Fiasco Internacional e troca de acusações durante COP30 em Belém

A COP 30, sediada em Belém, tornou-se palco de intensas trocas de acusações e crescentes críticas organizacionais, gerando um cenário de fiasco à medida que o evento global se aproxima.

Uma das principais críticas gira em torno dos custos de hospedagem na capital paraense. Delegações e ativistas afirmam que os hotéis praticam preços exorbitantes, o que limitará a participação de países mais pobres e de civil sociedade.

Em resposta, os organizadores minimizaram o problema. Segundo a presidência da COP30, as estruturas em Belém estariam preparadas para receber visitantes, e algumas diárias seriam disponibilizadas por preços controlados.

No entanto, grupos ambientais e diplomatas alertam que a alta dos preços ameaça tornar a conferência menos “inclusiva”, restringindo o acesso aos debates climáticos aos delegados de mais recursos.

Além das críticas econômicas, ativistas indígenas e ambientalistas questionam a real ambição ambiental da COP. Para eles, há uma contradição flagrante entre o discurso verde e as obras de infraestrutura em Belém.

Uma dessas obras é a ampliação de uma rodovia de múltiplas faixas — a Avenida Liberdade — que cortará parte da floresta amazônica para facilitar o trânsito durante o evento.

Segundo grupos de conservação, apesar de supostos mecanismos “ecológicos” no projeto da estrada, a destruição do habitat natural é real e preocupante para a fauna e as comunidades locais.

Por outro lado, autoridades do Pará e do governo federal afirmam que os empreendimentos foram planejados antes da escolha de Belém como sede da COP e garantem mecanismos de compensação ambiental.

Outra polêmica envolve a substituição de árvores naturais por estruturas de fibra de vidro em caráter decorativo. Críticos denunciam que o gesto estético contradiz o espírito ecológico do encontro climático.

Enquanto isso, famílias locais foram despejadas de suas residências para abrir espaço para acomodações turísticas e hóspedes da conferência. Segundo relatos, proprietários estariam convertendo imóveis em aluguéis de curta duração para lucrar com o evento.

Diante dessas críticas, movimentos sociais organizaram protestos em Belém. Indígenas e ativistas levaram à sede da COP30 a “Declaração do Encontro dos Povos da Amazônia”, pedindo participação efetiva nas negociações climáticas.

Segundo eles, a retórica de preservação ambiental falha quando não representa os interesses dos povos originários, que exigem políticas climáticas vinculantes e decisões concretas para proteger seus territórios.

Em meio a essas devolutivas sociais, surgiram também acusações de desinformação e manipulação midiática. A carta pública de ativistas alerta para o uso de discursos sobre a crise climática para fins econômicos e geopolíticos.

De acordo com os signatários da carta, interesses ligados a empresas de combustíveis fósseis estariam por trás de campanhas de desinformação que minimizam os riscos ambientais e promovem uma narrativa otimista demais.

Esse contexto tensionado foi agravado por confrontos entre manifestantes e a segurança da conferência. Grupos indígenas tentaram entrar na área oficial de negociações — a chamada Zona Azul — protestando contra exclusão e injustiça.

Como resultado da invasão, houve empurrões entre a segurança da ONU e os manifestantes, com relatos de ferimentos leves e danos materiais na estrutura.

Apesar das tensões, líderes da conferência afirmaram que os protocolos de segurança foram seguidos e que os trabalhos prosseguem conforme o planejado.

A credibilidade do evento também é colocada em xeque pela construção de acomodações temporárias em cruzeiros. Algumas dessas embarcações consomem grandes quantidades de combustível, o que aumenta a pegada de carbono da própria conferência.

Além disso, críticos acusam a COP30 de sofrer “greenwashing”: promover uma imagem de compromisso ambiental enquanto enreda-se em empreendimentos que degradam a floresta.

Em paralelo, a escassez de moradias populares em Belém se intensificou com os despejos forçados e a especulação imobiliária nas vésperas da COP, o que alimenta a crítica de que o evento beneficia poucos em detrimento da população local.

A soma desses fatores — caro, excludente, contraditório — alimenta uma narrativa de que a COP30 em Belém pode não passar de um espetáculo político, e não de uma real virada climática.

Enquanto diplomatas e chefes de Estado se reúnem para debater o futuro do planeta, o alicerce local parece instável, marcado por divergências sociais, ambientais e logísticas

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