Criminólogo revela o único comportamento que prova que alguém é um psicopata

Um renomado criminólogo afirmou recentemente que existe um único comportamento que, segundo ele, evidencia com clareza a presença de uma psicopatia: “a perversidade combinada à crueldade desprovida de remorso”. Essa declaração reacende o debate sobre como identificar os traços psicopáticos, uma tarefa que, segundo especialistas, é complexa e cheia de nuances.

De acordo com ele, não basta simplesmente cometer atos antissociais ou violentos para caracterizar alguém como psicopata. A diferença está na motivação interna: para o criminólogo, o verdadeiro psicopata não age por impulso ou necessidade de sobrevivência, mas por prazer, poder ou manipulação — e o faz repetidamente, sem remorso.

No entanto, essa visão não é unânime entre os estudiosos. Diversos psiquiatras e psicólogos alertam que a psicopatia não se resume a um único tipo de crime ou a uma marca inequívoca de maldade. A psicóloga Leilane Pereira, por exemplo, explica que o transtorno de personalidade antissocial (TPAS), frequentemente associado à psicopatia, exige um padrão de funcionamento estabelecido ao longo da vida, e não apenas ações isoladas.

Ainda assim, a afirmação do criminólogo — de que apenas crimes particularmente cruéis, feitos sem empatia e sem qualquer remorso — seriam a “prova máxima” de psicopatia, chama atenção. Segundo ele, somente certas perversidades seriam exclusivas de psicopatas, o que significaria que nem todos os criminosos violentos se enquadram nesse perfil.

Esse ponto de vista remete a discussões antigas na criminologia. Em algumas pesquisas de perfil criminoso, psicopatas são associados com atos mais elaborados e frios. Já na academia penal, afirma-se que “a certeza do diagnóstico passa pelo comportamento do sujeito … pelo tipo de crime cometido, sendo que, dependendo da crueldade do ato, se tem a certeza de tratar-se de um psicopata”.

Ainda assim, a psicopatia — segundo várias fontes — pode se manifestar sem violência letal. Muitos psicopatas não são assassinos em série nem cometem crimes extremos: são pessoas que mentem patologicamente, manipulam, faltam com remorso e se envolvem em comportamentos antissociais, sem necessariamente cruzar a linha da criminalidade violenta.

Além disso, especialistas reforçam que traços psicopáticos podem existir em diferentes graus. A advogada criminalista Beatriz de Vicente, professora de Criminologia, pontua que algumas pessoas apresentam uma pontuação elevada na escala de psicopatia sem necessariamente serem psicopatas plenos.

Outro aspecto relevante levantado por estudiosos é a base biológica da psicopatia. Pesquisas recentes de neurocriminologia mostram que há diferenças anatômicas no cérebro de pessoas com traços psicopáticos: por exemplo, um estudo identificou um estriado de volume aumentado, estrutura subcortical vinculada à motivação e à busca por recompensa.

O fato de essas características serem observadas em exames neurais reforça a hipótese de que nem toda psicopatia pode ser detectada apenas por meio de comportamento social ou criminal. Há uma dimensão neurológica que, embora não seja determinista absoluta, contribui para a formação desses traços.

Ao mesmo tempo, a psiquiatria alerta para os riscos de rotular comportamentos corriqueiros ou antiéticos como psicopatia. A avaliação adequada deve envolver profissionais experientes, já que a “escala PCL-R” de Robert Hare — ferramenta tradicional para diagnosticar psicopatia — exige aplicação e interpretação cuidadosas por especialistas.

Em audiências e debates públicos, médicos têm ressaltado que psicopatas nem sempre agem de forma violenta. É possível que indivíduos com traços psicopáticos evitem crimes graves, mas mantenham um padrão de manipulação, frieza emocional e falta de empatia no convívio social.

Desse modo, a afirmação do criminólogo de que existe “um único comportamento prova” — a perversidade cruel sem remorso — parece um tanto reducionista. Se é verdade que certos crimes frios e calculados são altamente indicativos de psicopatia, não há consenso de que sejam a única forma de manifestação desse transtorno.

Para muitos profissionais, traços como charme superficial, mentira patológica, instabilidade emocional, impulsividade e uma visão grandiosa de si mesmo são tão relevantes para caracterizar a psicopatia quanto atos extremos de violência.

Além disso, a literatura criminológica e psicológica enfatiza que o diagnóstico de psicopatia não deve ser feito com base em percepções simplistas ou estereótipos de “vilão de filme”. O transtorno é multifacetado e requer uma avaliação clínica, histórica e comportamental ampla.

O criminólogo que defende a tese da “perversidade sem remorso” chama atenção para a gravidade potencial desse perfil, mas, por outro lado, corre o risco de condescender demais com outras formas mais sutis — mas igualmente traumatizantes — de psicopatia.

O debate é relevante sobretudo para a justiça penal, porque rotular alguém como psicopata pode influenciar decisões judiciais, medidas preventivas e estratégia de reintegração social. Essa rotulagem exige responsabilidade e precisão.

Para a sociedade em geral, a discussão revela a necessidade de cautela: não é justo — nem cientificamente correto — supor que toda pessoa sem empatia ou com traços antissociais seja psicopata. O diagnóstico é sério e deve ser reservado a profissionais.

Em última análise, o que esse criminólogo propõe reforça um alerta legítimo: comportamentos de extrema perversidade e crueldade, combinados com ausência de remorso, são sinais de alarme que merecem atenção especial. Porém, tratá-los como “a única” prova de psicopatia ignora a complexidade e a diversidade desse transtorno.

Portanto, embora o posicionamento gere impacto, ele deve ser contextualizado dentro de um entendimento mais amplo. A psicopatia é um fenômeno que se manifesta de maneiras variadas — nem sempre com crimes espetaculares, e nem sempre por meio de atos extremamente violentos.

A mensagem para o público e para os profissionais é clara: é preciso dialogar com a neurociência, a psicologia e a criminologia de forma integrada e cuidadosa. Diagnósticos precipitados ou rótulos sensacionalistas podem fazer mais mal do que bem.

Por fim, a discussão reacende a importância de usar critérios clínicos validados, de aprofundar o conhecimento sobre as bases neurológicas da psicopatia e de reconhecer que nem todos os psicopatas se encaixam em um estereótipo violento. Assim, avança-se em direção a uma compreensão mais realista, ética e eficaz desse complexo fenômeno.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Alemanha cria um gel que regenera a cartilagem articular, sem implantes, sem cirurgia, apenas cura

Ana Castela reage a crítica sobre sua presença no “Poesia 6” e movimenta as redes