O anúncio de Maira Cardi sobre a exclusão definitiva de seu perfil no Instagram não é um simples adeus a uma plataforma; é o ápice de uma estratégia de exposição calculada que utiliza a própria retirada como uma nova forma de engajamento e controle narrativo.
A frase “Eu sei que vocês não vão gostar muito, mas não tem mais sentido” é a chave para a análise cética.
Não se trata de uma desistência por falta de sucesso ou relevância, mas por saturação e, crucialmente, pela necessidade de revalorizar a própria imagem longe do escrutínio diário. A decisão de uma influenciadora que construiu sua fortuna e fama na hiper-exposição da vida pessoal – de relacionamentos a rotinas de emagrecimento – deve ser vista como um movimento de negócios, não apenas de wellness digital.
O ceticismo nos impõe a seguinte questão: Se o Instagram “não tem mais sentido” financeiro ou pessoal, para onde o conteúdo e a influência serão migrados? O silêncio na plataforma principal frequentemente precede a migração para plataformas de conteúdo fechado ou paywall (como Telegram ou áreas de membros), onde o acesso é monetizado de forma mais direta e a relação com o público é mais filtrada e controlada.
A declaração é, em si, um conteúdo de alto impacto que garante audiência e buzz no momento da saída. Ela mobiliza a base de seguidores leais (“vocês não vão gostar”) e atrai a atenção da mídia para justificar o próximo passo, seja ele um detox digital real ou o lançamento de um novo produto ou formato.
O anúncio de uma gravidez em meio a esse ciclo apenas intensifica a narrativa de “novo capítulo” e “foco na família”.
O “e daí” da exclusão é a afirmação de que, para certas figuras, o excesso de exposição aberta começa a depreciar o valor da marca pessoal. A retirada é uma forma de criar escassez em um mercado de conteúdo saturado, fazendo com que o que antes era gratuito e abundante se torne escasso e, portanto, mais valioso.
A imagem da influenciadora grávida e ao lado do marido sugere que a nova narrativa de vida será mais exclusiva e reservada.
O que parece ser uma renúncia é, na verdade, uma reengenharia da marca. Maira Cardi não está se retirando da vida pública, mas recalibrando o canal de comunicação para um formato que exija menos esforço de defesa e mais retorno financeiro ou paz pessoal.
A verdadeira exclusão seria sem aviso, mas o espetáculo do anúncio faz parte do show.
Eu posso buscar o histórico de outras grandes personalidades que anunciaram a saída de plataformas e como isso afetou sua presença e negócios.

