Telebras lança rival da Starlink com 1 GBPS via satélite

A Telebras anunciou um novo marco em sua estratégia de conectividade espacial: por meio de acordo com a operadora europeia SES, a estatal firmou parceria para usar satélites em órbita média (MEO) que possibilitam velocidades de até 1 Gbps, numa alternativa ambiciosa ao modelo da Starlink.

Esse Memorando de Entendimento (MoU) firmado em 4 de novembro reforça o plano da Telebras de diversificar sua oferta de internet por satélite, adotando múltiplas órbitas — GEO (geoestacionária), LEO (baixa) e agora MEO — para atender diferentes perfis de demanda.

Segundo a Telebras, a aposta na constelação da SES O3b mPOWER (em MEO) proporciona desempenho muito superior comparado ao que costuma ser entregue por satélites geoestacionários tradicionais, especialmente em termos de velocidade para regiões afastadas.

Essa nova capacidade não apenas fortalece o papel da Telebras no mercado de inclusão digital, como também permite disputas de maior nível em termos técnicos com players privados, como a Starlink, bastante presente no Brasil.

O presidente da Telebras, André Magalhães, destacou a inovação da iniciativa: “A média órbita oferece desempenho superior com menor impacto ambiental”, segundo reportagens.

Além de atender programas sociais, a parceria entre Telebras e SES prevê aplicação da conexão via satélite em serviços críticos de Estado, como segurança pública, redes de comando, eventos temporários e cobertura para operações emergenciais.

A SES, por sua vez, é referência global em comunicações via satélite e opera a rede O3b, projetada especificamente para oferecer banda larga de alta capacidade com baixa latência a regiões remotas.

No Brasil, a Telebras já vinha trabalhando com a SES por meio do satélite SES-17, usado no programa GESAC para conectar escolas, postos de saúde e pontos públicos em áreas de difícil acesso.

O novo acordo com a SES representa uma escalada nessa parceria: desta vez, a Telebras mira não só a inclusão social, mas também a oferta de internet avançada para locais com necessidade de alta performance.

Para o governo brasileiro, esse avanço tecnológico pode mudar radicalmente o cenário da conectividade nacional. Ao usar satélites MEO, a Telebras pretende entregar velocidades comparáveis às das redes terrestres, mesmo em regiões isoladas.

Essa estratégia fortalece ainda mais o papel da Telebras como agente de política pública para a inclusão digital, especialmente no interior do país e em comunidades vulneráveis, onde a infraestrutura tradicional é limitada.

Especialistas em telecomunicações observam que a adoção de múltiplas órbitas é tendência global: empresas e governos estão combinando satélites LEO, MEO e GEO para otimizar cobertura, latência e capacidade, adaptando-se a diferentes necessidades.

Para a Telebras, que já opera no segmento de satélites geoestacionários, o salto para MEO é estratégico: significa competir não apenas em ubiquidade, mas também em qualidade de conexão, com uma oferta que pode atrair clientes corporativos e governamentais.

Do ponto de vista regulatório, o Brasil pode se beneficiar dessa novidade: com maior concorrência no segmento de satélite — especialmente frente à liderança da Starlink — há espaço para avanços em políticas de universalização da banda larga.

Em números recentes, a Telebras ainda tem participação limitada no mercado de satélite no Brasil (3,1%, segundo dados), o que torna essa parceria com a SES uma carta importante para mudar essa realidade.

A operação via satélite em órbita média também traz vantagens técnicas: por estar mais próxima da Terra que satélites GEO, os MEO reduzem a latência, embora não tanto quanto os LEO, mas entregam alta largura de banda com menor número de satélites.

No plano prático, a Telebras precisará implementar gateways terrestres (estações de solo) adequados para o novo sistema MEO, além de adaptar seus planos de serviço para explorar a potencial velocidade de 1 Gbps em localidades remotas.

Outro desafio será definir modelos comerciais: a Telebras deverá equilibrar tarifas acessíveis — especialmente para programas públicos — com preços compatíveis para clientes que demandem alta performance.

Há também o risco competitivo: embora a Starlink domine o setor de satélite no Brasil, a entrada da Telebras com tecnologia MEO pode alterar a dinâmica, oferecendo uma alternativa potente para usuários que buscam mais velocidade e consistência.

Para a SES, a parceria com a Telebras consolida sua presença estratégica no Brasil, reforçando seu papel como provedor de infraestrutura espacial de alta performance para governos e entidades públicas locais.

Em resumo, o acordo entre Telebras e SES promete transformar o panorama da internet via satélite no Brasil, unindo políticas públicas de conectividade, tecnologia de ponta e a ambição de oferecer 1 Gbps em locais onde a fibra nunca chegará. Esse movimento pode representar uma virada na disputa com a Starlink e um avanço profundo na inclusão digital nacional.

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