EUA designam quatro grupos de esquerda da Alemanha, Itália e Grécia como organizações terr*ristas

Em uma decisão controversa nesta quinta-feira, os Estados Unidos designaram quatro grupos de esquerda na Europa como organizações terroristas, acusando-os de serem “antifa violentos”. A medida foi anunciada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e envolve entidades da Alemanha, Itália e Grécia.

Segundo o comunicado do Departamento de Estado dos EUA, o grupo alemão Antifa Ost foi classificado como “Specially Designated Global Terrorists” (SDGT). Além dele, foram incluídas a italiana Informal Anarchist Federation / International Revolutionary Front (FAI/FRI) e dois grupos gregos: Armed Proletarian Justice e Revolutionary Class Self-Defense.

Rubio afirmou que essas organizações “assinalam ideologias anarquistas revolucionárias ou marxistas, incluindo anti-americanismo, ‘anticapitalismo’ e anticristianismo, usando essas crenças para incitar e justificar ataques violentos tanto em solo Europeu quanto fora dele.”

Ainda de acordo com o secretário, os grupos serão oficialmente designados como “Foreign Terrorist Organizations” (FTO) a partir de 20 de novembro. A mudança legal permitirá, entre outras ações, o congelamento de ativos vinculados a essas organizações e restrições à entrada de seus membros nos Estados Unidos.

Nos Estados Unidos, a decisão ocorre em meio a uma escalada retórica contra o movimento antifa, especialmente após o assassinato de um ativista conservador, o que motivou parte da mobilização do governo para combater a violência atribuída à esquerda radical.

A designação de Antifa Ost, em particular, menciona ataques ocorridos entre 2018 e 2023 contra pessoas consideradas “fascistas” ou de “cena de direita” na Alemanha. Além disso, o grupo é acusado de ter atuado em Budapeste, na Hungria.

Na Itália, a FAI/FRI — conhecida também como Frente Revolucionária Internacional — tem histórico de ações violentas: entre os episódios citados estão o envio de pacotes explosivos ao então presidente da Comissão Europeia e cartas-bomba para políticos e instituições financeiras.

Já na Grécia, o grupo Armed Proletarian Justice teria reivindicado a colocação de uma bomba nas proximidades da sede da polícia de choque em Atenas, enquanto a Revolutionary Class Self-Defense afirmou ter sido responsável por outras explosões, inclusive perto de instalações públicas como o Ministério do Trabalho.

Especialistas ouvidos por veículos internacionais alertam que o movimento antifa, por definição, não possui uma estrutura centralizada, o que pode tornar complexa a aplicação de uma designação uniforme de “organização terrorista”.

Há ainda quem veja caráter simbólico na medida dos EUA, uma vez que nenhuma dessas entidades possui operações conhecidas nos Estados Unidos. A ação, portanto, pode ter mais efeito diplomático e sancionador do que operacional dentro do território americano.

Por outro lado, a decisão foi saudada por setores conservadores que veem na repressão a essas redes uma forma de conter “a violência política de esquerda”. A classificação busca ampliar a estratégia de Washington para conter o que considera uma ameaça ideológica ao “modo de vida ocidental”.

Governos europeus ainda reagem de forma cautelosa. Até o momento, representantes oficiais da Alemanha, Itália e Grécia não divulgaram posicionamentos unânimes sobre a decisão americana.

Analistas de segurança lembram que a Europa já enfrentou episódios semelhantes no passado, quando organizações radicais de esquerda atuaram durante os “anos de chumbo”, especialmente na Itália e na Alemanha, com grupos envolvidos em atentados e confrontos armados.

A designação dos grupos como SDGT e FTO implicará sanções econômicas importantes. Instituições financeiras dos EUA deverão bloquear quaisquer recursos ligados a essas organizações, e cidadãos americanos que colaborarem ou financiarem essas redes poderão ser responsabilizados criminalmente.

Adicionalmente, a classificação como “terrorista estrangeira” reforça o compromisso declarado do governo Trump, por meio do Memorando Presidencial de Segurança Nacional-7, que visa desarticular redes que promovem “violência política para minar instituições democráticas”.

Para os críticos, no entanto, a medida representa um risco de criminalização da dissidência política legítima. Alguns historiadores argumentam que rotular movimentos antifascistas dispersos como “terroristas” pode abrir precedentes para repressão de protestos e de ativismo radical, ainda que não necessariamente violento.

Além disso, existe preocupação sobre a proporcionalidade da resposta. Embora alguns grupos designados tenham histórico de ações violentas, parte de sua militância é descentralizada e descentralizável, sem hierarquia formal, o que dificulta a definição legal e operacional de “organização terrorista”.

Por sua vez, defensores da decisão americana defendem que a classificação é uma ferramenta preventiva: ao colocar essas redes no radar como organizações terroristas, o governo reduz a capacidade dessas entidades de receber apoio financeiro internacional e de expandir sua influência.

A partir de 20 de novembro, quando a designação como FTO se torna efetiva, os Estados Unidos devem intensificar a vigilância sobre atividades associadas a esses grupos e adotar mecanismos de sanção mais rígidos caso identifique financiamento ou operação transnacional.

Do ponto de vista geopolítico, a medida americana pode estimular debates em outros países sobre como classificar e contrariar grupos radicais de esquerda, especialmente no contexto de polarização política crescente na Europa.

Alguns analistas já mencionam que a decisão dos EUA pode ter desdobramentos simbólicos: além do bloqueio de recursos, a designação reforça uma narrativa de segurança que associa certas correntes ideológicas à violência global, independentemente de sua estrutura formal.

Em resumo, a ação americana marca um momento tenso nas relações entre segurança e ativismo de esquerda no cenário internacional. A retórica oficial reforça que Washington está disposto a usar medidas duras para coibir o que considera uma ameaça ideológica radical.

O fato de grupos antifa descentralizados e historicamente voláteis serem agora tratados como organizações terroristas levanta questões complexas sobre definição de terrorismo, liberdade de expressão e até onde a repressão política pode ir.

Com a entrada em vigor prevista para 20 de novembro, os próximos dias serão decisivos para avaliar não apenas o impacto prático dessas sanções, mas também as reações políticas na Europa e os possíveis reflexos no debate sobre ativismo, ideologia e segurança global.

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