Trump está deixando Bolsonaro “à deriva”, diz analista americano

A revogação das sanções sob a Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes e sua esposa não é apenas uma notícia diplomática; é um epílogo brutal para a política externa de afinidades ideológicas de Donald Trump no Brasil.

Conforme a análise do brasilianista Brian Winter, estamos diante de uma virada de 180 graus na estratégia americana, um abandono sem cerimônia da aliança com Jair Bolsonaro.

O que se viu em 9 de julho, com a imposição de tarifas, e em 30 de julho, com a sanção a Moraes, era a política de afeto de Trump por seu aliado ideológico.

O que se vê agora é a política de pragmatismo, onde o interesse nacional americano — e não o ideário bolsonarista — dita o ritmo.

O encontro de Trump com o Presidente Lula na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, foi o ponto de inflexão, o sinal de que a “estratégia de ajudar o parceiro” estava custando mais do que rendia.

A suspensão das tarifas sobre café e carne já havia prenunciado o movimento, revelando que a política americana é mais sensível à inflação doméstica do que à crise política de um aliado estrangeiro.

O abandono total da sanção a Moraes, a primeira autoridade brasileira a ser punida pela Magnitsky, não é um gesto de cortesia, mas um sinal de negociação avançada.

A Lei Magnitsky é um instrumento de peso para punir violações de direitos humanos e corrupção; sua revogação é um capital político entregue ao governo Lula.

A suspeita levantada por Winter sobre as terras raras como possível moeda de troca é eloquente.

O Brasil é um player significativo em minerais estratégicos, e Trump, sempre atento à cadeia de suprimentos e à geopolítica do poder, estaria trocando o apoio a um amigo sem poder por um acordo estratégico com o governo em exercício.

É o cálculo frio do interesse. Trump não desiste de seus aliados, como mostra a atuação em Honduras e Argentina, mas ele não desperdiça capital político em uma causa perdida.

A família Bolsonaro é, nas palavras de Winter, deixada “à deriva”.

O lamento de Eduardo Bolsonaro, falando em “pesar” e em defender os “interesses estratégicos do povo americano”, soa como o último suspiro de uma parceria que se encerrou na mesa de negociações.

Curiosamente, o governo americano tentou vender a revogação como um reconhecimento da aprovação do projeto de lei da Dosimetria — apelidado de “Lei da Anistia” — na Câmara, o que seria um “passo na direção certa” contra o lawfare.

Esta justificativa é uma cortina de fumaça jurídica. A Magnitsky é uma lei de direitos humanos e corrupção; sua ligação com uma lei de redução de penas pós-golpe é tenue na melhor das hipóteses.

Lula, por sua vez, age com maestria, assumindo a autoria do pedido e transformando a revogação em uma vitória da democracia e da força institucional brasileira.

O presidente petista entendeu o jogo: o pragmatismo americano pode ser usado como alavanca diplomática para desmantelar a oposição interna.

A reviravolta de Trump não é altruísmo, mas a decisão de um empresário que abandona um investimento fracassado para buscar um lucro mais certo.

A pergunta que fica é: Qual é o custo real, em termos de soberania e recursos minerais, do presente que Trump deu a Moraes e a Lula?

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