“A Europa será apagada”, alerta Trump em nova ofensiva retórica

O presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, voltou a lançar sérias críticas à Europa em pronunciamentos recentes, afirmando que o continente corre o risco de perder sua identidade e até mesmo de deixar de existir como conhecemos. Ao se referir à imigração, à cultura e às políticas energéticas, Trump advertiu: “on immigration, you better get your act together. You’re not going to have Europe any more.”

Durante estada na Escócia, ele declarou que a migração estaria “matando a Europa” e que seria necessário deter o que chamou de “horrible invasion” de migrantes para evitar a extinção do continente em sua configuração atual.

Além disso, Trump não poupou críticas às políticas ambientais adotadas por alguns países europeus. Ele chegou a afirmar que os “windmills” (torres de energia eólica) estariam destruindo campos e vales belos da Europa — “ruining your beautiful fields and valleys and killing your birds” — e considerou a energia limpa europeia como parte de um problema maior.

Em outro momento, no discurso perante a United Nations General Assembly (UNGA), Trump afirmou que a imigração e as políticas de clima formariam um “double-tailed monster” — um monstro de duas cabeças — que estaria destruindo o continente europeu. Ele disse: “I love the people of Europe, and I hate to see it being devastated by energy and immigration, that double-tailed monster that destroys everything in its wake.”

Na sessão da ONU realizada em 23 de setembro de 2025, o presidente dos EUA foi direto ao ponto: “Your countries are being ruined… It’s time to end the failed experiment of open borders. You have to end it now. … Your countries are going to hell.”

Trump dirigiu essas palavras aos líderes europeus, responsabilizando suas decisões políticas por um suposto colapso cultural e demográfico — algo que para ele ameaça o próprio “modus operandi” do continente. Ele considerou que a postura de “politicamente correto” estaria levando à destruição do patrimônio cultural europeu.

Na estratégia oficial recentemente divulgada pelo governo dos EUA, o documento assinado por Trump — a National Security Strategy of the United States of America — se aprofunda nessa visão de risco existencial para a Europa. O relatório alerta que, se as tendências atuais persistirem, o continente poderá estar irreconhecível em 20 anos ou menos. Ele aponta como fatores centrais dessa suposta decadência: políticas da European Union e outros órgãos transnacionais que, segundo o texto, minam a liberdade política e a soberania, políticas migratórias que estariam alterando drasticamente a composição populacional, censura ao discurso, queda nas taxas de natalidade, perda de identidades nacionais e de autoconfiança.

O documento também sustenta que o declínio econômico da Europa, embora real, seria secundário frente à ameaça de “civilizational erasure” — ou seja, apagamento civilizacional. Isso indicaria uma prioridade da Casa Branca em definir a crise europeia como algo moral e cultural, e não apenas financeira.

As reações na Europa não demoraram. Autoridades de diferentes países classificaram a retórica como ofensiva e desestabilizadora para as relações transatlânticas. Um representante alemão declarou que não vê necessidade de “conselhos externos” em assuntos internos, o que evidencia o clima de repulsa provocado pelo documento norte-americano.

Para críticos da estratégia, a abordagem de Trump representa um claro alinhamento com correntes nacionalistas de extrema direita dentro da Europa — grupos populistas que defendem uma visão restritiva de identidade nacional, fechamento de fronteiras e resistência à migração.

Esse posicionamento, afirmam analistas, corre o risco de aprofundar divisões entre os aliados históricos nos EUA e os países europeus, fragilizando missões conjuntas de segurança, comércio e cooperação diplomática. A confiança transatlântica, base da ordem internacional desde o pós-guerra, parece estar sendo posta à prova.

Fontes sobressaem a possibilidade de que a retórica influencie as próximas tomadas de decisão em Bruxelas — seja para endurecer políticas migratórias, reforçar o controle de fronteiras ou revisar tratados com os Estados Unidos. A retórica de Trump pode reverberar de maneira ampla nas relações políticas, sociais e econômicas do continente.

Observadores ressaltam que o uso de expressões como “invasão”, “destruição” e “apagamento civilizacional” não é neutro: carregado de conotação ideológica, o discurso tende a reforçar polarizações internas na Europa, enfraquecer o apoio a refugiados e migrantes e legitimar partidos com agenda identitária.

Também há risco de que a pressão dos EUA — sob o discurso de “restauração” de uma suposta grandeza antiga — estimule uma reorientação da política externa europeia, seja com realinhamento geopolítico, fortalecimento de posturas nacionalistas ou revisão de alianças tradicionais.

Para especialistas, o uso de um documento formal de segurança nacional para expressar críticas culturais e demográficas representa uma mudança de paradigma nas relações internacionais, misturando ideologia doméstica com diplomacia exterior — algo até então incomum para a Casa Branca.

O tom alarmista de Trump e de seu governo transmite urgência e grave ameaça, o que, segundo analistas, pode provocar reações em cadeia — redefinição de estratégias de migração, segurança energética, comércio e cooperação militar, alterando profundamente o panorama europeu nas próximas décadas.

Ao mesmo tempo, muitos na Europa consideram essas declarações como parte de uma retórica eleitoralista e simbólica, sem compromisso concreto com medidas efetivas — o que gera debate sobre a real intenção por trás dessas palavras e a capacidade de implementá-las.

De todo modo, a forte ofensiva verbal e estratégica contra a Europa marca uma ruptura significativa nas relações transatlânticas e sinaliza um novo ciclo de tensão diplomática. A ameaça de “apagamento” referida por Trump — apesar de contestável — simboliza o grau de antagonismo que pode orientar a política externa dos Estados Unidos na atual gestão.

Em resumo, a mensagem do presidente americano é clara: segundo ele, a Europa está mudando de forma irreversível e corre risco de perder sua essência cultural, social e política. Caso os líderes europeus não adotem o que ele considera “as medidas certas” imediatamente, o continente, nas palavras de Trump, “não vai existir mais como tal”.

As reações tanto de governos europeus quanto de analistas demonstram preocupação com o que isso pode representar a médio e longo prazo — não apenas para as relações entre EUA e Europa, mas para a estabilidade global, os fluxos migratórios, os valores políticos e a identidade europeia.

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