O envio de 1.200 edredons e 330 travesseiros por Luciano Hang, da Havan, para as vítimas do tornado no Paraná, é um gesto de auxílio humanitário que, no contexto do empresário, exige uma análise que transcende a mera solidariedade.
A Escolha do Artigo e o Timing Estratégico
A doação de edredons e travesseiros é altamente simbólica e estrategicamente precisa.
São itens de conforto imediato e necessidade básica em uma situação de emergência climática, especialmente em regiões frias. Eles representam o resgate da dignidade e do sono em meio ao caos.
O alto volume dos itens, articulado com a rapidez da logística da Havan, transforma a ação em uma demonstração prática de eficiência corporativa.
O timing é crucial: a resposta imediata a uma tragédia de repercussão nacional confere à marca uma visibilidade positiva inestimável, sobrepondo-se ao noticiário negativo que frequentemente cerca o empresário.
O Capital Simbólico da Solidariedade
Na Nova Economia, a filantropia de grandes empresários não é apenas altruísmo; é um investimento em Capital Simbólico.
Ao mobilizar a estrutura da Havan (os caminhões, a logística), Hang transforma a própria empresa em um agente de resposta social. Isso não apenas melhora o brand awareness, mas reforça a imagem de uma empresa “engajada” e “nacional” perante o consumidor.
A repetição dessas iniciativas solidárias (“o gesto reforça a participação de Hang”) constrói uma narrativa coesa de participação comunitária, que serve como um escudo de reputação contra críticas políticas ou empresariais.
O benefício fiscal da doação (se houver) é um detalhe técnico; o benefício intangível para a marca é o ativo principal.
O Ceticismo da Performance Pública
O ceticismo não deve questionar a necessidade da doação — as famílias precisam dos itens. O questionamento deve ser sobre a natureza da exposição pública do ato.
Em um país onde a iniciativa privada tem o poder logístico de suprir falhas do Estado em emergências, o empresário pode se posicionar como o executor eficiente, contrastando com a lentidão da máquina pública.
O gesto não é apenas um auxílio; é um posicionamento político-social. É a demonstração de que o empresário, com sua eficiência, pode prover soluções onde a burocracia falha.
A ação de Hang e da Havan é um espelho do tempo: a caridade se tornou um evento de marketing onde o produto vendido não é apenas o edredom, mas a imagem de responsabilidade social do doador.
A crítica não está na doação, mas no uso estratégico da crise para a gestão de marca e a ampliação da influência pessoal.

