A morte do policial civil Rodrigo Vasconcellos Nascimento, 20 dias após ser ferido na Megaoperação Contenção nos Complexos do Alemão e da Penha, eleva para cinco o número de agentes de segurança vitimados.
Este trágico saldo não é apenas um luto para a Polícia Civil do Rio de Janeiro, mas um sinal alarmante da futilidade e ineficácia da estratégia de confrontos em larga escala nas comunidades.
O Custo Humano e o Efeito Cascata
A morte de Rodrigo, que chegou a apresentar melhoras e animação, segundo relatos, sublinha a extrema violência dos confrontos e o custo psicológico da guerra urbana.
O registro do ataque por um drone da polícia oferece uma perspectiva fria e tecnológica sobre a vulnerabilidade dos agentes que atuam em áreas de domínio do tráfico.
A visão aérea não minimiza a letalidade, apenas a documenta.
O ceticismo nos impõe a seguinte reflexão: O que justifica o alto preço de cinco vidas de policiais em uma única operação?
A estratégia de incursões massivas, conhecida por sua natureza midiática e de alto risco, tem um retorno questionável em termos de desarticulação permanente do crime organizado.
O custo humano é imediato e irrecuperável, enquanto o efeito na estrutura do tráfico é, muitas vezes, temporário.
⚖️ O ciclo Vicioso da Violência
As palavras de homenagem, que classificam Rodrigo como um “grande herói” que deu a vida pela sociedade, são um tributo legítimo, mas mascaram a falha sistêmica.
O ciclo de megaoperações – mortes – luto – nova operação é um padrão que se repete no Rio de Janeiro, evidenciando a incapacidade do Estado de encontrar soluções que transcendam o confronto direto.
O “e daí” dessa tragédia é a urgência de exigir que a segurança pública priorize a inteligência, o desmonte financeiro das facções e a ocupação social sustentável das comunidades, em detrimento da tática de confronto que só resulta em mais luto – tanto nas forças de segurança quanto entre os moradores das favelas.
A morte de cinco agentes é a prova cabal de que essa guerra, travada dessa forma, é uma derrota para todos.

