Em primeiro lugar, não há registros confiáveis na imprensa tradicional, em veículos de credibilidade ou em documentos oficiais do FBI que mencionem qualquer mulher que tenha roubado US$ 15 bilhões, embarcado em um avião em 2017 e desaparecido para sempre. Uma busca por essa combinação de fatos retorna apenas discussões em fóruns como Reddit, o que sugere fortemente que o relato pode ter surgido como boato ou teoria da conspiração.
Na verdade, existe um caso real bastante famoso que tem pontos semelhantes, mas é bastante diferente nos detalhes: o da Ruja Ignatova, conhecida como a “criptorainha desaparecida”.
Ruja Ignatova é uma cidadã búlgara acusada de liderar um esquema de criptomoedas chamado OneCoin, que teria enganado investidores em bilhões de dólares.As autoridades estimam que o golpe tenha arrecadado algo em torno de US$ 4 bilhões, e não US$ 15 bilhões conforme afirma a versão viral.
Ela desapareceu em 2017, quando foi emitido um mandado de prisão do FBI contra ela. A última vez que teria sido vista foi embarcando em um voo da Bulgária para a Grécia. Desde então, seu paradeiro permanece desconhecido e ela é uma das poucas mulheres na lista dos 10 fugitivos mais procurados pelo FBI.
Algumas teorias especulam sobre o que pode ter acontecido com Ruja: alguns acreditam que ela mudou de identidade, usando documentos falsos; outros levantam a hipótese de que pode ter sido vítima de violência ou até que esteja morta. Também há relatos de que ela teria levado centenas de milhões, não bilhões a mais do que os US$ 4 bilhões atribuídos a OneCoin.
Há, portanto, uma forte possibilidade de que a narrativa de “US$ 15 bilhões” seja uma hipérbole, uma distorção ou um exagero viral sobre o esquema OneCoin, que já é real e envolve fraude em escala global, mas não nos montantes citados na versão boato.
Além disso, a ausência de fontes jornalísticas respeitáveis sobre esse suposto roubo de US$ 15 bilhões é um indicativo importante: se algo desse tamanho tivesse ocorrido, especialmente com desaparecimento aéreo, seria objeto de cobertura em veículos sérios, agências policiais internacionais, relatórios governamentais, etc. Porém, não encontramos essa cobertura.
Também não há registros públicos de um grande sequestro ou roubo aéreo envolvendo uma mulher com esse perfil. Os casos de aviões ou sequestradores famosos têm perfis muito diferentes. Por exemplo, o caso D.B. Cooper, um dos mais icônicos misteriosos do FBI, envolve um sequestrador masculino que saltou de paraquedas com resgate em dinheiro na década de 1970.
Outro ponto é que o boato provavelmente se alimenta de elementos sensacionalistas: misturar “bilhões”, “desaparecimento em avião” e “FBI incapaz de encontrar” gera facilmente teorias conspiratórias. Essas narrativas são muito comuns na internet, especialmente em fóruns e redes sociais, e muitas vezes são compartilhadas sem checagem rigorosa.
Pesquisadores e jornalistas que investigaram Ruja Ignatova apontam que o encanto da história (fuga ao estilo “vilã de filme”, riqueza astronômica, documentos falsos) contribui para o surgimento e a amplificação de boatos.
Além disso, oferecer uma recompensa pública por seu paradeiro (como faz o FBI) não significa necessariamente que ela tenha escapado com uma fortuna tão gigantesca quanto US$ 15 bilhões, mas sim que as autoridades querem localizar e responsabilizar pelos crimes já comprovados (fraude, lavagem de dinheiro, pirâmide financeira).
Em resumo, a história de uma mulher que teria roubado US$ 15 bilhões, embarcado num avião em 2017 e desaparecido para sempre não se sustenta em evidências confiáveis. O relato mais próximo na realidade é o de Ruja Ignatova e o golpe da OneCoin, mas os números (US$ 4 bilhões) e os detalhes divergentes indicam fortemente que a versão de “US$ 15 bilhões + avião” é uma distorção ou boato exagerado.
Para checar esses casos, é sempre importante recorrer a fontes confiáveis: sites de grandes veículos de notícias, documentos judiciais, comunicados oficiais do FBI, reportagens investigativas. Ao encontrar uma história aparentemente extraordinária, vale cruzar os dados antes de compartilhá-la.
Se quiser, posso fazer uma análise mais profunda de outras versões desse boato (em diferentes idiomas) e ver qual é a origem mais provável da desinformação — você quer que eu faça isso?

