A produção cinematográfica intitulada Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem previsão de estreia internacional em 2026, conforme confirmado por Mario Frias, deputado federal e responsável pelo roteiro da obra. A informação foi divulgada em entrevista recente em que o parlamentar detalhou aspectos da produção e seus objetivos de alcance global.
O projeto, concebido para revisitar fases marcantes da carreira política de Bolsonaro, tem como protagonista o ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido por seu papel como Jesus em A Paixão de Cristo. A escolha do intérprete estrangeiro foi destacada por Frias como elemento determinante para conferir projeção internacional ao longa-metragem, reforçando sua ambição de alcançar públicos além das fronteiras brasileiras.
Segundo o idealizador, a participação de Caviezel no elenco representa mais do que um simples aspecto artístico: para Frias, a adesão do ator teria ressaltado o peso narrativo e o contexto histórico que o filme busca transmitir. O roteiro, portanto, não se limita a uma biografia tradicional, mas pretende dramatizar episódios específicos da vida do ex-presidente.
O título Dark Horse, expressão em inglês que significa “azaráo” ou competidor que surpreende, foi escolhido para refletir a perspectiva dramatizada da narrativa, que enfatiza a trajetória política de Bolsonaro desde seu crescimento como figura pública até as fases mais emblemáticas da sua carreira.
A trama do filme concentra-se, em grande parte, na campanha presidencial de 2018, incluindo o atentado a faca sofrido por Bolsonaro em Juiz de Fora (MG), episódio que marcou profundamente sua trajetória política e que, segundo informações da produção, recebe tratamento dramático e central na narrativa cinematográfica.
A direção do longa está sob a responsabilidade do cineasta Cyrus Nowrasteh, que já trabalhou com Caviezel em outras produções. A parceria entre diretor e protagonista reforça o perfil artístico do projeto, que mescla elementos biográficos com dramatizações inspiradas em fatos reais, sugerindo uma construção narrativa que busca tanto impacto emocional quanto alcance internacional.
A produção está sendo realizada em parte no Brasil, com filmagens que ocorreram em diversas localidades, e sua continuação está programada em outros países, incluindo os Estados Unidos. Essa estratégia de filmagem internacional reforça a intenção de tornar Dark Horse um produto cinematográfico de alcance global, além de atrair públicos fora do circuito tradicional de cinema brasileiro.
Além de Caviezel no papel principal, o elenco inclui nomes de diferentes nacionalidades. Entre as confirmações estão atores como Marcus Ornellas, que interpretará o senador Flávio Bolsonaro, e Edward Finlay, escalado para o papel de Eduardo Bolsonaro, ampliando o caráter internacional da produção.
A estreia prevista para 2026 ainda carece de data oficial, mas a divulgação de teasers e primeiras imagens já gerou repercussão nas redes sociais e entre críticos de cinema. O material divulgado até o momento apresenta cenas com Caviezel caracterizado como Bolsonaro, reforçando o tom dramático da produção.
Em meio às discussões sobre o filme, surgiram controvérsias jurídicas relacionadas ao uso de música em um dos teasers divulgados: a equipe da artista Beyoncé movimentou medidas legais para a retirada de uma faixa utilizada no material promocional, alegando uso não autorizado. Esse episódio adiciona uma dimensão adicional de debate sobre aspectos de propriedade intelectual ligados à divulgação do longa.
A natureza da narrativa tem gerado diferentes reações. Críticos observam que o roteiro — baseado no texto Capitão do Povo escrito por Frias — incorpora elementos ficcionais que vão além de meros fatos documentais, como sequências que sugerem conspirações e confrontos com antagonistas políticos fictícios ou reinterpretados, mesmo que inspirados em acontecimentos reais.
Por outro lado, apoiadores do ex-presidente veem a produção como um reconhecimento de sua trajetória política e dos desafios enfrentados. Frias defende que o filme tem potencial para levar a história a um público amplo, incluindo espectadores que podem não estar familiarizados com os detalhes da carreira de Bolsonaro.
A escolha de uma produção em língua inglesa e com elenco internacional está alinhada à ambição declarada do roteirista de transcender o mercado cinematográfico brasileiro e de posicionar Dark Horse como uma obra relevante no circuito global, especialmente em um contexto em que a figura de Bolsonaro ainda exerce forte influência sobre parcelas do eleitorado.
Especialistas em cinema comentam que filmes baseados em figuras políticas reverberam não apenas por sua narrativa artística, mas também pela forma como moldam percepções culturais e políticas em meio a audiências amplas, ainda que suas escolhas estéticas e narrativas sejam alvo de debates intensos entre críticos, historiadores e público em geral.
A produção de Dark Horse ocorre em um período de forte polarização política no Brasil, com eleições marcadas para 2026 e um cenário em que Bolsonaro, mesmo após condenação judicial, continua a figurar nas discussões públicas e partidárias, inclusive com membros de sua família envolvidos em candidaturas.
A decisão de retratar episódios tão sensíveis da vida de uma figura política contemporânea também levanta questões sobre as limitações e responsabilidades da arte cinematográfica ao lidar com fatos recentes, especialmente quando misturam interpretação criativa e eventos históricos.
Embora não haja ainda uma confirmação global sobre datas de estreia em diferentes países, a estratégia de lançamento internacional pretende maximizar a visibilidade da obra em festivais, cinemas e plataformas de streaming, o que pode ampliar seu impacto cultural além de fronteiras.
Analistas de mídia destacam que a escolha de elementos narrativos amplamente conhecidos — como o atentado de 2018 e a trajetória política de Bolsonaro — facilita a construção de uma narrativa cinematográfica que ressoe com públicos diversos, ao mesmo tempo em que enfrenta o desafio de equilibrar precisão histórica e dramatização cinematográfica.
O envolvimento direto de um parlamentar brasileiro na produção e roteiro é um aspecto inédito para filmes dessa natureza, estimulando debates sobre a relação entre política, cultura e indústria cinematográfica, dado que Frias combina sua experiência no setor cultural com sua trajetória política.
Enquanto a produção avança nos últimos estágios de filmagem e pós-produção, observadores do mercado audiovisual acompanham atentamente como o filme será recebido tanto pelo público quanto pela crítica especializada, considerando seu potencial de influenciar narrativas políticas e culturais em um contexto de grande repercussão pública.
A perspectiva de lançamento de Dark Horse em 2026 configura-se como um marco significativo na interseção entre cinema e política contemporânea, com potencial para gerar ampla discussão sobre narrativas de liderança, conflito e representação histórica.
A recepção final do público dependerá não apenas do conteúdo narrativo, mas também da promoção internacional, da resposta crítica e das discussões sociais que envolvem a obra em torno de temas sensíveis como poder, legado político e interpretações artísticas de acontecimentos reais.

