Uma jovem de 20 anos, natural do Sertão da Paraíba, protagonizou uma trajetória inspiradora ao conquistar aceitação em sete universidades nos Estados Unidos, após aprender inglês de forma autodidata empregando apenas materiais gratuitos. Oriunda de Nova Olinda, município com pouco mais de seis mil habitantes, ela superou desafios financeiros e acadêmicos para alcançar um dos seus mais ambiciosos objetivos: uma educação internacional de alto nível.
Alice dos Santos Araújo Lourenço, formada no Instituto Federal da Paraíba (IFPB), Campus Itaporanga, direcionou seus estudos para as áreas de Ciência da Computação e Educação. Seu domínio do idioma inglês foi conquistado sem aulas particulares: ela recorreu a aplicativos, dicionários online e outras plataformas gratuitas para desenvolver proficiência avançada.
No processo de seleção para universidades norte-americanas, Alice contou com o suporte da Academia Latino-Americana de Liderança (LALA), por meio do programa University Placement. Esse apoio incluiu mentoria para candidaturas, cartas de recomendação, preparação para redações e acompanhamento em toda a burocracia de aplicação.
Durante a primeira rodada de candidaturas, em 2023, ela foi aceita em quatro instituições: University of British Columbia, University of Wisconsin–Madison, University of Colorado at Boulder e Stetson University. No entanto, na ocasião, os recursos para cobrir os custos foram insuficientes para viabilizar sua ida ao exterior.
Determinada a seguir tentando, Alice renovou suas aplicações em 2024. Nesse segundo momento, conquistou mais três aprovações, entre elas a da renomada University of North Carolina at Chapel Hill (UNC-Chapel Hill), onde obteve uma bolsa integral para estudar.
A escolha pela UNC-Chapel Hill não foi aleatória. Alice destacou que a instituição combina excelência acadêmica com uma comunidade vibrante — os Tar Heels — e está localizada na chamada Research Triangle, região famosa por pesquisa, inovação e tecnologia.
Além de cobrir mensalidade, sua bolsa integral inclui moradia, alimentação, transporte e equipamentos, o que permitirá que ela se dedique por completo aos estudos durante os quatro anos de graduação.
A formação técnica no IFPB também foi decisiva: no campus de Itaporanga, Alice teve contato com recursos avançados e professores qualificados; ali, participou de projetos de extensão e de pesquisa, ministrando aulas de programação e robótica a jovens.
Essa vivência no Instituto Federal despertou nela o desejo de estudar no exterior e usar a educação para gerar impacto social. Ela afirma que no IFPB “enxergou o meu potencial como jovem líder e a possibilidade de sonhar sem barreiras”.
A jovem também acumula experiências internacionais, tendo participado de projetos na Itália, na Índia, na Alemanha e na Noruega. Essas oportunidades — obtidas por meio de bolsas — ajudaram a moldar sua visão acadêmica e profissional.
Em relação à língua inglesa, Alice reconhece que estudar por conta própria foi um processo árduo. “Aprender inglês por conta própria foi difícil”, disse ela, mencionando que temia não alcançar o nível exigido para poder se candidatar a universidades estrangeiras.
A jovem paraibana destaca que a fluência em inglês “vem abrindo muitas portas” — não só em termos acadêmicos, mas também como alternativa de mobilidade social, tanto para ela quanto para sua família e para futuros jovens de sua comunidade.
Sua família, segundo ela, foi essencial na sua trajetória. Apesar das limitações financeiras e da falta de familiaridade com processos internacionais, os pais e seu avô sempre a incentivaram. “Minha família me inspira a seguir em frente de forma humilde, sabendo que o meu valor está na minha educação e caráter.”
Alice reconhece que ainda está assimilando a magnitude de sua conquista. “A ficha ainda não caiu”, afirmou, ao comentar sobre a aceitação na UNC e o fato de que essa vitória representa barreiras superadas para ela, seus familiares e seu estado.
Simultaneamente, ela expressa o desejo de retribuir: pretende que essa oportunidade não fique restrita a ela. “Quero que os frutos dela sejam colhidos por outros jovens paraibanos”, declarou, defendendo o desenvolvimento de talentos no interior do Brasil.
Com sua trajetória, Alice planeja construir algo maior. Um de seus objetivos é fundar uma edtech acessível na América Latina, focada especialmente em jovens de baixa renda, sobretudo meninas, para que mais pessoas tenham acesso à educação tecnológica de qualidade. A jornada de candidatura enfrentou etapas rigorosas: além do domínio do idioma, foi necessário apresentar atividades extracurriculares com impacto social, cartas de recomendação, histórico escolar e redações pessoais e suplementares — partes comuns dos processos nos Estados Unidos.
A aprovação em sete instituições é, por si só, um feito notável. A persistência de Alice diante de recursos limitados e contratempos demonstra não apenas sua competência acadêmica, mas também uma resiliência rara.
Em agosto, a jovem embarca para os Estados Unidos para dar início à sua graduação na UNC-Chapel Hill. Essa etapa representa a materialização de anos de dedicação, estudo autodidata e sacrifícios pessoais.
Sua história repercute como fonte de inspiração em sua cidade natal, no interior da Paraíba, e nas comunidades acadêmicas que acompanham seu percurso. Muitos veem em Alice um símbolo de superação e de transformação por meio da educação.
No cenário mais amplo, a trajetória de Alice amplia a discussão sobre desigualdade educacional no Brasil: ela mostra que o investimento em educação pública e recursos gratuitos, quando bem aproveitados, pode gerar talentos capazes de competir internacionalmente.
Finalmente, a jovem paraibana se prepara para enfrentar um novo capítulo em sua vida: morar nos EUA, interagir com diferentes culturas, continuar crescendo academicamente e, ao mesmo tempo, manter-se fiel à sua missão de empoderar outras meninas e jovens através da tecnologia.

