“Piorou para o Brasil”, dizem exportadores de café após redução de tarifas globais dos EUA

A notícia sobre a tarifa de importação de café e a posição do CECAFÉ (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) revela o dilema crônico da economia brasileira: como proteger a produção interna de um choque externo de preços sem prejudicar o consumidor.

O Contexto da Crise e a Pressão Interna

A discussão sobre a tarifa surge, previsivelmente, em um momento de volatilidade de preços internacionais ou de crise de oferta em outros países. Quando o café de países vizinhos ou de outros continentes é oferecido a um preço mais baixo no Brasil, ele cria uma pressão desleal sobre os produtores nacionais.

A tarifa de importação é o mecanismo de defesa que o governo utiliza para igualar o preço do produto externo ao custo de produção interno, garantindo que o produtor brasileiro (que enfrenta custos de compliance e mão de obra específicos) não seja liquidado pela concorrência.

Para o setor produtivo, a tarifa é um escudo de sobrevivência.

A Dupla Face da Tarifa e o Consumidor

O ceticismo deve focar no impacto real dessa barreira para o consumidor brasileiro.

  1. Proteção x Custo: A tarifa protege o produtor, mas, ao mesmo tempo, limita a entrada de café mais barato. O consumidor final (o brasileiro que compra o café torrado e moído no supermercado) paga um preço mais alto do que poderia se o mercado fosse totalmente aberto.

  2. Qualidade x Preço: A concorrência internacional força a indústria a buscar eficiência e inovação. A ausência de tarifa pode, teoricamente, elevar o padrão de qualidade do café nacional para competir.

A defesa da indústria é legítima, mas a transparência sobre o quanto essa medida onera o bolso do cidadão é essencial. O protecionismo nunca é gratuito.

A Posição do CECAFÉ e a Vantagem Competitiva

A posição do CECAFÉ, representando os exportadores, é crucial. Historicamente, o Brasil é um gigante exportador de café, e a indústria nacional deveria ter uma vantagem competitiva natural devido à escala e à proximidade da matéria-prima. Se o Brasil está precisando recorrer a tarifas para proteger seu mercado doméstico de café, isso sinaliza uma fragilidade subjacente na cadeia produtiva interna ou um custo de produção excessivamente alto que precisa ser corrigido estruturalmente, e não apenas por barreiras alfandegárias.

A tarifa é uma solução paliativa que resolve o problema imediato do preço, mas mascara a necessidade de investimentos em tecnologia, logística e redução de burocracia para que o café brasileiro seja competitivo globalmente, tanto na exportação quanto na mesa do consumidor doméstico.

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