A tragédia na rodovia GO-060, com a morte de Djenifer Lopes Meirelles, é um evento que transcende a estatística de trânsito; é um soco narrativo na face da resiliência materna.
Não se trata apenas de um ônibus que capotou ao colidir com uma árvore; é a quebra brutal de uma jornada de cuidado e esperança.
Djenifer, aos 28 anos, não estava em uma viagem de lazer. Ela estava a caminho de Iporá, Goiás, para levar o filho, uma criança autista, a exames médicos essenciais.
O Corpo de Bombeiros, acostumado à crueza dos acidentes, encontrou uma cena que dita o tom da história: ela estava abraçada ao filho, que sobreviveu.
Esse abraço não é um detalhe; é o último reflexo instintivo de proteção, o escudo humano final contra a violência mecânica do capotamento.
A vida dela se extinguiu, mas a criança, protegida pelo corpo da mãe, escapou sem ferimentos graves. Um milagre tênue nascido da tragédia.
A história impõe um questionamento amargo: por que essa mulher, focada na saúde e no futuro de seu filho, teve sua jornada interrompida por uma fatalidade evitável como uma árvore caída na pista?
O acidente expõe a intolerância das estradas brasileiras à fragilidade humana e ao afeto. A precariedade da manutenção viária transformou um obstáculo natural em uma armadilha mortal.
O ônibus, que transportava 38 passageiros, tornou-se um veículo de vulnerabilidade diante de um perigo que deveria ter sido mitigado pela infraestrutura.
A sobrevivência do menino é uma vitória minúscula; o consolo reside no fato de ele ter sido entregue à avó, que percorreu o caminho inverso, de Barra do Garças, para resgatá-lo.
A tragédia de Djenifer, e das outras duas vítimas, ecoa o custo invisível do transporte rodoviário de longa distância no Brasil.
O que era uma solução de logística para o acesso à saúde transformou-se em um risco de vida desproporcional.
O que resta é o silêncio do ceticismo diante da inevitabilidade: a jovem mãe, que lutava pela qualidade de vida do filho, teve sua própria vida ceifada por um detalhe negligenciado na rodovia.
E a imagem mais forte que permanece é a da avó, assumindo a criança e dando continuidade à jornada de cuidado que Djenifer não pôde terminar. O ciclo do afeto, apesar de quebrado, resiste

