Vai afundar junto? A Rússia, China, Cuba e Irã soltaram a mão de Maduro, restou apenas o Brasil, que até agora se mantém neutro

A crise em torno do governo de Nicolás Maduro segue se aprofundando, à medida que antigos pilares de seu apoio internacional — Rússia, China, Cuba e Irã — dão sinais de distanciamento, enquanto o Brasil permanece em posição de neutralidade, navegando com cautela.

Depois da polêmica reeleição de Maduro em julho de 2024 — contestada por diversos países por supostas irregularidades eleitorais —, o apoio internacional que o regime venezuelano costumava receber parece agora fragilizado. Tradicionalmente, a Rússia, a China, Cuba e o Irã figuravam entre os principais aliados diplomáticos, econômicos e militares da Venezuela.

Entretanto, fontes recentes apontam que, diante da escalada da pressão dos Estados Unidos sobre Caracas, esses mesmos aliados passaram a oferecer apenas gestos simbólicos de solidariedade, sem compromissos concretos de apoio militar ou financeiro.

A ênfase diplomática que outrora sustentava o governo venezuelano agora parece frágil. Mesmo com um tratado de parceria estratégica assinado entre a Rússia e a Venezuela em maio de 2025, especialistas internacionais consideram que o apoio russo, embora formalmente declarado, tem caráter limitado — mais retórico do que prático.

Em relatório publicado recentemente, observou-se que ambos os países — Rússia e China — estão hoje mais focados em seus conflitos e desafios internos e externos, o que reduz a disposição para investir pesadamente na defesa de regimes como o de Maduro.

Na prática, isso significa que as alianças internacionais anteriormente firmes para a Venezuela estão mais cautelosas. Nem mesmo Cuba ou o Irã têm sido capazes, ou dispostos, a oferecer o suporte estruturado e decisivo que Caracas provavelmente esperava.

Diante desse quadro, o Brasil optou por um caminho diferente. O governo brasileiro, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva, adotou uma postura de neutralidade. O país não reconheceu formalmente a reeleição de Maduro e, em outubro de 2024, exerceu seu poder de veto para impedir a entrada da Venezuela no bloco dos BRICS.

O veto, segundo autoridades brasileiras, baseou-se em críticas à transparência no processo eleitoral venezuelano e na instabilidade institucional observada no país.

Essa decisão provocou forte reação por parte de Caracas: a Venezuela reagiu convocando seu embaixador no Brasil e o encarregado de negócios brasileiro em Caracas, classificando o gesto como hostil.

Apesar de toda a tensão diplomática, o Brasil manteve seu canal de diálogo aberto e evitou retaliações formais — uma estratégia de contenção para não provocar uma crise diplomática maior.

Analistas apontam que o governo de Lula parece priorizar a coerência com uma política externa orientada por princípios de não intervenção e respeito à soberania, ao mesmo tempo em que equilibra interesses multilaterais com Rússia e China.

Para muitos especialistas, a neutralidade brasileira representa um recuo diplomático calculado: manter a representação diplomática ativa em Caracas, mas evitar endosso formal a Maduro, que poderia comprometer a credibilidade do Brasil perante a comunidade internacional.

Em Caracas, o sentimento é de isolamento crescente. Maduro recorreu publicamente à Rússia, à China e ao Irã, solicitando ajuda militar — desde manutenção de aeronaves e radares até aquisição de mísseis.

Apesar desses pedidos, as reações até agora foram modestas: declarações de apoio, alertas contra “forças externas” e reafirmações retóricas de parceria. Mas não há sinais de entrega de ajuda militar significativa ou de envolvimento direto de tropas estrangeiras.

Assim, a narrativa de “apoio incondicional ao chavismo” se desvanece. A aliança internacional de Maduro, que antes parecia sólida, revela hoje fragilidades diante de pressões econômicas, diplomáticas e geopolíticas globais.

Para o Brasil, a neutralidade tem implicações regionais importantes. Ao adotar essa postura, o país tenta manter um papel de equilíbrio diplomático na América Latina, evitando rupturas definitivas e preservando sua influência nas negociações multilaterais.

Ainda que o governo de Lula não reconheça Maduro como governo legítimo, a manutenção de canais diplomáticos — sem isolacionismo extremo — indica uma aposta na diplomacia como instrumento de mediação, ao invés de antagonismo aberto.

A situação, no entanto, permanece fluida. Caso os Estados Unidos intensifiquem ações militares ou sanções mais duras, ou se surgir um novo governo com apoio internacional mais amplo, os atuais rearranjos internacionais podem ser rapidamente alterados.

De certa forma, o que se observa é uma transição: de um cenário em que a Venezuela contava com apoio confiável e sustentado, para um estado de dependência crescente da própria retórica e de alianças cada vez mais simbólicas.

No centro desse novo arranjo diplomático está o Brasil: neutro, cauteloso e calculista — mantendo as portas abertas, mas sem firmar compromissos definitivos. A cada gesto ou declaração internacional, o futuro de Maduro e da Venezuela parece depender cada vez mais de estratégias de sobrevivência política, em um tabuleiro geopolítico mais instável e exigente.

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