O novo capítulo da Operação “Cópia e Cola” em Sorocaba não traz apenas uma suspeita de desvio; traz a evidência visual da desfaçatez.
As imagens da Polícia Federal, mostrando o empresário Marco Mott depositando mais de R$ 200 mil em espécie na conta da esposa do prefeito afastado, Rodrigo Manga, são o roteiro escancarado da lavagem de dinheiro.
O ato de depositar valores vultosos e fracionados em dinheiro vivo é o sinal clássico de camuflagem de recursos de origem ilícita.
Não se trata de uma transferência bancária comum; é a tentativa rudimentar de injetar o “caixa dois” dos desvios na economia formal.
O ceticismo impõe: por que um empresário faria um depósito em espécie de R$ 200 mil na conta da esposa do prefeito se o valor tivesse origem lícita e transparente?
A compra de uma casa de R$ 1,7 milhão, com R$ 180 mil pagos em dinheiro vivo, reforça o padrão da movimentação suspeita.
O dinheiro em espécie, ou cash, é o lubrificante da corrupção, permitindo transações sem rastreabilidade imediata.
O prefeito Manga está afastado, mas a prova material se acumula em seu entorno familiar.
O ápice da investigação é a descoberta de R$ 900 mil em caixas de papelão em endereços ligados à cunhada do prefeito.
R$ 900 mil em espécie não é “reserva de emergência”; é o troféu volumoso do desvio, escondido em um receptáculo indigno de sua função.
A quantia sugere uma capilaridade de propinas que vai além de contratos pontuais, indicando um esquema sistêmico.
A cunhada, a esposa e o empresário: a corrupção municipal, frequentemente, transforma a família em aparato logístico e o empresário em operador financeiro.
O foco da investigação agora se aprofunda: identificar a origem exata desse dinheiro e o possível envolvimento de outros servidores.
É o ciclo vicioso da Saúde municipal: a área mais sensível e urgente é tratada como um caixa eletrônico para o enriquecimento ilícito.
A tragédia não está apenas no desvio, mas no custo humano desses R$ 900 mil, que deveriam ter financiado exames, medicamentos e leitos para a população de Sorocaba.
O desvio de recursos da Saúde não é apenas um crime financeiro; é um crime contra a vida.
A Polícia Federal, ao divulgar as imagens, não apenas informa; ela chama a atenção da sociedade para o óbvio. O dinheiro estava ali, à vista, escondido em caixas de papelão, enquanto a cidade vivia a fragilidade do erário.
O afastamento é a ponta do iceberg. A verdadeira justiça será desmantelar a rede que fez do dinheiro vivo a moeda de troca da gestão pública.

