Ao vivo no Teleton, Ronaldo Fenômeno pede emprego no SBT: “Tá contratado”

A Jogada de Mestre de Ronaldo: O Microfone da Copa como Ativo de R$ 1 Bilhão

O mercado de estrelas aposentadas não vive de saudades, mas de estratégia.

O anúncio de Ronaldo Fenômeno buscando uma vaga como comentarista no SBT parece uma anedota leve.

Mas, no tabuleiro da mídia e dos negócios, é um lance de xadrez de alta complexidade.

A notícia superficial sugere um ídolo voltando ao contato com o esporte, quase um capricho pessoal.

Essa é a explicação óbvia, o lugar-comum que o leitor inteligente deve ignorar.

A realidade é que Ronaldo não pede emprego; ele negocia uma parceria.

Ronaldo não é mais um jogador. Ele é uma holding, um ecossistema de investimentos esportivos.

Proprietário do Cruzeiro e do Real Valladolid, ele lida diariamente com balanços, valuation de marca e fundos de venture capital.

Sua presença na mídia, portanto, é um ativo, não um salário.

O microfone da Copa do Mundo 2026, em um grande canal, funciona como um hub de visibilidade global.

É uma validação recorrente para toda a sua rede de negócios e investimentos.

Essa visibilidade é a verdadeira moeda de troca, garantindo espaço publicitário indireto e influência sobre parceiros.

Do lado da emissora, o SBT, a jogada é igualmente reveladora.

Ao cortejar uma estrela dessa magnitude, eles sinalizam um cansaço da análise técnica tradicional.

O objetivo principal é comprar a afetividade do espectador para desafiar o status quo estabelecido.

É o triunfo da celebridade sobre a credibilidade no curto prazo, um atalho emocional perigoso.

Mas há um custo nessa transação: o que se perde é o olhar cético, a crítica ácida, o questionamento incômodo.

O ex-jogador de elite raramente pode ser o analista implacável que o público exigente precisa.

Ele pertenceu àquela bolha e se beneficia da arquitetura do poder que, muitas vezes, precisa ser desconstruída.

Sua autocensura será inerente à posição. O jornalista sênior deve conectar o fato à implicação sistêmica.

A narrativa do ex-craque, no entanto, tende a ser descritiva, se limitando ao “o que aconteceu” e fugindo do “e daí?”.

O jornalismo esportivo vira, assim, um palco secundário para a performance corporativa e a validação de marca.

A entrada de Ronaldo nas cabines é um espelho. Ela reflete a voracidade do mercado por carisma.

Mas, ao escolher a nostalgia, o mercado se afasta da reflexão investigativa.

Fica a pergunta: O que preferimos? O calor do ídolo falando o que esperamos ouvir, ou o frio insight de quem ousa desvendar o que ninguém quer mostrar?

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