2026, após a obtenção das autorizações competentes no Brasil e no exterior, conforme os cronogramas informados pelas partes.
Especialistas em direito econômico lembram que transações desse porte no setor de mineração dependem de análises criteriosas de órgãos reguladores para verificar impactos concorrenciais e estratégicos.
O impacto dessa operação no panorama global da mineração continua a ser avaliado por analistas que acompanham os movimentos de consolidação em commodities e as dinâmicas de investimento transnacional.
Enquanto isso, o mercado financeiro monitora reações de ações de mineradoras envolvidas e a repercussão da transação em ações correlatas, dado o papel crescente do ouro como ativo de proteção em tempos de incerteza econômica.
A transação representa uma das maiores aquisições no setor aurífero brasileiro nos últimos anos, refletindo tendências de integração de mercados e a busca por reservas de metais preciosos em diversas partes do mundo.

