Minas Gerais é eleito um dos melhores destinos do planeta para 2026 por revista internacional queu afirma o estado ser um tesouro a ser descoberto

Minas Gerais ser eleita um dos melhores destinos do mundo para 2026 pela prestigiada Condé Nast Traveler não é apenas um elogio; é uma certificação internacional do que o Brasil sempre soube: o estado é um tesouro cultural e gastronômico.

O reconhecimento, embora tardio para um patrimônio que remonta ao século XVIII, marca o fim do mito de “tesouro subestimado” e inaugura uma nova fase de desafio: como gerenciar o fluxo turístico sem diluir a autenticidade elogiada.

A Fatura da Autenticidade

O que a Condé Nast celebra em Minas é exatamente o que as grandes metrópoles perderam: a experiência cultural autêntica.

A valorização do patrimônio histórico, a gastronomia de excelência (reconhecida pela Unesco) e o estilo de vida acolhedor criam uma barreira de entrada contra o turismo de massa e padronizado.

A força de Minas reside em sua recusa em se transformar em um parque temático. A viagem ao estado é descrita como uma “vivência afetiva”, onde a hospitalidade é parte integrante do produto turístico.

Essa autenticidade, no entanto, é o que o mercado tentará, paradoxalmente, capitalizar e replicar, colocando em risco a originalidade que atraiu o olhar internacional.

O Vigor Silencioso da Capital Criativa

Belo Horizonte, destacada como capital criativa do país, é o motor do vigor cultural de Minas, mas opera com uma potência diferente daquela de São Paulo ou Rio de Janeiro.

Sua criatividade é mais discreta, sofisticada e enraizada na cultura local, evitando os holofotes midiáticos.

O sucesso de Minas nos rankings internacionais não veio por acaso ou apenas pela beleza natural; ele é o resultado de “políticas integradas entre cultura e turismo” e do “desenvolvimento territorial” focado na comunidade.

O investimento público e privado, aliado à descentralização de ações para o interior, demonstra que o reconhecimento internacional é uma consequência da gestão inteligente, e não um golpe de sorte.

O Ceticismo Necessário: Gerenciando o Desejo

O desafio agora é de governança e sustentabilidade.

A visibilidade internacional, embora gere um ciclo virtuoso de renda e desenvolvimento, traz o risco da inflação de serviços (como se viu no tema da COP 30) e da descaracterização dos centros históricos.

O ceticismo deve se concentrar em como Minas Gerais irá proteger suas cidades coloniais, como Ouro Preto e Tiradentes, do excesso de fluxo sem perder o estilo de vida acolhedor que a Condé Nast tanto elogiou.

O título de “destino imprescindível” é uma responsabilidade. A autenticidade, uma vez descoberta, é inegociável. Minas agora tem a tarefa de gerenciar o próprio desejo global sem se submeter à lógica do turismo predatório.

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