Gleisi Hoffman afirma que o governo Lula irá lutar para que as facções criminosas não sejam classificadas como organizações terroristas

A declaração da Ministra Gleisi Hoffmann, “terminantemente contra” o projeto que equipara facções criminosas ao terrorismo, é mais do que uma posição política; é um alerta sobre a soberania nacional e a diplomacia.

A recusa não se baseia em eufemismos, mas na precisão conceitual do Direito Internacional e de suas implicações geopolíticas.

A ministra evoca o argumento central: o terrorismo, por definição legal internacional, possui um objetivo político e ideológico explícito.

Facções criminosas, por outro lado, têm motivação predominantemente econômica e logística – o controle de territórios e mercados ilícitos.

Confundir os dois é abrir uma perigosa brecha semântica com consequências diretas para o Brasil.

O ponto nevrálgico é que a legislação internacional sobre terrorismo pode dar “guarida” para a intervenção de outros países sob o pretexto de combater ameaças transnacionais.

É a materialização do que o ceticismo chama de “efeito-cascata regulatório”: uma lei interna mal calibrada torna-se um convite a ingerências externas.

O governo defende que o Brasil já possui um arcabouço legal robusto para combater o crime organizado, com o foco na legislação antifacção.

O Projeto de Lei Antifacção e a PEC da Segurança são citados como as respostas domésticas e adequadas ao problema.

A preferência por essas pautas, inclusive sobre a aprovação do Imposto de Renda, demonstra a prioridade estratégica do Planalto em resolver o desafio internamente.

O governo busca “condições de fazer operações integradas”, sinalizando que a integração de forças e a cooperação interna são o caminho mais eficaz.

Equiparar o PCC ou o Comando Vermelho ao terrorismo pode ser tentador para quem busca um rótulo de maior impacto, mas é uma simplificação perigosa.

Ao se declarar como um país com “terrorismo” em escala, o Brasil expõe-se a tratados e sanções que podem limitar sua autonomia na gestão da segurança.

A pressão da ministra por celeridade nas duas pautas preferenciais – PL Antifacção e PEC da Segurança – é, na verdade, um esforço para esvaziar a pauta radical da equiparação.

A estratégia é apresentar soluções legislativas cirúrgicas, focadas na criminalidade organizada, para evitar a bomba diplomática do rótulo de terrorismo.

O jogo é de xadrez legislativo: a priorização não é apenas por eficiência, mas para neutralizar o projeto que pode convidar intervenções.

O governo, em suma, não nega a gravidade das facções, mas rejeita a linguagem perigosa que as equipara a ameaças ideológicas globais.

Prefere a luta jurídica interna e integrada à exposição internacional, que poderia ser usada como instrumento de pressão ou desestabilização. É a defesa da soberania a partir da semântica.

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