A cantora Luiza Possi gerou intenso debate ao afirmar que deixou de se identificar como bissexual após se permitir “experimentar” e se casar com um homem. A declaração, embora pessoal, toca em questões sensíveis sobre a fluidez da sexualidade, a identidade bi e a maneira como as vivências e os relacionamentos atuais podem influenciar a autodefinição de uma pessoa.
A bissexualidade é definida como a atração por mais de um gênero (não necessariamente homens e mulheres).
A afirmação de Luiza Possi de que “deixou de ser bissexual” após o casamento com um homem levanta controvérsia, pois sugere uma interpretação equivocada de que a identidade bissexual está ligada exclusivamente à ação ou ao parceiro atual.
A Identidade vs. Ação: A identidade sexual (o que a pessoa é ou sente) é diferente da conduta sexual (com quem ela está). Uma pessoa bissexual pode estar em um relacionamento monogâmico com um parceiro de um gênero e ainda assim manter sua identidade e potencial atrativo por outros gêneros.
A Fluidez: A sexualidade humana é fluida para muitas pessoas, e a autodescoberta e a mudança de rótulos são processos válidos. No entanto, o debate se concentra no uso da expressão “deixou de ser”, que pode ser interpretada como uma negação ou apagamento da bi-identidade.
A fala “me permiti experimentar” sugere que o período de experimentação a levou a entender que sua atração final é mais restrita ou que o relacionamento atual a fez reavaliar o que o rótulo bissexual significava para ela.
A principal crítica a esse tipo de declaração, que é frequentemente levantada pela comunidade LGBTQIA+, é o risco de apagamento bissexual (bi-erasure).
Normalização da Monossexualidade: A sociedade tende a enxergar as pessoas como hétero ou homo com base em seu parceiro atual. A fala de Luiza Possi, ao ligar a bi-identidade à “experimentação” e ao descartá-la após um casamento heteronormativo, inadvertidamente reforça essa ideia de que a bissexualidade é uma fase de transição e não uma identidade válida por si mesma.
Validação: Para muitas pessoas bissexuais, a luta é justamente provar que sua identidade é real, mesmo quando estão em relacionamentos que parecem heterossexuais.
O “e daí” dessa controvérsia é a oportunidade de aprofundar o debate público sobre a complexidade da sexualidade e educar sobre o fato de que a bissexualidade não é um ponto de parada, mas uma orientação sexual legítima que persiste, independentemente do relacionamento atual.
O processo de autodescoberta de Luiza Possi é válido para ela, mas a maneira como ela verbaliza o descarte do rótulo bi levanta um diálogo necessário sobre representatividade.
O principal ponto a ser respeitado é o direito de Luiza Possi à autodefinição.
No final, a forma como ela escolhe nomear ou não sua sexualidade é uma decisão individual.
O caso serve como um momento de aprendizado sobre a fluidez e a diversidade das orientações sexuais.
Figuras públicas como Luiza Possi têm um papel involuntário de educadores quando compartilham suas jornadas de identidade.
A atração de Luiza por seu marido e a solidez de seu casamento não anulam o fato de que ela se permitiu explorar outras atrações em sua vida.
A polêmica gerada nas redes sociais reflete a sensibilidade da discussão sobre rótulos e pertencimento na comunidade LGBTQIA+.

