A decisão do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva de evitar comentar a prisão preventiva de Jair Bolsonaro, limitando-se a reforçar sua confiança no Supremo Tribunal Federal (STF) com a máxima “decidiu, está decidido”, é um ato de neutralidade estratégica de alto calibre político.
Lula reconhece que qualquer palavra sua sobre o tema poderia ser instrumentalizada, e opta por endossar a institucionalidade do Judiciário.
️ A Blindagem Institucional
A postura de Lula serve para blindar a decisão judicial contra a narrativa de perseguição política.
Ao afirmar que confia no STF, o Presidente desassocia o Poder Executivo da ordem de prisão, reforçando a ideia de que o processo é uma questão de Justiça e Estado de Direito, e não de vingança política.
Esse distanciamento é crucial para a legitimidade da medida cautelar.
O ceticismo nos obriga a reconhecer que esse silêncio não é um sinal de indiferença, mas de inteligência política.
Um ataque ou até mesmo uma celebração da prisão por parte do Presidente Lula daria munição para a defesa de Bolsonaro alegar perseguição política orquestrada.
Ao se calar e apenas endossar a Suprema Corte, Lula força a discussão a permanecer no campo jurídico e na responsabilidade individual do ex-presidente.
⚖️ O Respeito ao “Decidiu, Está Decidido”
A frase “decidiu, está decidido” é o reconhecimento explícito da separação dos Poderes e da autoridade final do STF em questões constitucionais.
Em um país marcado por crises institucionais, a adesão do chefe do Executivo à decisão do Judiciário é um gesto de estabilidade que visa apaziguar tensões e mostrar que o Brasil segue as regras do jogo democrático.
O “e daí” dessa neutralidade é que ela coloca a instituição acima da pessoa.
Lula sinaliza que o destino de seu principal adversário político será selado pelas instituições do Estado, e não por sua interferência ou desejo.
Essa moderação é fundamental para manter o foco do governo nas suas prioridades (economia, social), sem ser arrastado para a polarização e o caos gerados pela prisão.

