Israel voltou a lançar ataques aéreos contra alvos do Hezbollah no Líbano, numa escalada que levanta dúvidas sobre a estabilidade do cessar-fogo firmado entre os dois lados. Segundo fontes libanesas, pelo menos 5 pessoas morreram e 28 ficaram feridas nas ofensivas, reacendendo um clima de crise na região.
Os bombardeios atingiram especialmente os distritos de Bekaa e Hermel, no leste do Líbano, segundo o Ministério da Saúde local, em ataques atribuídos pela Israel Defense Forces (IDF) a depósitos de armas e instalações estratégicas vinculadas ao Hezbollah.
Autoridades israelenses justificam a ação alegando que o grupo xiita mantém infraestrutura militar no território libanês, o que representaria ameaça contínua à segurança de Israel.
Por sua vez, analistas e lideranças libanesas vêem nos ataques uma clara indicação de que o cessar-fogo firmado em novembro de 2024 permanece muito vulnerável.
Em uma declaração contundente, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que Israel continuará a atacar certas áreas de Beirute caso o Líbano não desarme o Hezbollah, o que aumentou a apreensão entre aliados regionais.
A trégua vinha sendo apontada como uma tentativa de estabilizar a fronteira entre os países, mas a retomada dos ataques reforça a fragilidade desse acordo e a dificuldade em aplicar seus termos na prática.
No subúrbio sul de Beirute, reduto do Hezbollah, Israel teria atingido instalações militares que, segundo seu Exército, eram usadas para armazenamento de drones.
Antes do bombardeio sobre Beirute, as autoridades israelenses teriam emitido alertas para evacuação, o que reforça a gravidade das operações.
Já no Líbano, o primeiro-ministro Nawaf Salam classificou os ataques como uma “escalada perigosa” e pediu que as partes envolvidas mantenham a calma para evitar um retrocesso no acordo de trégua.
Para Salam, a presença de infraestrutura militar ligada ao Hezbollah em zonas civis é uma ameaça à própria soberania libanesa, mas ele enfatiza a importância de uma resposta equilibrada para preservar a paz.
Em meio ao conflito, escolas nas regiões atingidas chegaram a suspender as aulas, por medo de nova onda de bombardeios, segundo relatos de moradores locais.
Civis libaneses das áreas mais próximas à fronteira expressam temor de um retorno à guerra aberta, reforçado pelas recentes declarações duras de lideranças israelenses.
A continuidade dos ataques por parte de Israel vem em um momento em que o governo de Beirute é pressionado por uma proposta de desarmamento do Hezbollah, defendida por potências como os Estados Unidos.
O cessar-fogo de novembro de 2024 estabelecia, entre outros pontos, a retirada de forças israelenses de áreas do sul do Líbano e a desmobilização de parte da estrutura militar do Hezbollah, mas a execução desse acordo tem sido contestada por ambos os lados.
Especialistas em geopolítica alertam que essas violências pontuais podem desencadear uma escalada mais ampla, caso as provocações persistam sem mecanismos eficazes de contenção.
Para muitos analistas, a retomada dos bombardeios mostra que o Hezbollah continua sendo visto por Israel como uma ameaça estratégica, mesmo com os mecanismos de trégua em vigor.
Por parte libanesa, há críticas de que o Estado não tem conseguido impor limites eficazes ao Hezbollah, o que justifica, para Israel, a continuidade das operações.
A retomada dos ataques também é vista como uma forma de pressão diplomática: Israel usa a força para fortalecer sua exigência de desarmamento do grupo xiita.
Diante da escalada, a comunidade internacional volta a se mobilizar, com apelos para que ambas as partes evitem uma nova guerra e respeitem os termos do cessar-fogo.
Se o conflito continuar a se intensificar, o Líbano pode se ver envolvido novamente em combates diretos, com consequências graves para a população civil e para a estabilidade regional.
Este episódio reforça a complexidade do acordo de paz: embora tenha reduzido momentos de confronto aberto, o cessar-fogo não eliminou totalmente o risco de retaliações e novos ataques entre Israel e o Hezbollah.

