Após acertar propina, funcionário da Enel ligou energia em 15 segundos

Nos últimos dias, um caso de corrupção envolvendo um prestador de serviços ligado à concessionária de energia elétrica Enel chamou a atenção das autoridades em São Paulo e reacendeu debates sobre conduta ética no setor de distribuição de energia.

O episódio ocorreu na zona Sul de São Paulo, na região da Vila Mariana, quando um funcionário de uma empresa terceirizada foi detido pela Polícia Civil após exigir pagamento indevido para restabelecer a energia de um restaurante.

De acordo com o registro policial, o estabelecimento comercial estava sem eletricidade desde a tarde de quarta-feira, após fortes ventos provocados por um fenômeno climático que deixou milhões de consumidores da Enel sem luz.

Conforme o boletim de ocorrência, o prestador ligado à Enel religou a energia do restaurante em cerca de 15 segundos após o dono do local concordar em pagar o valor solicitado.

O valor exigido pelo prestador para realizar a intervenção foi de R$ 2.500, montante que configurou, segundo as autoridades, uma prática irregular e criminosa.

Mensagens de texto e áudios analisados pelas investigações demonstram que o funcionário condicionou a religação ao pagamento prévio da quantia, avisando que só executaria o serviço após a transferência bancária.

Em um dos trechos dessas mensagens, o técnico chegou a afirmar que, caso o pagamento não fosse efetuado, simplesmente partiria com o caminhão e deixaria o estabelecimento sem atendimento.

A prisão do prestador foi registrada após o subprefeito da Vila Mariana, Rafael Minato, simular ser um comerciante e abordar o funcionário durante a negociação.

No vídeo do momento da prisão, o prestador justifica a cobrança afirmando que se tratava de um deslocamento extra, diferente de seu “trabalho original”, ao dizer: “Meu ‘trampo’ é aqui, para ir ali vou cobrar”.

Procurada, a Enel divulgou posicionamento em que afirma categoricamente que qualquer exigência de pagamento para execução de reparos na rede elétrica contraria as normas internas da empresa e os padrões de conduta esperados.

A concessionária orientou que clientes em situação similar entrem em contato com os canais oficiais de atendimento caso tenham dúvidas ou suspeitas de irregularidades.

As autoridades policiais classificaram a conduta do prestador como corrupção passiva, e a prisão em flagrante foi ratificada pela 16ª Delegacia de Polícia do Estado de São Paulo.

O crime em questão prevê pena superior a quatro anos de reclusão, motivo pelo qual não foi arbitrada fiança no momento da detenção.

Esse episódio integra um contexto mais amplo de dificuldades enfrentadas pela rede elétrica paulista recentemente, em razão de um ciclone extratropical que gerou ventos de até 90 km/h, afetando milhões de clientes e provocando uma crise no fornecimento de energia na Grande São Paulo.

Em decorrência dessa crise, a Enel informou que, até o último apanhado de dados, havia restabelecido energia para cerca de 99% dos clientes afetados, mas ainda relatava localidades com dificuldades técnicas mais complexas.

No meio desse cenário de recuperação de serviços, manifestações e protestos de consumidores insatisfeitos foram registrados em diversas regiões, refletindo a tensão entre moradores e a concessionária.

Além disso, o Ministério de Minas e Energia emitiu comunicado reforçando que a concessionária será responsabilizada caso descumpra obrigações contratuais de qualidade de serviço, com possibilidade até de perda de concessão.

O episódio na Vila Mariana ocorre em meio a discussões mais amplas sobre a eficiência operacional da Enel no estado, que já vinha enfrentendo críticas por falhas ou atrasos em restabelecimentos de energia após eventos meteorológicos severos.

Especialistas em regulação do setor elétrico destacam que a transparência e a integridade na prestação de serviços são fundamentais para manter a confiança dos consumidores e a conformidade com as normas regulatórias. (Declaração genérica usada para contexto setorial)

Organizações de defesa do consumidor enfatizam que práticas abusivas ou antiéticas, como exigência de pagamento extra para serviço que deveria ser regular, podem configurar violação de direitos do usuário e dão margem à aplicação de sanções administrativas. (Contexto geral de políticas de consumidor)

O caso seguirá sob investigação policial, com análise de todas as provas reunidas, incluindo áudios e vídeos anexados ao inquérito, para definição de possíveis desdobramentos judiciais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Emocionante! Mulher engravida usando o útero transplantado de sua própria mãe, o mesmo órgão no qual ela própria foi gestada

Influencer de medicina chinesa manteve escrava por 30 anos em Campinas